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01/04/2009 - 09h49

GM vê risco de concordata; Fiat negocia acordo com Chrysler

De Washington e Detroit
A General Motors fez um alerta no final da terça-feira (31) de que há um risco crescente da empresa fazer um pedido de proteção judicial contra falência, a antiga concordata, até junho. Enquanto isso, executivos da Fiat e da Chrysler se reuniram na corrida para completar uma aliança que, segundo o governo dos Estados Unidos, é necessária para que a montadora norte-americana sobreviva.

TENSÃO NO AR

  • Damien Meyer/AFP

    Enquanto Sergio Marchionne (acima), chefão da Fiat, viaja para tratar com sindicalistas e credores da Chrysler nos EUA, acionistas da marca italiana torcem o nariz para possibilidade da empresa ter de injetar dinheiro na montadora comandada por Bob nardelli (abaixo); acordo tem 30 dias para vingar

  • AP
Paralelamente, em Detroit, GM e Chrysler começaram a dura re-estruturação exigida pelo governo de Barack Obama como condição para receber mais verbas públicas neste momento de crise. O presidente-executivo da Fiat, Sergio Marchionne, viajou aos Estados Unidos para uma reunião com sindicalistas e credores da Chrysler. Obama deu 30 dias para que eles estabeleçam uma parceria que capaz de salvar a montadora norte-americana.

Consultores da GM e da Chrysler já preparam eventuais pedidos de recuperação judicial, o que permitiria às duas tradicionais montadoras dos EUA preservar a parte sadia das suas operações, junto com uma redução de dívidas e de custos com previdência e planos de saúde dos funcionários.

Um plano sob discussão pode permitir que a GM forme uma nova empresa com seus melhores ativos, enquanto as marcas e operações deficitárias ou de fraco desempenho permaneceriam sob recuperação judicial, disse à Reuters uma pessoa familiarizada com o assunto.

EM PARAFUSO
As ações da GM perderam quase metade do seu valor desde segunda-feira, quando Obama apresentou medidas que limitam fortemente o uso de verbas públicas para as montadoras, contrariando a expectativa de que pudesse haver um resgate mais amplo.

Uma fonte do governo disse que a Casa Branca quer que em 60 dias a GM chegue a um acordo com portadores de títulos e com o sindicato da categoria.

O novo presidente-executivo da GM, Fritz Henderson, empossado na segunda-feira como parte da reforma administrativa exigida pelo governo, afirmou que a montadora, a maior dos EUA, terá de fechar mais fábricas e demitir mais operários do que planejava há apenas um mês.

"Precisamos ir mais fundo e precisamos ir mais rápido", disse ele em entrevista coletiva na sede da empresa, em Detroit.

ROLANDO DÍVIDAS
O Tesouro dos EUA financiará o processo de recuperação judicial da GM caso ele não resulte em economias suficientes de custos.

"Até não mais do que 1º de junho, se não conseguirmos realizar essa concordata externa, estaremos em concordata. Está bastante claro. O governo foi inequívoco," disse Henderson.

A GM vem tentando renegociar dívidas de US$ 28 bilhões. Na semana passada, a empresa ofereceu aos credores cerca de US$ 6,5 bilhões em dinheiro e a emissão de novas dívidas (o que totalizaria 24% do total), junto com uma participação de 90% na nova empresa, de acordo com relato de uma pessoa envolvida no processo.

"Os detentores de títulos têm de entender que eles precisam voltar à mesa. Até agora, evitaram. Não há mais como evitar. Na concordata, eles devem sair sem nada", disse o deputado democrata Sander Levin, de Michigan.

Enquanto isso, credores da Fiat têm estado preocupados que a companhia poderá acabar contribuindo com dinheiro ou garantias de dívida na aliança com a Chrysler em um momento em que as finanças do grupo italiano estão pressionadas.

A Chrysler, administrada pelo grupo de investimentos Cerberus Capital Management, tem sobrevivido com o empréstimo emergencial de US$ 4 bilhões feito pelo governo norte-americano.

A Fiat concordou em facilitar o acesso da Chrysler a sua tecnologia de carros pequenos e plataformas de veículos em troca por uma participação na montadora norte-americana que começaria em 20%.
(por Kevin Krolicki e Soyoung Kim)
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