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24/09/2005 - 13h29

Gil de Ferran vira 100% executivo e comanda a BAR "brasileira"

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - Gil de Ferran não quer saber de andar em um carro de corridas, nem por brincadeira. Assim como fazia quanto era piloto, passou a se dedicar à profissão de executivo na BAR e aposta que o grande trunfo da equipe, que será bem "brasileira" em 2006, é a experiência da Honda com motores.

"Virei totalmente executivo, 100 por cento. Assim como eu era 100 por cento piloto. Não sinto falta de correr de carro. Nada tira o meu foco dessa minha nova carreira que eu estou tentando desenvolver. Não quero voltar a pilotar... Eu nunca brinquei de carro de corrida, porque iria começar agora?", disse o diretor esportivo da BAR em entrevista à Reuters no Grande Prêmio do Brasil.

Bicampeão da Fórmula Mundial e campeão das 500 milhas de Indianápolis em 2003, ele admite que, com sua nova carreira na Fórmula 1, tem sobrado menos tempo durante os finais de semana de corrida para atender torcedores ou jornalistas do que quando era piloto.

"Isso tem menos a ver com a Fórmula 1 e mais com a diferença de função que estou exercendo agora. Quando você está trabalhando no final de semana, você está sempre enrolado, tem reunião com o pessoal dos pneus, do motor, não pára. De certa maneira (a F1) é um pouco mais complexa, porque o carro é mais complexo", completou ele, que nunca chegou a disputar a Fórmula 1 e iniciou sua carreira na BAR em 2005.

Gil de Ferran terá uma equipe bastante brasileira para comandar em 2006. Além de alguns engenheiros, a equipe terá no ano que vem Rubens Barrichello como piloto, Enrique Bernoldi como piloto de testes e Danilo Dirani no programa de desenvolvimento de jovens pilotos.

O ex-piloto, que nunca disputou a Fórmula 1, participou da contratação de Barrichello, que deixará a Ferrari ao final deste ano e fará parceria na BAR com o britânico Jenson Button. De Ferran participou da contratação do novo piloto e explicou que a intenção da equipe é aproveitar ao máximo a experiência de Barrichello, que disputa a F1 desde 1993.

"A nossa equipe ainda está em desenvolvimento, em crescimento. E o Rubens teve um período maravilhoso com a Ferrari, fazendo parte de uma equipe que ganhou cinco campeonatos de construtores," explicou ele.

"É uma pessoa muito inteligente e experiente, e ele vai trazer esse conhecimento e essa experiência para a nossa equipe. A gente contratou o Rubens tanto pela velocidade quanto pela habilidade de vencer corridas, e a gente acha que ele ainda tem mais para subir."

SITUAÇÃO ÚNICA

Depois de Barrichello passar seis anos como escudeiro de Michael Schumacher na Ferrari, ajudando-o a conquistar cinco títulos, uma das perguntas que Gil de Ferran mais tem ouvido é sobre as condições que o brasileiro terá ao lado de Button na BAR.

"O Button não é primeiro piloto da equipe (em relação a Takuma Sato neste ano). O equipamento, o suporte que os dois pilotos têm são exatamente iguais, da mesma qualidade. Não está escrito no contrato do Button que ele é o primeiro piloto," afirmou.

"Não teria o menor sentido a gente contratar o Rubens e não dar o máximo para ele. Porque eu iria contratar um piloto do nível do Rubens e não dar todo o suporte para ele mostrar o potencial que a gente sabe que ele tem? Você estaria diminuindo o seu próprio investimento."

Ele admite, entretanto, que isso pode mudar dependendo da situação, e cita o caso da McLaren neste final de temporada, em que Juan Pablo Montoya não tem mais chances de conquistar o título, mas Kimi Raikkonen sim.

"Cada situação é uma situação, e não há no momento uma estratégia nesse sentido. A única coisa que pode acontecer é uma situação como o Montoya e o Raikkonen, e aí vamos ter que sentar e conversar com a equipe."

MOTORES

Depois de terminar com o vice-campeonato entre os construtores no ano passado, a BAR sofreu uma queda nesta temporada e está em sexto lugar, com Button em nono entre os pilotos.

Segundo De Ferran, a equipe já está trabalhando para resolver os problemas aerodinâmicos. Ele aposta também no conhecimento de motores da Honda.

Em 2006, segundo novas regras da Fórmula 1, os carros deixarão de usar os motores V10 e terão que adotar os V8, equipamentos que a fabricante japonesa tem bastante experiência.

"A Honda é a maior fabricante de motores do mundo, faz motores de todo tipo. Tenho muita confiança não só no conhecimento dos motores V8, e hoje acho que a gente tem os melhores. É determinante ser Honda."

"O objetivo é vencer a primeira corrida do ano. Se vamos conseguir ou não, vamos ver."

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