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27/04/2009 - 18h06

Veja como a GM planeja deixar de ser gigante para poder sobreviver

Soyoung Kim
Em Detroit (EUA)
A General Motors anunciou um novo plano de reestruturação nesta segunda-feira (27), que abrange uma agressiva redução das dívidas, inclusive com a cessão de 50% do controle da empresa ao governo dos Estados Unidos, o fechamento de diversas fábricas, extinção de marcas e o corte de empregos. O prazo da montadora para completar a reestruturação é até 1º de junho. Sem os acordos de corte de custos, a GM afirmou que terá de entrar com pedido de proteção à falência.

A seguir estão os detalhes dos passos da montadora em seu processo acelerado de reestruturação.

DE HOMENS E CARROS

  • France Presse

    O presidente da General Motors, Fritz Henderson, durante entrevista sobre o plano de recuperação do grupo, em Detroit, sua cidade-sede

  • Trabalhadores como Jesus Martinez (na foto, com seu filho), que vive em Detroit e é filho de outro ex-funcionário da GM, confiavam nos generosos planos de pensão da empresa; pressionado pela crise, ele solicitou sua aposentadoria, mas agora teme pelo resultado do plano de reestruturação

  • Divulgação

    O G6 Coupe é um dos carros do atual catálogo da Pontiac, tradicional marca do grupo GM que será totalmente fechada até 2010

NEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA
  • Proposta para trocar US$ 27 bilhões em títulos da dívida atualmente em circulação por ações da GM;
  • Portadores de títulos da dívida devem passar a controlar pelo menos 10% das ações ordinárias da empresa após a transação;
  • Pelo menos 90% dos títulos em circulação terão de ser oferecidos na transação, para satisfazer as condições determinadas pelo Tesouro dos Estados Unidos;
  • Mudanças no pacote de benefícios pagos ao sindicato para trabalhadores aposentados e nas condições de conversão da dívida com o Tesouro, que devem resultar em uma redução de pelo menos US$ 20 bilhões;
  • Uma redução de no mínimo US$ 44 bilhões no total devido a portadores de títulos, ao Tesouro americano, e ao sindicato de empregados, como resultado das negociações;
  • O prazo de cada uma dessas propostas e solicitações é 26 de maio.

    "ESTATIZAÇÃO" E TESOURO AMERICANO
  • O Departamento do Tesouro dos EUA devem receber no mínimo 50% das ações ordinárias da GM, em troca de 50% dos títulos em circulação da montadora em 1º de junho, estimada em US$ 10 bilhões;
  • O Tesouro indicou estar disposto a fornecer à GM um financiamento adicional de US$ 11,6 bilhões, que a montadora prevê requisitar depois de 1º de maio. Eles já haviam fornecido US$ 15,4 bilhões em empréstimos para manter a GM ativa desde o começo de 2009.

    SINDICATO DE TRABALHADORES
  • Pelo menos 50% das obrigações financeiras ainda devidas pela GM a um fundo de pensão de saúde para trabalhadores aposentados, ou seja, por volta de US$ 10 bilhões, serão extintas em troca de ações ordinárias da GM;
  • Depósitos em caixa do valor restante da dívida serão pagos ao longo de um período determinado;
  • Ações ordinárias da GM distribuídas ao Tesouro e ao United Auto Workers (UAW, o sindicato dos trabalhadores automotivos) não devem exceder os 89% do total da empresa.

    MARCAS E CONCESSIONÁRIAS
  • A GM deve centrar esforços em suas quatro principais marcas: Chevrolet, Cadillac, Buick e GMC. A Pontiac será gradualmente desativada até o final de 2010;
  • A GM deve ter um total de 34 modelos em 2010, em comparação com os 48 fornecidos em 2008;
  • A montadora planeja encerrar a produção de Saab, Saturn e Hummer até o final de 2009;
  • Também esperam reduzir o número de concessionárias de 6.246 em 2008 para 3.605 até o final de 2010, um recuo de 42%. Comparado com o último plano de reestruturação apresentado pela GM em fevereiro, este prevê uma redução de mais 500 concessionárias quatro anos antes do esperado.

    PRODUÇÃO E EMPREGOS
  • O número total de fábricas nos Estados Unidos será reduzido, de 47 em 2008, para 34 até o final de 2010. Até 2012, elas serão 31;
  • O número de funcionários horistas será reduzido de 61 mil em 2008 para 40 mil em 2010. No início de 2011, este número deve atingir 38 mil;
  • A GM deve cortar os custos do trabalho por hora nos EUA para US$ 5 bilhões em 2010, ante os US$ 7,6 bilhões de 2008;
  • A previsão é de que, com essas medidas, os custos estruturais da GM na América do Norte caiam 25%: de US$ 30,8 bilhões em 2008 para US$ 23,3 bilhões em 2010.
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