UOL Carros

21/09/2005 - 16h21

São Paulo adere a Dia Sem Carro para tentar reduzir trânsito e poluição

Por Denis Eduardo Serio

SÃO PAULO (Reuters) - Trânsito e poluição são dois dos principais desafios da prefeitura de São Paulo há várias gestões. Para tentar convencer a população a deixar voluntariamente o carro na garagem e evitar engarrafamentos intermináveis e mais poluição, a cidade participa na quinta-feira do Dia Mundial Sem Carro.

O governo municipal considera que, por comodidade, muitas pessoas acabam optando pelo carro em vez de usar transporte público e outros meios de locomoção.

"São Paulo está virando uma impossibilidade de cidade. Só se pensa em como alargar ruas, fazer viadutos e vias. Esse é o caminho do desastre", afirmou à Reuters o secretário do Verde do Meio Ambiente, Eduardo Jorge.

A idéia do dia sem carro surgiu em 1998, na França, e esta será a primeira vez que a capital paulista participa oficialmente da data, implementada no Brasil pela ONG Ruaviva. No ano passado, mais de 1.500 cidades, de 40 países, aderiram ao movimento.

"O que estamos pedindo é que os 30 por cento que têm carro primeiro vejam como que o restante da população vive e, a partir dessa visão, principalmente as autoridades, pensem como reorganizar a vida da cidade na questão de transporte coletivo e do uso da bicicleta", disse Jorge.

No Brasil, houve uma primeira versão do evento em 2001 com poucas cidades, mas, neste ano, muitas participarão, entre elas Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Recife, Fortaleza.

O prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), prometeu apoiar o movimento e utilizar ônibus nesse dia.

Apesar disso, a prefeitura não preparou um esquema especial de transportes nesse dia para as pessoas deixarem os automóveis em casa.

Na capital existem aproximadamente 3,5 milhões de carros em circulação, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Em 2005, o recorde de congestionamento foi registrado na noite do dia 2 de setembro, com 203 quilômetros.

Para conter o trânsito na capital, São Paulo conta desde 1997 com o rodízio de veículos, que impede a circulação de carros, dependendo de sua placa, nas áreas mais movimentadas da cidade em horários de pico.

ALTERNATIVAS

Diversas entidades estão engajadas no evento e buscam ajudar as autoridades no convencimento das pessoas de que os automóveis podem ser supérfluos.

"É um dia simbólico, porque muitas pessoas que acham que não conseguem viver sem o carro verão o contrário se fizerem um pouco de esforço", afirmou Eduardo José Daros, presidente da Abraspe (Associação Brasileira de Pedestres).

Apesar de uma parcela mínima da população paulistana usar bicicletas rotineiramente e da pouca infra-estrutura presente para os ciclistas na cidade, um dos objetivos do movimento em São Paulo é aumentar o número de usuários -- que atualmente não ultrapassa 1 por cento da população.

A meta pode parecer inviável dado o tamanho da cidade, por isso a Secretária do Meio Ambiente gostaria de incentivar que as pessoas usassem bicicleta para chegar até estações de metrô e pontos de ônibus, onde haveria um lugar seguro para guardá-las.

"Mais imediato que a construção de ciclovias seria ter bicicletários seguros espalhados pela cidade. É barato e viável", completou Eduardo Jorge.

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