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28/05/2009 - 21h04

Volkswagen avalia que IPI sobre carros voltará a ser cobrado

CLAUDIO DE SOUZA
Enviado especial ao Guarujá (SP)*
A Volkswagen do Brasil avalia que a redução do IPI dos carros vai mesmo terminar no final de junho. O benefício, que zerou o imposto dos carros com motor 1.0 e reduziu em 50% o daqueles com capacidade até 2.0, foi prorrogado desde 31 de março, data inicialmente marcada pelo governo federal para acabar. De acordo com o presidente da Volks, Thomas Schmall, a prudência manda trabalhar com um cenário em que o incentivo não será renovado uma segunda vez.

"O corte do IPI ajudou a compensar a redução do crédito ao consumidor, que ainda está muito longe do que foi em 2008", afirmou o presidente da Volks nesta quinta-feira (28), no Guarujá (SP), após a apresentação da linha 2010 da marca alemã. "Agora trabalhamos com o pior cenário, ou seja, o fim do benefício".

Além dos preços mais em conta, a expectativa de que o IPI voltaria já em abril levou as vendas de carros a registrar o melhor março da história. Schmall não acredita na repetição desse efeito ao longo de junho. Segundo ele, as vendas de veículos devem subir, mas não de forma tão notável.

A Volks beneficia-se amplamente da redução do IPI porque toda sua linha de modelos nacionais tem motores até 2 litros. Carros bons de venda, como Gol e Fox, têm propulsores 1.0, e o segundo motor mais importante da marca é de 1,6 litro. O novo Gol básico com motor mil, por exemplo, lançado com o preço de R$ 28.890, teve seu valor reduzido a R$ 27.590. O Voyage 1.0, versão sedã do hatch, teve o preço derrubado dos iniciais R$ 30.990 para R$ 29.290. Já o do Fox 1.0 caiu de R$ 30.150 para R$ 29.075. E os preços finais podem ser ainda menores nas lojas.

Schmall acredita que o momento segue interessante para quem deseja comprar um carro e possui condições de fazê-lo. "Não é verdade que as concessionárias pararam de oferecer promoções e apostaram apenas no IPI reduzido", disse. Em outras palavras, a ordem é negociar o preço final.

CRISE E VENDAS
Sobre os efeitos na crise financeira global na indústria automotiva, Schmall disse que "o número de 'players' [participantes] vai diminuir, com certeza". Um dos efeitos disso pode ser a formação de grupos reunindo várias empresas -- no entanto, Schmall diminuiu a importância do complicado jogo de forças que ocorre entre a Volkswagen e a Porsche, que têm feito movimentos que sugerem uma espécie de fusão. Também declinou de fazer comentários sobre a situação da General Motors, cuja concordata deve ser anunciada na próxima semana.

Durante a apresentação dos modelos 2010, a Volks anunciou um crescimento de 6,2% em suas vendas no Brasil no período entre janeiro e abril, na comparação com os mesmo quatro meses de 2008. Foram 241.691 veículos. Numa medida da importância do efeito que teve o medo do corte do IPI ao longo de março, somente naquele mês foram mais de 60 mil unidades da marca emplacadas no Brasil.

*O jornalista viaja a convite da Volkswagen do Brasil

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