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22/01/2009 - 12h10

União de Fiat com Peugeot Citroën fica mais próxima

Em Milão (ITA)
A família fundadora da Fiat está considerando um aumento de capital de cerca de 2 bilhões de euros (US$ 2,58 bilhões) de olho numa possível fusão com o grupo francês PSA Peugeot Citroen, publicou nesta quinta-feira (22) um jornal italiano.

O aumento de capital pela holding Exor, da família Agnelli, tem como objetivo manter uma participação significativa na companhia combinada, publicou o tradicional diário La Repubblica, sem citar fontes. Os Agnelli tem cerca de 30% da Fiat através da Exor. A notícia foi publicada dois dias depois que a Fiat anunciou aliança com a montadora norte-americana Chrysler. Representantes da Fiat e da Exor não comentaram o assunto.

Um porta-voz da PSA também evitou falar, apesar de dizer que a prioridade da montadora francesa é sair da crise que afeta a indústria. A Fiat e a PSA são líderes europeias em carros pequenos, que têm taxas de emissão de dióxido de carbono menores e são mais adequados ao tráfego urbano. A PSA acaba de receber ajuda financeira do governo francês.

O italiano Il Sole 24 Ore também publicou nesta quinta que a Fiat tem trabalhado há um mês para obter uma linha de crédito sindicalizado de até 5 bilhões de euros. "O valor de mercado da Peugeot está atualmente em 3 bilhões de euros, e uma aquisição completa pela Fiat poderia ser financiada com o empréstimo de 5 bilhões de euros", afirmou o analista de crédito Sven Kreitmair. "A combinação Fiat-Chrysler-Peugeot será a terceira maior montadora do mundo depois da Toyota e da GM, com uma produção total de 8,8 milhões de veículos (números de 2007)", afirmou ele.

A Fiat e a PSA trabalham juntas desde 1978 e têm duas joint-ventures na produção de vans e veículos multiuso no norte da França e no centro da Itália. Elas também se aliaram com a Tofas numa fábrica de veículos na Turquia.

TOMBO NA BOLSA
A Fiat informou que custos mais altos pressionaram a dívida industrial da empresa, que subiu para 5,9 bilhões de euros (US$ 7,7 bilhões) em 2008, quase três vezes mais o que previa anteriormente para o ano. As ações da Fiat caíam mais de 8% nesta quinta, antes de serem suspensas em Milão. Depois da retomada dos negócios, os papéis ampliaram a baixa para mais de 10%. "Isso significa que a Fiat queimou uma grande quantidade de dinheiro", disse um analista, pedindo para não ser identificado.

A Fiat informou em relatório de resultados que tinha 3,9 bilhões de euros em liquidez no final do ano passado. Para 2009, a companhia espera que a dívida líquida industrial do grupo caia abaixo dos 5 bilhões de euros.

A companhia divulgou lucro de 3,6 bilhões de euros em 2008 contra expectativa média de analistas de 3,16 bilhões de euros. A montadora informou que 2009 será "particularmente difícil", e que prevê que a demanda global por seus produtos vai cair cerca de 20% no ano.

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