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Apple, Google e Uber invadem universo dos carros ignorando obstáculos

Sandro Campardo/EFE
Apple agitou a semana automotiva após rumores de que planeja desenvolver um elétrico imagem: Sandro Campardo/EFE
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Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Uber, Google e Apple. O que estes três nomes da indústria de telemática e aplicativos têm a ver com coluna sobre automóveis? Tudo: Google e Apple dispensam apresentações, mas Uber é a empresa que desenvolveu um aplicativo para telefones inteligentes que facilita oferecer caronas entre pessoas conhecidas ou não.

Evolução foi rápida, mas as coisas encrencaram quando se iniciou, digamos, a "profissionalização", algo mais de que dividir combustível, taxas, pedágios, manutenção e -- por que não? -- uma remuneração básica... Em vários países, os taxistas consideraram o serviço uma concorrência desleal e ilegal.

Imagine o caso de Londres com milhares de ruas estreitas, curtas e de nomes variados. Um profissional para trabalhar na capital inglesa passa por severas exigências, inclusive de saber percursos de cor. Em plena era do navegador GPS essa decoreba não deveria fazer mais sentido.

Uber colecionou vários processos de banimento ao redor do mundo, inclusive no Rio de Janeiro. Envolveu-se também em polêmicas por tentar prejudicar aplicativos concorrentes. Até o Goggle resolveu participar do capital da empresa americana e, segundo especulações, a gigante californiana ensaia lançar seu próprio aplicativo de caronas, inicialmente para seus funcionários.

Marco Bertorello/AFP
Taxistas italianos usam mote "Je Suis Taxi Legale" (sou táxi legalizado) em protesto contra o Uber, app de caronas que pode gerar frota autônoma de táxis imagem: Marco Bertorello/AFP
Da carona ao autônomo

O passo seguinte é fácil de entender. A menos conhecida entre as três marcas citadas montou uma parceria com a Universidade Carnegie Mellon, dos EUA, para desenvolver carros sem motoristas. Na realidade poderia produzir uma frota de táxis autônomos. Se hoje parece loucura, na projeção de uma década ou menos pode não ser.

Google já tem alguns carros autônomos em testes autorizados por ruas e estradas da Califórnia. Sua arquirrival Apple, obviamente, nunca vai querer ficar para trás.

Há informações de que um dos projetos secretos da criadora do telefone inteligente seria desenvolver e lançar um carro elétrico. Pode ser apenas coincidência, porém, vários executivos e engenheiros da indústria automotiva foram contratados pela Apple nos últimos anos. A Tesla, que produz o sedã elétrico grande Model S, se queixou de aliciamento de alguns de seus funcionários.

Fazer carro é difícil

No entanto, os dois gigantes da telemática devem saber sobre os grandes riscos inerentes à indústria de veículos. Há fases boas e ruins, alternância de lucros e prejuízos, sem contar exigências de capital e regulamentos de emissões e segurança. Além disso, os fornecedores de componentes e autopeças muitas vezes são ajudados nos gastos de pesquisa e desenvolvimento.

Improvável os fabricantes automobilísticos assistirem passivos a todas essas mudanças, inclusive em relação à invasão de áreas e competências. Trata-se de realidades industriais e de rentabilidade financeira bastante diferentes de um veiculo com 4.000 a 5.000 peças.

Google iniciou uma aproximação com os cinco maiores conglomerados de marcas. "Eles têm muito a oferecer", disse Chris Urmson, diretor do programa de carros autônomos. Seria ótimo também se a autonomia de um automóvel elétrico fosse bem maior do que 8 a 12 horas de um telefone inteligente usado normalmente.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon


RODA VIVA
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+ Cotação do dólar beirando os R$ 3 já diminuiu a distância de preços entre automóveis vendidos no Brasil e nos EUA. Basta fazer comparação com as versões equivalentes de modelos nos dois mercados, não apenas de versões de entrada. Ao retirar a carga de impostos -- aqui a maior do mundo, lá a menor -- muita gente terá surpresas. Há previsões de o dólar superar os R$ 3 até o final do ano.

+ Volkswagen incluiu retoques de estilo na frente e na traseira, inclusive na tampa do porta-malas para melhorar o acesso, no Jetta 2015, ainda importado. O de topo Highline tem motor turbo de 2 litros de 211 cv e continuará vindo do México, enquanto o de entrada e o intermediário serão montados (com pouco conteúdo nacional) em São Bernardo do Campo (SP). O sedã agora começa em R$ 75 mil, mas com motor 2 litros de apenas 120 cv. Não existe mais câmbio manual: todos são automáticos. O novo 1,4 litros turboflex nacionalizado, do Golf e sedã A3 paranaenses, também estará no Jetta, segundo fontes de Alta Roda. Tudo, porém, no segundo semestre do ano.

+ Honda Civic Si cupê atrai olhares por onde passa e resgata a sensação ainda inebriante de poder esticar as marchas na faixa das 7.000 rpm -- ao contrário de um motor turboalimentado. Seu motor aspirado de 2,4 litro e 206 cv combinado unicamente ao câmbio manual de 6 marchas (sem opção de automático), suspensões bem firmes e equipamento de ótimo nível estão na medida certa. Distoa apenas o aerofólio traseiro algo exagerado que acaba atrapalhando um pouco a retrovisibilidade. E, claro, preço puxado, pois vem do Canadá.

+ Volkswagen Touareg recebeu discretas atualizações na dianteira e na traseira. Todas as versões 2015 continuam com tração 4x4 e dividem arquitetura com Porsche Cayenne. SUV de topo da VW oferece motor V8 de 360 cv (80 cv a mais que o V6) e incorporou agora o pacote estético R-Line. Faixas de preço entre R$ 250.000 e R$ 300.000.

* Coluna publicada com atraso por motivos técnicos circula, originalmente, às terças-feiras

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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