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24/10/2005 - 20h20

Presidente da Volkswagen no Brasil revê previsões após greve

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente da Volkswagen do Brasil, Hans-Christian Maergner, disse nesta segunda-feira que a greve em unidades da montadora, encerrada nesta manhã, impedirá o cumprimento de metas previstas para este ano. Somente na matriz, em São Bernardo do Campo, interior paulista, 16 mil carros deixaram de ser produzidos, após 17 dias úteis parados.

"Em 2005 não seremos capazes de crescer o 'market share' em 0,5 ponto percentual, como planejávamos, mas tentaremos arduamente manter a fatia de mercado atual", disse Maergner durante apresentação em evento promovido pela editora Autodata.

De acordo com dados da Anfavea, associação que representa as montadoras instaladas no país, no acumulado de janeiro a setembro a Volks tem 23,8 por cento do mercado interno de veículos, atrás da líder Fiat.

Segundo Maergner, a greve levou a Volks a rever para 344 mil unidades a produção prevista para este ano, 6 mil a menos que o esperado.

O evento desta segunda-feira contou com a presença dos presidentes das quatro principais montadoras instaladas no país. Ainda demonstrando tensão após a negociação com os metalúrgicos, que se arrastou por todo o mês, Maergner foi o único que não concedeu entrevista à imprensa após sua apresentação.

Durante a palestra, o presidente da Volks falou em corte de postos de trabalho, devido à falta de competitividade provocada pelo câmbio.

"Foram 262 mil carros exportados em 2005. Isso é qualquer coisa, menos sucesso, porque as exportações não estão agregando valor... nossos custos para produzir carros no Brasil não são mais competitivos para exportar carros para a América Latina", disse o presidente da Volks.

"Este tipo de modelo de negócios não é sustentável. E como não há sinais de que (o real) vai cair, a Volks e as outras montadoras têm de rever estratégias, e então vai haver perda de empregos."

Ele negou rumores de que a matriz alemã esteja para tirar do Brasil a produção do Fox que é exportado para a Europa. Mas ressalvou que "uma organização como a Volks está permanentemente olhando para alternativas".

(Por Marcelo Mota)

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