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07/03/2006 - 17h22

Veículos flexíveis usarão menos álcool em 2006

Por Inaê Riveras

SÃO PAULO (Reuters) - A perspectiva de que os preços do álcool neste ano fiquem, na média, acima dos verificados em 2005 deve desestimular o uso do combustível derivado de cana nos veículos flexíveis, apontou a consultoria Datagro nesta terça-feira.

O percentual da frota de veículos flexíveis usando álcool, que foi de 75 por cento no último ano-safra, deve recuar para 60 por cento na temporada 2006/07, que começa oficialmente em maio, segundo a consultoria.

"Como acreditamos que os preços do álcool não vão cair tanto quanto em 2005, a porcentagem dos veículos flexíveis que vão usar álcool não será tão grande", disse o presidente da Datagro, Plinio Nastari, após um seminário em São Paulo.

A frota de carros flexíveis, que podem ser abastecidos com álcool e/ou gasolina, vem crescendo de modo consistente. Em fevereiro, eles chegaram a responder por 76,6 por cento das vendas totais de veículos.

Na safra passada, o litro do álcool chegou a ser vendido na usina a 60 centavos. Para 2006/07, os preços não devem cair para menos de 90 centavos, prevê Nastari.

Os preços estão sustentados porque além do consumo interno em expansão, o álcool tem boa demanda no exterior. Também colabora para isso a elevação dos preços internacionais do açúcar, que recentemente atingiu a maior alta em 25 anos.

Segundo levantamento da Datagro, considerando a diferença de preços do produto com a gasolina, atualmente é vantajoso abastecer o veículo flexível com álcool apenas nos Estados de São Paulo, Goiás, Alagoas, Pernambuco e Tocantins.

EXPORTAÇÃO

Nastari afirmou que a redução na mistura de anidro na gasolina, de 25 para 20 por cento, que entrou em vigor em 1o. de março e deve perdurar por toda a próxima safra, permitirá um melhor "equacionamento entre oferta e demanda" em 2006/07.

Antes da redução, a consultoria previa um déficit de 1,4 bilhão de litros em 1o. de maio de 2007 (fim do ano-safra 2006/07), mas agora enxerga um estoque zerado. Assim como este ano, a safra deve começar antes de maio, o que evitaria problemas no abastecimento.

Com isso, Nastari afirmou que deve haver uma maior folga para um aumento nas exportações do combustível, que na safra 2005/06 somaram 2,6 bilhões de litros.

Atualmente, a exportação é mais remuneradora para o produtor do que a venda de álcool no mercado interno, apesar da recente alta dos preços locais.

Nastari disse que chegaram a ser fechados recentemente negócios para exportação a 600 dólares o metro cúbico (mil litros) FOB, um valor nunca registrado antes, segundo ele.

"Com o etanol acima de 3 dólares o galão nos EUA, fica viável a exportação direta do Brasil (mesmo com o imposto de importação de 54 centavos de dólar por galão)", disse o executivo, explicando que a alta é gerada por uma demanda superior à oferta.

Nastari também prevê embarques para os EUA via Caribe perto "do limite", ou seja, próximos a 1 bilhão de litros. Pelo programa CBI (Caribbean Basin Initiative), a região pode exportar 7 por cento da demanda total dos EUA por álcool com isenção da tarifa de importação.

A Datagro, que em fevereiro projetava a safra do centro-sul em 360 milhões de toneladas, fez um "ajuste" da previsão para 365 milhões de toneladas. Duas novas usinas foram acrescidas às 19 unidades esperadas para começar a produzir este ano.

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