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15/05/2009 - 14h59

GM decide fechar pelo menos 1.124 concessionárias nos EUA

Da Redação
A GM anunciou nesta sexta-feira (15) que não irá renovar a franquia de 1.124 concessionárias nos Estados Unidos após outubro de 2010. A maioria das lojas atingidas pelo corte da gigante norte-americana é considerada de pequeno e médio porte e todas devem receber a partir de hoje a notificação oficial da montadora, que ainda pode ser revista, informou a agência "Automotive News".

O vice-presidente de vendas da GM para a América do Norte, Mark LaNeve, afirmou em coletiva que as concessionárias que receberão as notificações de encerramento da franquia foram responsáveis por 7% das vendas da montadora em 2008 e, atualmente, têm em seus pátios cerca de 8% da frota de veículos não vendidos das marcas ligadas ao grupo. LaNeve disse ainda que a GM não deve revelar publicamente o nome das revendas afetadas, uma vez que "a decisão ainda pode ser revertida, se (as concessionárias) tiverem evidências para tanto". Um site foi criado pela GM para que as revendas atingidas entrem em contato e enviem documentos que comprovem que a franquia deve ser mantida.

"Até 90% destas (concessionárias) terão a chance de continuar com a GM, mas iremos comunicá-las sobre a necessidade de uma reorganização", afirmou LaNeve, que disse que apenas as lojas sintonizadas com a atual conjuntura, com funcionários bem treinados e capitalizadas deverão ter chance.

Além do corte de 1.124 lojas, é certo que 35 pontos exclusivos da marca Pontiac, fechada pela GM, também devem desaparecer até o final de 2010. E outras 470 revendas mantidas pela fabricante para venda de modelos das marcas Hummer, Saab e Saturn devem ter o mesmo destino.

Com o anúncio, a GM segue estratégia similar à adotada por outra grande montadora do país em apuros financeiros, a Chrysler, que na última quinta-feira (14) anunciou através de memorandos e em comunicação ao Tribunal de Falência, que analisa seu pedido de concordata, que não renovará o contrato de quase 800 concessionárias (25% de sua rede), atingindo quase 4 milhões de consumidores e tirando o emprego de cerca de 37 mil trabalhadores (leia mais aqu).

A ação da GM faz parte do plano de re-estruturação da empresa, que envolve a redução de sua rede de revendas dos atuais 5.969 pontos para cerca de 3.600 e a renegociação de direitos trabalhistas com os principais sindicatos do país. O objetivo é evitar a concordata, que ainda não está descartada e pode chegar até 1º de junho (saiba mais aqui), e garantir o recebimento de um pacote de ajuda extra do governo dos Estados Unidos no valor de US$ 11,6 bilhões. Até o momento, o governo de Barack Obama já cedeu pouco mais de US$ 15 bilhões em ajuda à montadora.

AUXÍLIO
Segundo informações da "Automotive News", a GM ainda não definiu de que forma auxiliará as concessionárias atingidas pelo corte e os consumidores destas lojas. O vice-presidente de vendas da montadora afirmou, no entanto, que medidas como recompra de parte dos carros e suporte para migração dos consumidores para outras lojas serão estudadas.

"Todos ganham com este tipo de medida, pois as revendas têm uma encerramento organizado e a medida nos dá tempo para migrar nossos consumidores para outras concessionárias", afirmou LaNeve.

CUSTOS TRABALHISTAS
Outra frente do plano de re-estruturação da GM envolve um acordo para reduzir os custos trabalhistas com empregados sindicalizados. De acordo com o jornal "Wall Street Journal", a montadora está perto de conseguir a redução de até US$ 1 bilhão anuais e de ver desaparecer parte de sua obrigação com o UAW, principal sindicato do setor, passando assim a ter de arcar com apenas US$ 10 bilhões dos US$ 20 bilhões devidos em seguro-saúde.

O acordo ainda está sendo estudado por membros do UAW e envolve ainda a obrigação da GM de garantir participação da entidade em 39% do grupo que deve emergir após a re-estruturação.

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