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06/10/2008 - 15h30

Anfavea nega que crise internacional tenha afetado setor automotivo brasileiro

Da Reuters

Ueslei Marcelino/Arquivo Folha Imagem

"Não houve nada de diferente", afirma Schneider, da Anfavea

Um eventual impacto da crise de crédito internacional ainda não se fez sentir sobre as vendas internas de veículos no Brasil, apesar dos prazos de financiamento terem se reduzido, e a indústria nacional de veículos continua confiante na manutenção de investimentos de US$ 23 bilhões entre este ano e 2011, informou a Anfavea, entidade que reúne as montadoras instaladas no Brasil e que divulgou nesta segunda-feira (6) que as vendas de veículos novos no Brasil cresceram 9,8% em setembro em relação a agosto, para 268,7 mil unidades, e subiram 31,7 por cento na comparação com o mesmo mês de 2007.

"Não houve nada de diferente em setembro, estamos em ritmo normal. Aliás, os primeiros dias de outubro mostram crescimento de vendas sobre setembro. Ainda é muito cedo para se imaginar qualquer tipo de restrição ao mercado vinculado ao crédito", disse o presidente da Anfavea, Jackson Schneider.

Os comentários foram feitos em resposta a perguntas de jornalistas sobre um eventual impacto da crise internacional no Brasil, num dia em que a Bolsa de Valores de São Paulo teve seus negócios interrompidos por duas vezes, após queda que chegou a 15%, e depois que duas montadoras anunciaram férias coletivas.

A General Motors anunciou no final da tarde de sexta-feira que vai conceder férias coletivas a trabalhadores de algumas linhas de três fábricas do país entre 20 de outubro e 2 de novembro. Além disso, a Fiat, divulgou férias coletivas para cerca de 2 mil funcionários a partir da próxima semana.

Para Schneider, as decisões das duas montadoras não têm relação com o mercado interno.

O presidente da Anfavea afirmou que no caso da GM a decisão decorre de parada de algumas linhas de produção por conta de queda de compras de clientes externos na África do Sul, México e Argentina e no caso da Fiat a decisão foi tomada para cumprir férias que já estavam atrasadas e não foram concedidas entre junho e julho, como estava previsto, por causa das vendas aquecidas do mercado interno.

"A fotografia que temos neste momento do mercado interno é que nós não tivemos um impacto (da crise internacional)", afirmou Schneider, evitando fazer previsões sobre os desdobramentos da crise no país.

"Qualquer previsão não pode ser feita em cima de um período curto de tempo. Quem planeja no olho do furacão tende a tomar decisões erradas." Para ele, as reduções nos prazos de financiamentos, para uma média de 42 meses ante prática anterior de parcelamentos que chegavam a ficar acima de 60 meses, decorre da "emoção" do mercado.

"Não sinto tendência duradoura de redução nos prazos de financiamento. Acho que pode haver um aumento de emoção (dos agentes financeiros), mas isso se normalizará", afirmou Schneider. Em agosto -- dados mais recentes --, 65% das vendas de veículos novos no Brasil foram feitas com pagamento parcelado.

Em setembro, a produção de veículos, mas afetada por paralisações de funcionários durante as negociações salariais. A queda foi de 4,3% na comparação com agosto. Sobre setembro de 2007, houve avanço de 18%, para 298,4 mil unidades.

PREVISÃO MANTIDA
A Anfavea manteve previsão de que a indústria de veículos do Brasil vai ter um aumento de 24,2% nas vendas internas em 2008 sobre 2007, para 3,06 milhões de unidades. Manteve também a estimativa de produção 15% maior ante 2007, para 3,425 milhões. Ambas são recordes históricos.

No acumulado de janeiro a setembro, as vendas de novos veículos subiram 27%, para 2,21 milhões de unidades. A produção nos primeiros nove meses do ano teve alta de 19,9%, a 2,62 milhões de unidades.

As exportações de veículos novos e máquinas agrícolas recuaram 7,3% em setembro sobre agosto, para US$ 1,26 bilhão. Na comparação anual, porém, as vendas externas em valor subiram 8,1%. Justamente, as vendas externas estão sendo afetadas pelo ambiente da internacional, de acordo com Schneider.

Em setembro, a Fiat liderou as vendas do setor, com 60.617 unidades de automóveis e comerciais leves comercializadas, 8,6 por cento acima do vendido em agosto.

A Volkswagen aparece em seguida, com 55.398 unidades vendidas e General Motors vem depois com 54.774. A Ford ficou em quarto, com 26.811 unidades.
(por Alberto Alerigi Jr.)

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