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Mercado brasileiro de carros só voltará a crescer em 2017

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Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

A grande indagação durante o sexto Fórum da Indústria Automobilística, organizado pelo grupo de comunicação Automotive Business, em São Paulo, foi por quanto tempo o cenário atual de retração persistirá -- apesar do primeiro trimestre desastroso, haverá uma reação no restante do ano, que servirá apenas para mitigar a projeção de queda anual.

No primeiro trimestre, as vendas de veículos (leves e pesados) recuaram 17%, enquanto as projeções mais pessimistas apontam que o ano fecharia com recuo de 12%. O grande problema de curto prazo são estoques altos demais, o que aumenta o índice de ociosidade da indústria e perspectivas de desemprego.

A produção pode ser um pouco menos afetada por uma conjugação de fatores: leve aumento nas exportações em razão da desvalorização do real e, pelo mesmo motivo, a perda de competitividade de veículos importados a serem substituídos pelos de fabricação nacional. Este é um ano com muitos lançamentos, em especial no segmento de SUVs. Mesmo em 2014, houve balanço positivo: 431 lançamentos e 225 descontinuações ao se somarem todos os modelos e versões disponíveis.

Para a consultoria Carcon, no entanto, a produção poderá preservar o único número positivo em 2015: crescimento de 1,7%, ou seja, 3,05 milhões de unidades. E os fatores acima citados se repetiriam até 2019, quando o Brasil alcançaria 3,82 milhões de veículos produzidos. Seria ainda um nível desconfortável, pois a capacidade instalada anunciada pelas antigas e novas empresas ficará acima de cinco milhões de unidades. Ideal é utilizar ao menos 75% desta capacidade para que investimentos se justifiquem e não se crie a espiral negativa do passado.

Arte UOL Carros
2015 é um ano com muitos lançamentos, em especial no segmento de SUVs compactos imagem: Arte UOL Carros

Recuperação em 2017

Uma pesquisa realizada durante o Fórum indicou que os participantes acreditam que só em 2017 o mercado interno voltará a apresentar números positivos, indicando três anos consecutivos de vendas em retração. É provável a Índia ultrapassar o Brasil, que cairia para a quinta posição no ranking mundial.

Ainda que condições econômicas e políticas atuais expliquem grande parte do mau momento do setor, essa crise demonstra que artificialismos atrapalham mais que ajudam. Reduções temporárias de imposto induzem movimentos de antecipação de compras e se usados por períodos longos criam vícios. Ideal seria reforma tributária, pois a indústria de veículos representa 5% do PIB, porém recolhe 10% de todos os impostos.

Na realidade, enquanto perdurar o atual clima de falta de confiança dos entes da economia, as vendas de veículos não se recuperarão. As correções estão no rumo correto, mas ainda há incertezas de como os políticos se conduzirão.

Octavio de Barros, economista-chefe do banco Bradesco, citou dois exemplos positivos na Índia e nos EUA. O primeiro ministro indiano, Narenda Modri, preconiza menos governo e mais governança. Já o ex-secretário de Tesouro norte-americano, Lawrence Summers, construiu a frase lapidar: "Confiança é o estímulo mais barato" -- nos EUA, com carga fiscal bastante baixa para consumidores, a política econômica deve focar nas causas, não nos efeitos. Sem experimentalismos do Brasil e sua conta pesada em forma de pessimismo generalizado.

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RODA VIVA
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  • Conforme adiantado pela Coluna, reestilização de meia-geração do Gol ficou para o primeiro trimestre de 2016 e a nova geração (arquitetura MQB) só entre o final de 2017 e início de 2018. Volkswagen espera vender (somando Audi) cerca de um milhão de unidades no Brasil até o ano da próxima Copa. Ou seja, confia em recuperação do mercado interno e também em aumento de participação.
     
  • Renault Duster 2016 ganhou atualização visual que inclui nova grade, grupo ótico, parachoques dianteiro e traseiro, rodas e lanternas traseiras com LEDs. No interior, costura dupla no estofamento, novo painel e tela com GPS. Motor 2.0 ganhou 6 cv (agora 148 cv), porém torque caiu para 20,7 kgfm. No 1.6, só a curva de torque mudou. Preços: de R$ 62.990 a R$ 78.490 (4x4).
     
  • Motor turbo do Fiat Bravo T-Jet 2016 é ponto alto no carro, em especial ao se apertar o botão de Overboost (sobrepressão). Potência se mantém em 152 cv, mas o torque de 23 kgfm faz nítida diferença. Retoques estilísticos são modestos. Relevante é a monitoração de pressão dos pneus. Pena que a caixa manual de seis marchas tenha curso de engate longo.
     
  • Ganhou outra vida o Mercedes-Benz GLA 250 com motor 2.0 turbo de 211 cv. Faltava essa versão no crossover (SUV de teto baixo) alemão que será produzido no Brasil, no início de 2016. Apenas o motor 1.6 turboflex será nacionalizado. São duas versões: Vision, por R$ 171.900, e Sport, de R$ 189.900. Ambas se destacam por materiais de ótima qualidade.
  • Honda lançará em 2016 o novo Fit Twist, pseudo-aventureiro baseado na nova geração do Fit. Desta vez, a mudança é mais radical e não superficial como na geração passada do monovolume compacto (ou hatch de teto alto) da marca japonesa. Filão de modelos que remetem a “aventuras” no asfalto mesmo ou em (boas) estradas de terra não parece ter fim.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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