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26/05/2009 - 13h10

Alemanha cobra e negociação em torno da Opel se intensifica

Da redação, com agências internacionais
Um dia após o governo da Alemanha ter anunciado que definirá até a quarta-feira qual dos três grupos investidores assumirá a Opel e sua irmã britânica Vauxhall, as negociações em torno do controle das unidades europeias da GM se intensificaram. De um lado, os alemães pressionam e dizem que os interessados -- a italiana Fiat, a austro-canadense Magna e a belga RHJ -- devem melhorar suas propostas, assumir mais riscos e garantir a manutenção de fábricas e dos 25 mil empregos. Já os compradores buscam alianças e fazem contrapropostas.

A chanceler alemã Angela Merkel deve se encontrar ainda nesta terça-feira com Sergio Marchionne, presidente-executivo do grupo Fiat, para discutir novos termos da oferta italiana. De acordo com a agência "Automotive News Europe", Marchionne deve insistir em um acordo "sem pagamento e sem dívida".

O PLANO FIAT
Pela proposta, o grupo Fiat (que inclui as marcas Fiat, Ferrari, Maserati, Alfa Romeo, Abarth e Lancia) agregaria também Opel e Vauxhall, sem qualquer repasse de custo para as partes, dando origem a uma nova força europeia, com todos os ganhos financeiros decorrentes. Segundo Marchionne, o ganho bruto do setor automotivo em 2008 (não descontados impostos, juros, despesas trabalhistas e outros custos), da ordem de 2,5 bilhões de euros, poderia ser implementado em até 1,5 bilhão com a união.

De toda forma, a Fiat prepara uma espécie de 'plano B', envolvendo uma oferta financeira real. A confirmação veio do Intesa SanPaolo, gigante financeiro italiano que faz parte do grupo Goldman Sachs, que se mostrou "pronto a dar apoio financeiro ao projeto de controle da Opel e da americana Chrysler", como afirmou a jornais locais seu presidente, Corrado Passera.

DINHEIRO RUSSO
O principal adversário da Fiat é o grupo de autopeças Magna, que tem uma proposta real de aporte financeiro para obter o controle da Opel. O total poderia chegar aos 700 milhões de euros, soma que viria em parte de investidores russos do grupo Sberbank. Ainda pela proposta, os empregados da montadora receberiam até 10% de participação na nova empresa.

O senão da proposta está na série de contrapartidas, que incluem o pedido para que o governo alemão assuma parte da atual dívida trabalhista da Opel -- na casa dos 3 bilhões de euros -- e garanta empréstimos de até 4,5 bilhões de euros para a nova empresa.

A proposta da belga RHJ Internacional é a menos detalhada até o momento, mas incluiria também um percentual de participação para os empregados na empresa resultante.

CONTRA O RELÓGIO
De toda forma, qualquer decisão sobre o futuro da Opel e da Vauxhall deve sair, obrigatoriamente, até o fim do mês, uma vez que após 1º de junho as duas empresas poderão estar atreladas ao futuro incerto da matriz americana. Esta é a data limite imposta pelo governo dos Estados Unidos para que a GM acerte sua situação econômica ou entre em concordata.

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