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Atualizada em 05.07.2013 14h37

New Fiesta Sedan entra em 2014 por R$ 49.990; leia impressões

André Deliberato

Do UOL, em Campos do Jordão (São Paulo)

A Ford apresenta à imprensa especializada o New Fiesta Sedan reestilizado, modelo 2014, que passa a ser vendido no Brasil a partir desse mês ainda importado do México. O compacto chega em duas versões de acabamento, assim como o hatch, mas só com motor 1.6. São elas:

+ SE 1.6 -- R$ 49.990 (R$ 53.640 com câmbio Powershift, automatizado de seis marchas e dupla embreagem)
Traz de série airbag duplo, freios ABS, direção elétrica, ar-condicionado digital, trio elétrico, faróis de neblina, assistente de partida em rampa, rodas de liga-leve de 15 polegadas e sistema multimídia SYNC, entre outros itens.

+ Titanium -- R$ 55.340 (R$ 58.990 com Powershift)
Conta com os mesmos itens da versão SE e adiciona cinco airbags (totalizando sete); volante e bancos de couro; rodas aro 16"; controlador automático de velocidade; sensor de estacionamento, crepuscular e de chuva; e retrovisor eletrocrômico.

A Ford não revelou a lista de equipamentos, mas afirmou que ela poderá ser encontrada em seu site oficial em breve. Para acessar a ficha técnica, clique aqui.

  • Divulgação

    Painel do New Fiesta Sedan é o mesmo que o do hatch; sistema SYNC e ar digital são de série

RECALIBRADO
Assim como nas versões 1.6 do New Fiesta hatch, o sedã traz o motor Sigma 1.6 com duplo comando de válvulas variável, para render mais potência em altas rotações e mais torque em baixas. Dessa forma, ele rende 130 cv e 16 kgfm com etanol e 125 cv e 15,3 kgfm com gasolina. O modelo 2014 também estreia o sistema de partida a frio sem tanquinho, que aquece o combustível quando necessário.

A Ford divulga os números de economia de combustível com base no Conpet, programa de emissões e consumo do Inmetro. São eles: 8 km/l na cidade e 9,7 km/l na estrada, com etanol no tanque, e 11,2 km/l e 14,1 km/l com gasolina, respectivamente, para a versão com câmbio manual. O Powershift faz 7,9 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada (etanol) e 11,4 km/l e 13,9 km/l com gasolina.

Automati... o quê?

Murilo Góes/UOL
Durante a apresentação técnica do carro, a Ford tentou "vender" aos jornalistas presentes que a transmissão Powershift era automática, já que ela é "muito superior" em relação às automatizadas presentes no mercado (como Dualogic, I-Motion e Easytronic); UOL Carros não caiu nessa: o Powershit é um sistema automatizado, de seis marchas e dupla embreagem (uma a mais que as outras automatizadas citadas). A marca, no entanto, afirmou que vai divulgá-lo como automático em publicidades e propagandas.

ESTRATÉGIA
Curiosamente, a Ford tenta posicionar seu New Fiesta Sedan num segmento diferente dos compactos mais procurados no mercado -- Chevrolet Cobalt, Nissan Versa e cia. Para Oswaldo Ramos, gerente de marketing da marca, os principais rivais são Honda City, Chevrolet Sonic, VW Polo Sedan e Fiat Linea, modelos com mais tempo de mercado e, em alguns casos, em fim de carreira.

A desculpa padrão é a tecnologia embarcada no carro: "O New Fiesta Sedan não é um compacto premium para brigar com Cobalt ou esses carros pelados de alto volume de vendas. Ele é um sedã de nicho recheado de tecnologia", afirma o executivo. O público alvo são jovens executivos solteiros, na maior parte de classe B e sem filhos.

Como consequência dessa estratégia, a Ford planeja manter o volume de vendas atual do carro, que varia entre 1.500 e 2.000 unidades mensais. A entrega às lojas começa a ser feita até o final deste mês.

IMPRESSÕES
UOL Carros rodou por aproximadamente 30 km com o New Fiesta Sedan Titanium Powershift. Neste breve trecho foi possível relembrar as qualidades do carro (as mesmas do modelo anterior) e se decepcionar com o câmbio automatizado.

INTERIOR
O painel é um dos mais estilosos e bem acabados dentro do segmento, mesmo com a imensidade de botões no console central. Há boa variedade de porta-trecos e porta-copos entre os bancos dianteiros. A tecnologia embarcada é excelente.

Atrás, duas pessoas vão sem folga, mas também sem aperto, com boa área para cabeça e pernas. Para isso, os ocupantes da frente não podem ter mais que 1,80 metro (lembre-se, estamos falando de um compacto).

Ao menos os três lugares de trás contam com apoio para cabeça e cinto de três pontos. Por ter sete airbags, a versão Titanium não conta com alças de segurança no teto. O porta-malas leva até 465 litros.

  • Murilo Góes/UOL

    Traseira manteve o formato do modelo anterior, mas as lanternas ganharam novo desenho

TRAVADO
Na estrada (parte predominante do trajeto), o New Fiesta rodou com ânimo inferior ao de um carro 1.6 e pareceu travado (principalmente se comparado ao modelo anterior). Dois motivos podem explicar esta situação: a quilometragem da unidade avaliada era baixa -- o motor, portanto, ainda não estava "amaciado" -- e o câmbio Powershit não respondia bem aos comandos.

De qualquer forma, era de se esperar algo melhor de um motor recém-renovado, que recebeu investimento e ganhou ainda mais tecnologia.

Pode ter sido também um desajuste apenas no carro avaliado, de fato, mas ele não empolgou. O câmbio não obedecia aos comandos (as trocas manuais são feitas por um pequeno botão na parte esquerda da manopla, algo nada ergonômico) e, em Drive, subia de marchas em momentos inesperados -- como em uma entrada de curva, deixando o carro solto (como se o pedal da embreagem estivesse pressionado em um modelo com transmissão manual) e sem resposta. A versão manual, que deve corresponder a 30% das vendas, deve agradar mais os puristas.

A nova direção elétrica é bem acertada, tem bom nível de enrijecimento de acordo com a velocidade e ainda ajuda a reduzir o consumo, já que dispensa o antiquado sistema hidráulico, que suga mais energia que um elétrico. A suspensão continua bem calibrada para o asfalto nacional.

Computador de bordo apontou 8,4 km/l de etanol no percurso 90% rodoviário (valor inferior ao anunciado pela marca). Com 51,9 litros de capacidade no tanque de combustível, a autonomia apontada era de 436 quilômetros.



CONCLUSÃO
O pacote de equipamentos oferecido pelo carro realmente é completo. E as principais qualidades do modelo anterior, como acabamento refinado, alta tecnologia embarcada e visual atraente se mantiveram no New Fiesta Sedan 2014.

Mas ele desapontou em sua versão com câmbio automatizado -- a expectativa era grande sobre a novidade. E ele ainda cobra caro por isso tudo.

Com R$ 60 mil é possível chorar por um sedã-médio, maior e ainda mais completo. Até mesmo o novo Focus, que chega ao Brasil em setembro, deverá custar perto disso em sua versão de entrada. A partir daí, a decisão fica por conta do gosto (e pela necessidade de espaço) do cliente.

Viagem a convite da Ford

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