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07/06/2006 - 20h43

Biocombustível exige cuidado agroambiental, diz estudo

Por Timothy Gardner

NOVA YORK (Reuters) - Os biocombustíveis têm potencial para substituir grandes quantidades de petróleo, mas podem provocar danos agrícolas e ambientais se não for desenvolvido com cuidado, segundo estudo divulgado na quarta-feira.

O mercado dos biocombustíveis, que incluem o etanol e o biodiesel, é pequeno, mas cresce rapidamente. Entre 2000 e 2005, a produção mundial de etanol dobrou, e a de biodiesel quadruplicou, embora tenha iniciado de uma base menor.

Apesar disso, em 2005 o álcool foi usado em menos de 1 por cento das distâncias percorridas de carro no planeta.

Os biocombustíveis tendem a substituir o petróleo, porque este está cada vez mais escasso e difícil de produzir. O biocombustível pode representar 37 por cento do total usado nos EUA dentro de 25 anos, segundo o relatório Biocombustíveis para Transporte.

No mesmo período, na União Européia, o biocombustível pode ocupar de 20 a 30 por cento do espaço do petróleo, segundo o estudo divulgado pelo Worldwatch Institute, de Washington, e encomendado por uma agência agrícola alemã.

Os biocombustíveis podem eliminar parte dos riscos ambientais decorrentes da exploração e queima de petróleo, mas também podem ser uma ameaça se não forem bem gerenciados, de acordo com o relatório.

No Brasil e na Ásia, lavouras de soja e dendê, cujos óleos são fontes potencialmente importantes de biodiesel, estão invadindo florestas tropicais, importantes bolsões de biodiversidade, segundo o estudo.

"O risco mais problemático e sério (dos biocombustíveis) é sua expansão para áreas selvagens e seu impacto à biodiversidade", disse Christopher Flavin, presidente da Worldwatch, por telefone. "Isso vai exigir leis mais rígidas do que as atuais na maioria dos países", acrescentou.

Além disso, o biocombustível pode ocupar terras antes destinadas ao cultivo de alimentos, o que tenderia a aumentar o custo dos produtos agrícolas. Lavouras de biodiesel, como milho nos EUA e cana no Brasil, podem provocar erosão e esgotamento dos lençóis freáticos.

E, se o biodiesel é produzido a partir de plantas que exigem aditivos à base de combustíveis fósseis, como fertilizantes, o cultivo, a produção e a queima do biocombustível podem criar mais gases do efeito estufa do que o petróleo, disse o texto, que sugere leis fundiárias mais rígidas, especialmente em países com florestas tropicais.

Já cultivos mais "limpos" e os biocombustíveis mais avançados, como o etanol celulóide, podem reduzir as emissões de dióxido de carbono para aquém dos níveis dos combustíveis fósseis.

O etanol celulóide usa micróbios que quebram as partes lenhosas das plantas. Esse biocombustível pode ser produzido a partir de cultivos perenes e simples, como gramíneas que crescem em terrenos marginais.

Esse setor ainda é incipiente. Atualmente, existe apenas uma usina na América do Norte, de propriedade da canadense Iogen e com investimentos da Royal Dutch Shell e da Goldman Sachs.

Os biocombustíveis também são fontes de emprego. O etanol gera 200 mil empregos nos EUA e 500 mil no Brasil, cuja produção é ligeiramente superior à norte-americana, segundo o estudo.

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