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24/10/2005 - 21h08

Fiat crê que Uno tenha fôlego para sobreviver até 2014

Por Marcelo Mota

SÃO PAULO (Reuters) - O Fiat Uno, carro mais barato da montadora, pode sobreviver até 2014, previu nesta segunda-feira o diretor-superintendente da montadora, Cledorvino Belini.

"Em 1996, quando eu era diretor comercial e lançamos o Palio, veio a mesma pergunta e eu disse que o Uno tinha fôlego de gato. Continuo dizendo a mesma coisa", afirmou o principal executivo da Fiat no país, após participar de evento promovido pela editora Autodata.

Segundo Belini, a montadora, líder na venda de automóveis e veículos comerciais leves no país, não está planejando um investimento em um novo modelo popular para fazer frente ao novo carro anunciado no fim de semana pela Ford, com previsão para chegar ao mercado em 2008.

A Ford faz mistério sobre o novo modelo, que será fabricado em São Bernardo e deve ser o "carro de entrada" da montadora --aquele com o qual cada marca disputa por preço a camada popular. Segundo o seu recém-empossado presidente, Barry Engle, ele deve atender a demandas de outros mercados além do Brasil.

Também presente ao evento, Engle, que assumiu o cargo há dois meses, após a promoção de Antônio Maciel Neto a presidente da montadora na América do Sul, disse apenas que a Ford não tem em todo o mundo um modelo barato o bastante e com qualidade suficiente para brigar pelo segmento.

Ele sinalizou que o Ford Ka, um dos modelos que hoje desempenha esse papel no mercado brasileiro, não será necessariamente descartado devido ao lançamento de um novo modelo. Segundo Engle, o carro tem seu publico cativo.

A Ford também não tem pressa em fazer o seu modelo com motor de mil litros bicombustível. Para o presidente da montadora, ainda é necessário avaliar o impacto dessa tecnologia no crescimento das vendas.

"Quando saí (do Brasil), em junho de 2003, só existia um carro flex. Votei e o mercado está louco pelo flex", disse ele.

Para a General Motors do Brasil, não há dúvida que os bicombustíveis 1.0 estão por trás das vendas em 2005, que surpreenderam a Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no país, e a fizeram rever a previsão de crescimento no ano para 5 por cento, contra todos os desestímulos macroeconômicos.

"Sem o 1.0 flex não teria atingido esse crescimento", disse a jornalistas o presidende da GM do Brasil, Ray Young.

Segundo ele, o novo modelo da Ford não deve levar ao desenho de um novo carro. Para disputar o mercado de entrada, a GM estuda ao desenvolvimento de um derivado do Celta.

"O sucesso depende dos derivados dos carros (que já estão em produção). Precisamos reduzir o número de plataformas (de montagem de veículos)."

A Volks, segundo seu presidente, Hans-Christian Maergner, já abandonou a idéia de produzir um carro de baixíssimo custo, para chegar ao mercado europeu a 3 mil euros. O projeto era conhecido como 3K.

"O 3K não está mais em discussão", afirmou Maergner, respondendo a pergunta feita durante o evento.

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