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02/05/2009 - 09h33

Oferecer motor flex virou obrigação para vender bem no Brasil

Da Auto Press
Ilustração: Afonso Carlos/Carta Z Notícias


No Brasil, um carro zero-quilômetro poder ser movido tanto a álcool quanto a gasolina, ou ambos misturados, deixou de ser vantagem e virou obrigação. Ou seja: não dispor de motorização flex pode ser uma ameaça à sobrevivência de um modelo. Em 2004, menos de 40% dos carros vendidos no país eram flex fuel. Hoje, esse índice é de 87,6%. E a tecnologia, que começou no segmento dos chamados populares e de compactos, se estende a nichos superiores.

Os motores flexíveis mostram alinhamento com a mais moderna tecnologia disponível no mercado

Alberto Pescumo, gerente da Honda
A participação de automóveis com propulsores flex no mercado de médios já beira 80%, percentual reforçado com a adesão de modelos como as linhas Peugeot 307 e Citroën C4, importadas da Argentina, e até mesmo pelos mexicanos Volkswagen Bora e Nissan Tiida. "Antigamente, motorização flex era diferencial. Hoje é mandatória", afirma o consultor Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive.

As motivações também evoluíram. Nos segmentos de entrada, onde a relação custo/benefício é primordial, o flex é para o consumidor uma opção para gastar menos com combustível. "Além da questão de aceitação de mercado, há a economia de combustível", diz Mário Furtado, gerente de marketing de produto da Nissan. Para o segmento dos médios, porém, as infindáveis pesquisas de mercado mostram que a tal flexibilidade é mais importante.

ELES COMEÇARAM A BEBER

  • O Ford Ka, lançado em 1997, só ganhou motor flex no modelo 2008 -- e viu suas vendas crescerem

  • O sedã Volkswagen Bora é feito no México, mas desde fevereiro tem opção de motor flex

  • A minivan Livina é o primeiro carro flex da Nissan no Brasil; logo depois o Tiida virou bicombustível

Ou seja, o proprietário de um flex fica menos vulnerável a oscilações de preços ou de abastecimento -- sem o risco de perder dinheiro com um carro a álcool se os usineiros resolverem abandonar o barco, como fizeram no passado. Mas, além disso, há um ganho de imagem de tecnologia para a montadora. "Os motores flexíveis mostram alinhamento com a mais moderna tecnologia disponível para o mercado local", acredita Alberto Pescumo, gerente geral comercial da Honda.

LIQUIDEZ DO ÁLCOOL
Essa percepção também é importante para o mercado. O carro que aceita álcool e gasolina é visto como tecnologicamente mais evoluído. "Para o cliente, um carro flex é mais moderno que o concorrente que não é", ressalta Juliano Machado, gerente de produto da Peugeot. Outros fatores também são importantes para os consumidores, dizem as marcas. A questão da liquidez, por exemplo, também força as montadoras a expandirem suas linhas flex.

No raciocínio peculiar do mercado brasileiro, um flex usado será sempre mais valorizado e fácil de vender do que um modelo que rode apenas com gasolina. "A valorização do carro no futuro já virou um dos itens considerados na compra do flex", pondera Carlos Henrique Ferreira, consultor técnico da Fiat.

Tecnologia, aliás, que transformou o Brasil em especialista e uma espécie de matriz de motores flex. A PSA Peugeot Citroën do Brasil, por exemplo, exporta propulsores que aceitam etanol para o mercado europeu: o 1.6 16V que equipa versões de modelos como os médios C4 e 308 por lá. Ao mesmo tempo, engenheiros da filial brasileira da General Motors trabalham em conjunto com a matriz da montadora norte-americana para desenvolver motores a álcool.

A nossa engenharia mostra que motores flex podem ser usados em carros maiores e mais caros

Gustavo Colossi, diretor da Chevrolet
O que pode sinalizar, a médio ou longo prazos, veículos maiores, como médio-grandes, utilitários esportivos e picapess importados dotados de tecnologia flex. "A nossa engenharia vem mostrando que motores flex podem ser incorporados em carros maiores e mais caros", garante Gustavo Colossi, diretor de marketing da Chevrolet.

MENOS POLUIÇÃO
Ao mesmo tempo, a evolução da própria tecnologia flex promete motores cada vez mais eficientes na corrida incessante por alternativas menos poluentes. E, nesse caso, o álcool combustível surge como a opção mais palpável e menos nociva atualmente no mercado. Contudo, sua aplicação em larga escala se restringe ao Brasil. Nos Estados Unidos as vendas são tímidas, e na Suécia há um plano de incentivo do governo para quem compra modelos flex. Na Europa, o mercado flex ainda engatinha, e na América Latina é praticamente nulo.

"É a tecnologia mais ecologicamente correta, já que a própria biomassa usada no processo de fabricação do álcool absorve uma grande quantidade de CO2. Há outras tecnologias limpas, mas todas distantes da realidade", acredita Klauss Mell, gerente de engenharia de produto da Ford. (por Fernando Miragaya)

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