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04/08/2005 - 16h41

Vendas de bicombustíveis até julho já superam total de 2004

Por Marcelo Mota e Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Os veículos bicombustíveis, movidos a álcool e/ou gasolina, ampliaram sua participação nas vendas de carros novos em julho e o total de unidades comercializadas nos sete primeiros meses do ano já ultrapassa o número registrado em todo o ano passado.

As vendas de veículos com motores flexíveis atingiram 78,2 mil unidades em julho, 154 por cento acima do registrado em julho do ano passado e 9 por cento acima do volume de junho, informou nesta quinta-feira a Anfavea, entidade que reúne os fabricantes.

Com isso, a participação dos bicombustíveis nas vendas totais de veículos leves subiu de 52,2 por cento em junho para 58,9 por cento em julho.

No sentido inverso, a participação dos carros movidos somente a gasolina nas vendas caiu de 41,4 por cento em junho para 35,6 por cento em julho, com mais consumidores preferindo a alternativa de utilizar o álcool, vendido nos postos por aproximadamente metade do valor da gasolina.

No acumulado de janeiro a julho, as vendas de bicombustíveis somaram 381,1 mil unidades, já ultrapassando o volume de vendas em todo o ano passado, de 328,3 mil unidades.

Ao final de 2004, os carros movidos somente a gasolina detinham uma participação de 70,8 por cento no mercado, enquanto os carros flexíveis representavam apenas 21,6 por cento do volume comercializado.

PREVISÃO DE MAIS CRESCIMENTO

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou que a frota de veículos flexíveis do Brasil, atualmente em cerca de 750 mil carros, deve expandir-se bastante nos próximos anos, se o panorama atual for mantido.

"Em 2013, teremos 8 milhões de carros flex fuel, o que acarretará em uma demanda adicional de 11 bilhões de litros de álcool", afirmou nesta quinta-feira, em palestra no CEO Fórum 2005, promovido pela Câmara Americana de Comércio em São Paulo.

Segundo o ministro, considerando a tendência de crescimento da frota de veículos flexíveis no país, o Brasil precisará produzir 25 bilhões de litros de álcool em 2013.

Atualmente produz cerca de 16 bilhões de litros e consume aproximadamente 14 bilhões.

"Só para atender a demanda interna de álcool haveria uma necessidade de ampliar a área de cana em 1,8 milhão de hectares", acrescentou o ministro.

Ele também afirmou que o açúcar demandaria uma área adicional, no período, de mais 1,3 milhão de hectares, considerando as expectativas de crescimento das exportações de açúcar, principalmente com uma provável maior demanda da China.

"Somando o açúcar com o álcool, teríamos de plantar 3,1 milhões de hectares de cana a mais", disse ele, lembrando que o custo envolvido no processo seria de 3 bilhões de dólares em um período de oito anos.

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