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06/07/2006 - 13h59

Shell diz que fabricar biocombustíveis com alimentos é imoral

CINGAPURA (Reuters) - A Royal Dutch Shell, a maior comerciante mundial de biocombustíveis, considera "moralmente inadequado" o uso de produtos agrícolas que podem servir para alimentação na fabricação de combustíveis renováveis enquanto ainda existem pessoas passando fome no mundo, afirmou um executivo na quinta-feira.

Eric G. Holthusen, gerente de Tecnologia de Combustíveis para Ásia e Pacífico, afirmou que a unidade de pesquisa da companhia, a Shell Global Solutions, tem desenvolvido combustíveis alternativos a partir de fontes renováveis que utilizam como matéria-prima lascas de madeira e resíduos vegetais, em vez de produtos alimentícios.

Holthusen afirmou que a participação da companhia no mercado de biocombustíveis extraídos de alimentos tem sido guiada por questões econômicas ou legais.

"Se nós tivéssemos alternativa hoje, nós não seguiríamos essa direção", declarou Holthusen, em um seminário em Cingapura.

"Nós achamos que é moralmente inadequado porque o que nós estamos fazendo aqui é usar alimento, transformando isso em combustível. Se você olhar para a África, ainda há falta de comida, pessoas passando fome, e pelo fato de sermos mais ricos nós usamos comida para fabricar combustível. Isso não é o que eu gostaria de ver. Mas às vezes o mercado força você a fazer isso."

Os principais biocombustíveis vendidos comercialmente no mundo são o etanol e o biodiesel.

O etanol, utilizado principalmente nos Estados Unidos e no Brasil, tem como matéria-prima a cana-de-açúcar e a beterraba, além de grãos como milho e trigo.

O biodiesel, usado na Europa, é fabricado no continente predominantemente a partir de oleaginosas, colza, e também pode ser produzido com palma e coco.

Holthusen disse que a Shell tem trabalhado em alternativas para produtos alimentícios, mas ele não revelou quando o biocombustível produzido a partir de tais matérias-primas estaria comercialmente disponível.

"Nós não descansamos. Estamos fazendo o que todo mundo precisa fazer. Nós estamos trabalhando todo o tempo em alternativas, para deixar de usar alimentos, e isso é o que chamamos uma segunda geração de biocombustíveis."

Ele afirmou que a Shell, em parceria com empresa canadense de biotecnologia Iogen Corp., desenvolveu o "álcool de celulose", que é fabricado com lascas de madeira e porções de palha de cereais que já não servem como alimento. Esse biocombustível, segundo ele, pode ser misturado à gasolina.

(Por Ovais Subhani)

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