UOL Carros

07/03/2006 - 09h45

Volkswagen alerta que corte de custo é essencial para futuro

Por Christiaan Hetzner

WOLFSBURG, Alemanha (Reuters) - O futuro da Volkswagen estará condenado a menos que trabalhadores sindicalizados de suas caras unidades industriais na Alemanha aceitem grandes cortes de custos e de empregos, alertaram executivos da maior montadora da Europa nesta terça-feira.

"Não há alternativa para nosso grupo", afirmou o presidente-executivo da companhia, Bernd Pischetsrieder, mantendo a linha dura apesar da diretoria da empresa ser dividida meio a meio entre acionistas e líderes trabalhistas.

"A não ser que as tradicionais plantas alemãs sejam reestruturadas, nenhum futuro de longo prazo é concebível para o Grupo Volkswagen, mesmo se todas as demais partes da companhia alcançarem suas metas de lucro", disse o vice-presidente de finanças, Hans Dieter Poetsch.

O impasse na diretoria da Volkswagen levantou questões sobre se Pischetsrieder conseguirá manter seu emprego depois do próximo mês, mas ele não mostrou sinais de desistir da reforma que tem atraído a atenção de investidores.

Pischetsrieder, afirmou que gostaria de liderar a companhia ao sucesso e acrescentou que está confiante de que a Volkswagen alcançará sua meta de lucro de 5,1 bilhões de euros (6,10 bilhões de dólares) em 2008.

A montadora reafirmou que até 20 mil empregos de sua marca VW estão em risco nos próximos três anos devido ao programa de reestruturação que tem por objetivo aumentar a produtividade da empresa, atingindo capacidade máxima e reorganizando as operações de auto-peças.

A Volkswagen anunciou também que considera o fechamento de, pelo menos, algumas operações de auto-peças, mas afirmou que três unidades do gênero na Alemanha estão a salvo.

A montadora registrou centenas de milhões de euros em perdas em suas fábricas no oeste da Alemanha, que possuem os maiores custos trabalhistas da indústria, e colapso do lucro em dois importantes mercados estrangeiros --Estados Unidos e China-- estão mantendo a Volkswagen em situação crítica.

A companhia reforçou que espera maior lucro operacional este ano, mas apenas antes dos itens extraordinários. A Volkswagen previu ainda melhora significativa em suas atividades na China em 2006, enquanto espera avanços na América do Norte, mas não lucro este ano.

Em 2005, a montadora registrou na América do Norte prejuízo de 834 milhões de euros, ante perdas de 902 milhões de euros no ano anterior. As joint-venture na China, porém, teve perda de 119 milhões de euros, contra lucro de 222 milhões de euros.

As vendas do grupo cresceram 15 por cento, para cerca de 790 mil veículos, nos primeiros dois meses de 2006, mas a companhia espera apenas uma pequena expansão em todo o ano.

O analista Arndt Ellinghorst, do Dresdner Kleinwort Wasserstein, disse que as notícias de que o grupo da marca Volkswagen teve o melhor lucro operacional para um quarto trimestre desde 2001 minaram os esforços da empresa em convencer os trabalhadores sobre a necessidade de cortes de custos. "Vai ser bem difícil convencer o mercado e especialmente os sindicatos de que a marca Volkswagen somente pode sobreviver com uma profunda reestruturação", disse o analista. "Particularmente depois que a Volkswagen elevou o dividendo de 2005", acrescentou.

(Reportagem adicional de Hakan Ersen e Michael Shields)

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