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16/05/2009 - 13h00

Série Extreme quer apimentar vendas da perua Mégane Grand Tour

  • Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Como imagem de esportividade e juventude não tem contra-indicação mercadológica, a Renault decidiu recorrer a um visual mais agressivo, quase "bad-boy", para tentar reacender sua linha Mégane. A montadora criou a série limitada Extreme para, em cinco meses, emplacar mil unidades do sedã e 500 unidades da station Grand Tour. Desde a década de 1990, na verdade, as montadoras costumam extrapolar as funções puramente familiares das station-wagons com doses de esportividade em busca de ampliar o espectro de público. Explica-se: peruas são pensadas para serem práticas e entenderem bem as mulheres -- com espaço para compras e filhos. Mas, quando agregam visual e itens esportivos, passam a atrair também os homens, que geralmente têm visão mais romantizada dos automóveis.

INJEÇÃO ESTÉTICA
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias
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A versão Extreme é disponível apenas na cor preta e traz de série aerofólio e saias laterais, rodas de liga leve de 16 polegadas pintadas na cor grafite e calçadas por pneus 205/55 e adesivos nas laterais. O que mais chama a atenção, porém, é o para-choques com uma enorme tomada de ar que se estende de ponta a ponta, com faróis de neblina nas extremidades. No interior, o destaque é o console central coberto por uma placa de alumínio cujo grafismo imita fibra de carbono. Outra novidade é o revestimento dos bancos em tecido escuro com costura vermelha pespontada. Há ainda detalhes em metal acetinado e couro no volante e na alavanca do câmbio.

FICHA TÉCNICA

Renault Mégane Grand Tour Extreme 2.0 16V Automática
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.998 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio automático de quatro velocidades à frente e uma a ré com opção de mudanças sequenciais. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.
Potência: 138 cv a 5.500 rpm.
Torque: 19,2 kgfm a 3.750 rpm.
Diâmetro e curso: 82,7 mm x 93,0 mm.
Taxa de compressão: 9,8:1.
Suspensão: Dianteira independente pseudo-McPherson, com braço inferior retangular e barra estabilizadora. Traseira por eixo flexível, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Não oferece controle de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a discos sólidos. ABS e EBD de série na versão.
Carroceria: Station wagon média em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Medidas: 4,50 metros de comprimento, 1,77 m de largura, 1,50 m de altura e 2,68 m de distância entre-eixos. Airbag duplo frontal de série na versão. Não oferece airbag lateral e de cabeça.
Peso: 1.370 kg com 425 kg de carga útil.
Porta-malas: 520 litros/1.600 litros rebatido.
Tanque: 60 litros.

Apesar dos apelos estéticos, a Extreme traz sob o capô os já conhecidos motores 1.6 16V flex e 2.0 16V a gasolina. O propulsor menor vem acoplado a um câmbio manual de cinco marchas e produz 110/115 cv de potência com gasolina/álcool a 5.750 rpm e torque máximo de 15,2/16,0 kgfm despejados aos 3.750 giros, na mesma ordem. Já a unidade de força 2.0 a gasolina gera 138 cv aos 5.500 rpm e um torque de 19,2 kgfm aos 3.750 giros. Este propulsor pode ser gerenciado por um câmbio automático sequencial de quatro ou manual de seis velocidades.

A Extreme tem a seu favor uma boa relação custo/benefício. Parte de R$ 62.850 com o motor 1.6 flex, sobe para R$ 65.610 com o propulsor 2.0 e chega a R$ 69.410 com o câmbio automático sequencial. Por esse valor, é mais em conta que as rivais diretas. A Volkswagen Jetta Variant tem níveis de equipamentos e motorização superiores, mas começa em R$ 91.900. Já com a Peugeot 307 SW, a briga é mais parelha: ela deixou de ser produzida na França, onde já existe a 308 SW, mas por aqui ainda existem modelos 2008 -- a R$ 67.490 a básica Allure 2.0 e R$ 72.220 a 2.0 Automática.

A edição não tem opcionais, mas traz de série equipamentos interessantes: ar automático, direção elétrica, trio, rádio/CD com MP3 e comandos do som na coluna de direção, computador de bordo, alarme, airbags frontais e freios com ABS e EBD. Nas vendas, a Mégane GT segue líder há mais de um ano em um segmento muito letárgico. A perua da Renault emplacou 746 unidades nos primeiros quatro meses de 2009, uma média mensal de 186 unidades. Se as previsões da Renault estiverem corretas, a Extreme responderá, então, por mais de 50% das vendas da station.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
A série limitada Extreme tem como único objetivo emprestar alguma jovialidade à linha Mégane. E a proposta funcionou muito bem na versão Grand Tour. Por fora, o novo para-choques dianteiro com uma tomada de ar enorme passa a impressão de esportividade, enquanto na traseira há um aerofólio marcante e, no interior, destacam-se o tecido preto dos bancos com costura vermelha pespontada e o acabamento do console central, com uma moldura de alumínio com grafismos que lembram fibra de carbono.

