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Novo Prius é vitória da persistência japonesa com carros verdes

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Prius chega à quarta geração como um modelo de sucesso após gerar prejuízo de R$ 35 mil por unidade à Toyota no início de sua existência Imagem: Divulgação
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Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

08/06/2016 13h30

Persistência do povo japonês é conhecida. Que tal ter uma ideia disruptiva, no já longínquo ano de 1997, começar as vendas apenas no Japão e, inicialmente, enfrentar perdas de até US$ 10.000 (R$ 35.000) por unidade comercializada?

Pois assim começou a história do híbrido Prius. Apenas 300 unidades no ano de lançamento, quase 18.000 em 1998 e 15.000 em 1999, segundo a versão em inglês do site Wikipedia.

O mercado americano parece ter entendido melhor a proposta de combinar um motor a gasolina com outro elétrico e deu o impulso. Sua aceitação mundial foi crescente e a produção de híbridos de todas as marcas acumula 9,7 milhões de unidades, das quais 5,7 milhões do Prius original somado às quatro derivações de carroceria que nada têm a ver entre si (são unidas pelo nome somente para fins de marketing).

No Brasil o híbrido da Toyota chegou em 2013 e enfrentou taxação elevada. A marca absorveu impostos, desvalorização cambial e conseguiu vender o total de 783 unidades até abril último.

Agora, na quarta geração, faz um relançamento do carro, ainda subsidiando seu preço, em versão única, por R$ 119.950. Há incentivos administrativos (isenção do rodízio na cidade de São Paulo), além de descontos no IPI e no IPVA (este último um imposto estadual, com isenção aplicada nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro). 

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Traseira é parte com visual mais estranho desta nova geração Imagem: Divulgação

Primeiras impressões

Sua base modular TNGA (arquitetura Toyota de nova geração, em tradução livre) também dará origem ao próximo Corolla, que estreia nos EUA em março de 2017 e, um ano depois, no Brasil. O novo híbrido tem linhas futurísticas e até ousadas demais na parte traseira.

A carroceria ganhou em aerodinâmica -- coeficiente em 0,24, inferior apenas ao novo Audi A4, que alcançou 0,23 --, ficou 2 cm mais baixa e há sensível melhoria de visibilidade à frente, graças à base do para-brisa 7 cm mais próxima do solo.

Espaço interno se assemelha ao do Corolla (igual entre-eixos de 2,70 m), mas o porta-malas é raso e comporta 407 litros, ou 15% menos. Sob o banco traseiro fica a bateria de níquel-hidreto metálico (versão de íons de lítio não será importada).

Além de dispensar motor de arranque, caixa de câmbio tradicional e ser bastante econômico (18,9 km/l, cidade; 17 km/l, estrada), o Prius gerencia de forma inteligente a potência combinada de 123 cv dos dois motores. A fábrica afirma que a bateria alcança a mesma vida útil do carro em condições normais de uso.

Como sempre arranca em modo elétrico e o motor a combustão é bem silencioso, cria nova experiência ao volante. Claro, se o motorista acelera fundo, resta ao motor elétrico apenas tirar o automóvel da inércia, porém nesta condição apresenta eficiência bem maior.

Ao pisar no freio, regenera energia cinética para recarregar a bateria. Efeito de freio-motor acentuado pode se selecionar por botão e, em teoria, melhora o consumo médio.

Foi muito fácil chegar a 20 km/l em trechos das vias expressas de Brasília, apesar de a cidade se situar a 1.172 metros de altitude, o que diminui a potência do motor de ciclo Atkinson (patenteado em 1882), ideal para fazer par ao elétrico.

Suspensões estão calibradas para maior conforto, sem comprometer o comportamento seguro em curvas. O Prius custa 15% mais que um Corolla Altis, mas a diferença de consumo ajuda quem roda muito. 

Roda Viva

+Anfavea indica que, consolidados os cinco primeiros meses de 2016, as vendas diárias em torno de 8.000 unidades – já chegou a bater 15.000 veículos/dia há três anos – sinalizam o fundo do poço do mercado interno brasileiro. Até o final do próximo semestre é possível uma pequena reação. Ficará para 2017 o início do longo processo de recuperação do atual pesadelo.

+Tardiamente, a associação dos fabricantes revisou suas previsões para 2016. Não mais uma queda de apenas 5% nas vendas e sim de 19% sobre 2015, para 2,08 milhões de veículos. As exportações, com crescimento expressivo de 21,5%, ajudarão a amortecer o mergulho da produção para menos 5,5% ou 2,3 milhões de unidades, mesmo nível de 12 anos atrás.

+Expressiva percepção de solidez logo surge ao dirigir um Subaru Outback 4x4. O crossover japonês (mais próximo a uma station wagon) destaca-se ainda pelo motor 3.6 boxer, de grande suavidade e respostas firmes. Sintonia do rádio da central multimídia é confusa e freio de estacionamento eletroassistido só tem funcionamento automático em declives.

+Fiat espera um impulso nas vendas mornas do Mobi com a chegada às lojas das versões “aventureiras” Way e Way On (topo de linha). Além dos penduricalhos de praxe, o modelo ganhou 1,5 cm de altura livre do solo, o que melhora desempenho das suspensões em pisos esburacados e estradas de terra. Preços de R$ 39.300 a 43.800 devem em competitividade.

+Apesar das dificuldades econômicas do País, a XXII edição do Brazil Classics Show, em Araxá (MG), manteve a tradição do encontro bienal de carros antigos do mais alto nível. Vencedor deste ano é exemplar único e não exibido ao público anteriormente: um Lincoln K Coupé Le Baron V12, de 1936, de propriedade de Rubio Fernal.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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