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19/07/2006 - 14h12

Maior uso de biocombustíveis elevará preços do produto

LONDRES (Reuters) - O aumento da demanda por biocombustíveis deverá elevar os preços do produto e está criando oportunidades para empresas processadoras de alimentos, segundo o banco de investimentos Goldman Sachs.

A demanda maior gera mais competição por alimentos, já que biocombustíveis disponíveis comercialmente, como etanol e biodiesel, utilizam lavouras que também são destinadas à produção de alimentos.

"O impacto mais provável dessa competição por recursos (entre alimentos e combustível) será uma pressão maior sobre os preços dos produtos agrícolas", de acordo com pesquisa do Goldman sobre biocombustíveis e alimentos.

"Há evidências para sugerir que os preços do produto já subiram e irão avançar mais devido ao crescimento dos biocombustíveis", afirmou o Goldman. "A maior preocupação é a disponibilidade de terra", diz a pesquisa.

Segundo o banco, seus analistas de demanda sugeriram, por exemplo, que uma substituição de 20 por cento de combustível fóssil por biocombustível para necessidades de transportes na União Européia poderia exigir o uso de até 61 por cento da quantidade atual de terras aráveis do bloco.

"Processadores agrícolas parecem bem posicionados para explorar a oportunidade de crescimento oferecida pelos biocombustíveis, e estão aumento os investimentos na área."

Uma das empresas que estão investindo em biocombustíveis é alemã Suedzucker .

Com os preços do petróleo em níveis recordes, os biocombustíveis se tornam cada vez mais atraentes, notavelmente no Brasil, maior produtor de cana.

Outro argumento favorável aos biocombustíveis é a mudança climática e o Protocolo de Kyoto, já que eles ajudam a reduzir as emissões de dióxido de carbono.

Por outro lado, a principal limitação no crescimento dos biocombustíveis deverá ser a disponibilidade de terra e lavouras.

"Enquanto a questão do impacto dos biocombustíveis nos preços (de matéria-prima para alimentos) pode parecer uma ameaça distante, pode-se argumentar que ele já é sentido em mercados como o de colza na Europa (para produção de biodiesel) e nos preços mundiais de cana-de-açúcar (para etanol)", afirma a pesquisa do Goldman.

(Por David Brough)

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