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JAC J3 melhora cara e cabine; motor 1.3 é ponto fraco

Claudio Luís de Souza

Do UOL, em São Paulo (SP)

Não dá para dizer que a JAC Motors não tentou. Aliás, nem que não conseguiu, ao menos em parte: após pouco mais de dois anos no mercado, o J3, principal modelo da marca chinesa no Brasil, ganhou reforma interna e externa de grandes proporções e ficou muito (mas muito mesmo) melhor. Mas o caminho ainda é longo.

UOL Carros experimentou uma unidade do J3 hatch, cujo preço é de R$ 35.990 (o Turin, sedã, custa R$ 2.000 a mais). O carro ainda traz o motor a gasolina de 1,3 litro (e não 1,4 l, injustificável arredondamento para cima dos 1.332 cm³ da unidade) que o move desde o lançamento, em 2011.

  • Murilo Góes/UOL

    Dianteira do J3 abandonou pruridos e passou a imitar carros da VW. E fez muito bem!

Dentro de três meses chega a versão S, dotada do propulsor JetFlex 1.5, bicombustível e bem mais animado que o atual (o preço ainda não foi revelado, mas o J3 Sport atual custa R$ 37.490). Além disso, o próprio J3 é um carro ameaçado de extinção: quando a fábrica da JAC na Bahia começar a funcionar, no final de 2014, será para produzir um modelo no mesmo segmento dele (hatch e sedã compactos). Nada impede, porém, que o atual J3 siga em linha, transformando-se numa espécie de Gol G4/Palio Fire do novo carro.

E seria bem interessante, porque os upgrades no visual externo e principalmente na cabine do J3 impressionam. A dianteira perdeu a identidade chinesa conferida por faróis e grade que simulavam traços de máscaras orientais do passado, e adotou sem maiores pruridos o paradigma alemão de carros compactos (ou seja, Volkswagen). No atual conjunto óptico e na grade frontal do J3 pode-se ver resíduos de Gol, Fox e, principalmente, Polo. A traseira, infelizmente, é a mesma: uma espécie de mix de Fiat Palio e BMW Série 1 antigos, que poderia melhorar muito com uma reposicionamento das lanternas.

Por dentro, a sensação é de estar num carro muito mais sofisticado e caro que o J3 pré-reforma. Os materiais da cabine melhoraram consideravelmente: há até plástico de toque aveludado em volta do sistema de som. O piano black (preto brilhante) também dá seu inevitável alô, mas o conjunto ficou homogêneo e agradável.

O painel de instrumentos é outro destaque: o pavoroso conjunto com mostradores sobrepostos e iluminação "azul-roxo boate" deu lugar a um cluster de óbvia inspiração Volks/Audi, com mostradores redondos e discretos, além de uma telinha central para o computador de bordo, novidade no modelo. Até o volante ganhou revestimento em couro. E a lista de equipamentos de série continua atraente.

  • Murilo Góes/UOL

    Agora sim: cabine do J3 ganhou acabamento e materiais de maior qualidade

Pena que a convivência mais longa com o novo J3 tenha revelado algumas falhas irritantes. No citado computador de bordo, as marcações de média de consumo e consumo instantâneo não funcionaram; os comandos dos retrovisores elétricos continuam invertidos (apertou o botão de cima, eles vão para baixo, e vice-versa); no volante, os controles do som estão do lado direito, enquanto o esquerdo fica vazio (é antiergonômico e "disputa" a mão direita com o câmbio); e bastou passar num buraco para metade dos alto-falantes silenciar. Numa freada forte, para testarmos o ABS (freio com antitravamento), eles se reconectaram. Claramente um caso de mau-contato -- e isso num som original de fábrica e num carro com menos de 4.000 km.

O comportamento dinâmico do J3 praticamente não mudou no modelo 2014. A suspensão continua sendo macia e bastante adequada aos pisos urbanos do Brasil, bem ao estilo Palio; a direção é mais firme e direta, bem ao estilo Gol. O câmbio manual é amigável, mas a proposta citadina do J3 e de seu sucessor baiano pede a opção de transmissão automática ou automatizada (aguardemos 2015).

  • Murilo Góes/UOL

    Visto desse ângulo o J3 até que é bacana, mas as lanternas poderiam ter evoluído também

VACILÃO
Para o motorista, no entanto, o que mais incomoda no J3 é a "bobeada" do motor nas trocas de primeira para segunda, e às vezes desta para a terceira. Chega-se a ter a impressão de que o carro vai morrer.

A assessoria da JAC não dispõe de gráfico com a curva de torque do motor, mas parece claro que a força disponível em baixa rotação é insuficiente (o torque máximo de 14 kgfm aparece apenas a 4.500 rpm) e que a engenharia chinesa privilegiou a potência. Esta é de 108 cv, relativamente alta para um motor 1,3 litro aspirado. O resultado: velocidade máxima de 186 km/h (para quê, mesmo?) e incômodas vaciladas nas marchas mais solicitadas na cidade.

Na opinião de UOL Carros, a chegada do facelift ao J3 Sport com motor de 127 cv e 15,7 kgfm (a 4.000 rpm, ou seja, produz mais força com menos trabalho) fará desta versão o produto mais interessante da JAC no Brasil (posto que hoje é ocupado pelo J2). No fundo, parece que tudo que a JAC fez, e faz, não passa de ensaio geral para 2014/2015, quando ela finalmente mostrará a que veio. Com o argumento do carro "completão" a preço de básico transformado em fumaça pelo IPI aumentado, por ora a JAC é uma marca como outra qualquer. Ao menos, dá mostras de que está aprendendo.

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