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Renegade terá só um obstáculo na briga pelo topo da categoria: HR-V

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Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Íntegro. Se fosse o caso de usar uma só palavra para definir o Jeep Renegade, esta é sob medida. Adjetivo de largo espectro cobre desde sua fidelidade ao estilo e conceitos da marca até a sensação verdadeira de robustez quando se exige dele o uso fora de estrada. Surpreende ainda mais o acabamento interno e a longa lista de equipamentos e opções inéditas.

Trata-se do primeiro SUV a diesel abaixo da barreira simbólica de R$ 100 mil (exatos R$ 99.900) com tração 4x4 (não permanente), bloqueio central do diferencial, modo virtual de reduzida e caixa de câmbio automática de nove marchas. Suspensão independente nas quatro rodas, freio de estacionamento elétrico (por tecla) e controle de estabilidade compõem itens de série. Entre os opcionais destacam-se o inédito (entre carros nacionais) sistema de assistência eletrônica para estacionar e dois tetos solares de compósito de fibra de vidro (o dianteiro, elétrico) destacáveis para guardar no porta-malas.

Em termos de segurança, o Renegade deverá obter nota máxima porque estruturalmente é igual ao produzido na Itália. Aqui pode ter também até sete airbags. Apesar de produzido em uma fábrica inteiramente nova -- em Goiana (PE), com investimentos pesados, longe de alguns fornecedores e ainda à espera de investimentos atrasados em infraestrutura --, o SUV compacto da Jeep tem preços bastante competitivos, em especial frente ao EcoSport e ao recém-lançado HR-V.

Versão de entrada

O preço inicial de R$ 69.900 da versão Sport já o coloca em posição privilegiada. Dentro de dois meses, o carro terá uma versão ainda mais despojada, por R$ 66.900. A intermediária Longitude, de tração dianteira como a primeira, custa R$ 80.900 e traz câmbio automático de seis marchas. Todos os modelos a diesel nesse segmento, por legislação, devem ter tração nas quatro rodas, o que o encarece bastante, além de não se encontrar diesel S-10 em todos os postos. No outro extremo se coloca a Trailhawk (2.0, 170 cv e impressionantes 35,7 kgfm)  por R$ 116.900, que deve ter participação quase simbólica.

Cerca de 80% das vendas serão mesmo das configurações com motor 1.8 flex, que manteve potência de 132 cv, mas teve ligeiro aumento de torque, para bons 19,1 kgfm, em giros mais baixos. Em torno de metade do mix inicial estão previstas versões com câmbio automático e aí começam alguns pontos fracos: pela robustez do projeto, o Renegade pesa 1.432 kg e suas acelerações são relativamente modestas -- a fabricante informa 0 a 100 km/h em 11,5 s, mas dá a impressão de ficar acima de 13 s (tanto que o câmbio manual o deixa mais ágil).

Já a versão a diesel, com 250 kg extras em razão do motor mais pesado, sistema de tração 4x4 e equipamentos, acelera de 0 a 100 km/h em 9,9 s (segundo a fabricante). Porém, o que se destaca é a 120 km/h o motor trabalhar a pouco menos de 2.000 rpm. Em uso off-road, o carro impressiona pela capacidade de vencer obstáculos sem ser desconfortável. Nos congestionamentos, porém, o rival HR-V tem a vantagem do freio de estacionamento elétrico de aplicação automática e liberação ao toque no acelerador (sistema "brake-hold"), sempre conveniente.

Porta-malas do Renegade também é limitado -- apenas 260 litros -- e menor que o de alguns hatches compactos. Ele perde por pouco para o do EcoSport (com estepe fixado na tampa), mas por muito para os 437 litros do SUV da Honda. Entre estes três modelos o Jeep é o mais cotado para liderar, mas a Ford deve reagir e a Honda brigará para-choque a para-choque.

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RODA VIVA
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  • Conforme comentado pela Coluna, a consolidação mundial ainda não terminou. Uma possível fusão entre PSA Peugeot Citroën e FCA (Fiat Chrysler Automobiles) era especulada há tempos. O presidente do grupo francês, o português Carlos Tavares, admitiu abertura a negociações logo que superar a fase atual de recuperação financeira.
     
  • Renault garante: Logan e Sandero continuarão sendo fabricados em São José dos Pinhais (PR). Parte da produção será transferida para a Argentina pela complicada situação cambial e econômica do país vizinho. A marca francesa (ainda) não confirma, mas já é praticamente certa a fabricação de um compacto de baixo custo, sucessor do Clio, na sede paranaense.
     
  • Chevrolet Spin Activ surgiu de pesquisas sobre atratividade do estepe fixado na tampa traseira. Para evitar danos involuntários em outros veículos, em manobras de ré, o sensor de distância é de série. De fato, indispensável no uso cotidiano. Retrovisão fica prejudicada e o peso extra do robusto sistema de suporte exige muito do motor 1.8 de 108 cv, em especial com câmbio automático.
     
  • Crise econômica do Brasil não desanimou a Rolls-Royce, que decidiu importar seu modelo mais em conta, o Ghost Series II. Há um interessado em pagar R$ 2,9 milhões. Subsidiária da BMW, a centenária marca inglesa oferece duas opções de entre-eixos (3,20 m e 3,46 m). Como cresce agora em todo o mundo, por que não aqui em longo prazo?
     
  • Mais uma prova da descentralização no mercado brasileiro: em 2004 São Paulo respondia por um terço dos veículos novos vendidos. Uma década depois, em 2014, o estado representou 26% do total. Tendência é cair para 25% ou menos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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