Dinamicamente, porém, a Mégane GT Extreme em nada difere das versões convencionais. O motor 2.0 16V a gasolina é conceitualmente antigo, mas funciona bem, com respostas rápidas ao acelerador e uma subida de giros linear. O zero a 100 km/h ocorre em longos 11,8 segundos e a máxima é de apenas 190 km/h. Números fracos para um carro que ostenta visual esportivo. E o rendimento ainda é prejudicado pelo câmbio automático sequencial de quatro marchas, que realiza as trocas de forma lenta e estica demais as marchas. Já nas curvas, retas e frenagens, a perua média mantém bom equilíbrio, com pouca torção da carroceria. E a versão Extreme ainda oferece bom pacote de equipamentos série por um valor razoavelmente competitivo, de R$ 69.410. (por Diogo de Oliveira)
 

DE ZERO A 100 PONTOS, O RENAULT MÉGANE GRAND TOUR EXTREME 2.0 16V AT

Desempenho - O motor 2.0 16V a gasolina responde bem às investidas no acelerador da Mégane GT. Seus 138 cv aos 5.500 giros e o bom torque de 19,2 kgfm, soltos aos 3.750 rpm, são capazes de produzir arrancadas interessantes até os 60 km/h. Depois, perde o fôlego. O zero a 100 km/h foi feito em sofríveis 11,8 segundos. O rendimento fica comprometido pelo câmbio automático sequencial de quatro marchas, que tem escalonamento muito aberto e alonga demais as marchas. A imagem de esportividade promete muito mais que a GT apresenta. Nota 6
Estabilidade - É um dos principais atributos da Mégane GT. A perua torce pouco a carroceria e não joga a traseira. Nas retas, mostrou grande equilíbrio, mesmo próximo da máxima de 190 km/h. De negativo, a direção elétrica fica excessivamente leve e pouco comunicativa em alta velocidade. Nota 7
Interatividade - A Mégane GT é agradável. Traz a grande maioria dos comandos bem posicionada, com destaques para a alavanca do freio de estacionamento, do tipo manche, e a chave-cartão, com o acionamento do motor no botão start/stop na parte inferior do console. A alavanca elevada do câmbio também agrada com engates suaves e precisos. Nota 8
Consumo - Movida a gasolina e com desempenho apenas comportado, a Mégane GT 2.0 16V automática mostrou-se eficiente. Marcou média de 10,2 km/l num percurso com 1/3 de estrada e 2/3 de cidade. Nota 7
Conforto - O conjunto de suspensão da Mégane GT tem um acerto eficiente, com ótima absorção de buracos. Por dentro, há ótimo espaço para pernas e cabeças. O isolamento acústico cumpre bem seu papel, mas é prejudicado pelo câmbio automático, que estica demais as marchas. Nota 8
Tecnologia - A linha Mégane é razoavelmente moderna, com estrutura projetada em 2002, com deformação programada e alto índice de rigidez torcional. Já o câmbio automático sequencial de quatro marchas é apenas razoável, o motor também é conceitualmente antigo e a lista de série não impressiona. Há apenas equipamentos básicos de segurança: airbags duplos e freios com ABS. Nota 7
Habitabilidade - É o ponto alto da perua. Seu porta-malas comporta excelentes 520 litros de bagagens e chega a 1.600 litros, com o banco traseiro rebatido. Há ainda bons acessos e regulagens. Nota 9
Acabamento - Não há grande requinte a bordo da Mégane GT. Na série limitada Extreme, o apelo visual à esportividade cai bem. As peças plásticas têm texturas agradáveis e encaixes precisos. Não há rebarbas. Nota 8
Design - A Mégane GT é bem atraente, com linhas harmônicas e uma solução interessante na traseira, com lanternas verticais em forma triangular. As linhas já não estão mais atualizadas com as do modelo europeu, mas ainda são modernas. Nota 7
Custo/benefício - Na versão "top" da série limitada Extreme, a Mégane GT vem equipada com o motor 2.0 acoplado ao câmbio automático e parte de R$ 69.410. E o modelo ainda conta com um bom pacote de série. Nota 8
Total - O Mégane GT Extreme somou 75 pontos em 100 possíveis. NOTA FINAL: 7,5

 

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