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01/05/2009 - 14h03

A história da Pontiac, ícone dos muscle cars sacrificado pela crise

Da Auto Press
Até bem pouco tempo atrás, a Pontiac alardeava estar direcionada para os próximos 75 anos. Tratava-se de um marketing em cima dos 3/4 de século que o fabricante norte-americano completava em 2001. Mas naquela época nem o mais pessimista imaginaria que a marca não chegaria a completar sequer 85 aniversários. A longevidade da Pontiac sucumbiu à crise financeira global.

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    O Pontiac GTO de 1964, pioneiro dos muscle cars: cara de mau e motor V8

Forçada a cortar na própria carne, a General Motors montou um plano de reestruturação que prevê, além de mais de 8.000 demissões e fechamento de metade de suas concessionárias nos Estados Unidos, a extinção, até o ano que vem, da marca que é considerada a criadora dos "muscle cars" (cujos ícones são o Ford Mustang e o Chevrolet Camaro).

O modelo que marca este pioneirismo é o GTO. Aparência robusta e motor V8 de 325 cavalos conferiram ao carro o título de primeiro muscle car, em 1964. Mas antes mesmo de ditar moda, a Pontiac surgiu em 1893 como uma fabricante de carruagens. Só em 1926, já sob a batuta da GM, a marca passou a ter outro propósito: oferecer carros com motores mais potentes -- em geral, seis cilindros -- pelo preço de versões quatro cilindros. Desta forma, surgiu o 6-27 Series no Salão de Nova York de 1926.

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    Pontiac G3, o 'carro urbano' da Pontiac

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    O Firebird de 1976, estrela da televisão

Ao preço de US$ 825, o modelo vendeu 76.742 unidades em seu primeiro ano. Mesmo naquela época, porém, os problemas econômicos já tiravam a potência do carrão. Com o "crack" da Bolsa de NY, em 1929, a Pontiac sofreu o primeiro golpe. Nada que se compare à crise atual, mas a marca perdia US$ 125 por carro e vendia menos de 48 mil unidades/ano. A fabricante, então, passou pelo seu primeiro plano de reestruturação -- e sobreviveu. Uma nova diretriz de design foi implantada e uma linha de modelos oito cilindros a baixo preço começou a ser planejada.

Uma nova fábrica para os chamados "rabos-de-peixe" foi construída e a ideia de compartilhamento de plataformas ganhou vida na década de 40. A Segunda Guerra Mundial, todavia, trouxe uma nova linha de montagem: canhões antiaéreos, tanques e outros veículos bélicos. Passado o conflito, surgiu o modelo mais luxuoso da marca, o Catalina, em 1950. Mas foi a partir da segunda metade daquela década que a montadora passou a enveredar por um caminho mais esportivo no design e com motores V8 no lugar dos oito cilindros em linha.

BARCA
A partir do chassi da linha Catalina, o Bonneville de 1959 ainda preservava o rabo-de-peixe e as dimensões "transatlânticas", mas já exibia no design muitos vincos e saliências. O ano que serve como marco para a Pontiac, contudo, é mesmo 1964, quando o GTO inaugura a era dos muscle cars. Idealizado pelo engenheiro John DeLorean, o modelo vende 31 mil unidades no primeiro ano, número que supera as 96 mil unidades dois anos depois.

Em 1968, adota um estilo mais arrojado, com caimento acentuado da traseira e capô comprido e proeminente. Antes disso, porém, em 1967, a montadora aposta em outro esportivo que também se torna um sucesso: o Firebird, baseado sobre o Camaro.

A segunda geração do Firebird apareceu em 1970. Depois ganhou o famoso pássaro de fogo sobre o capô e alcançou o estrelato no seriado "Super Máquina", na década de 1980. Mas outra crise tirou o gás da Pontiac, desta vez a do petróleo, em 1973, o que freou as vendas do modelo "beberrão". A partir daí o Firebird começou a perder espaço e deixou de ser produzido em 2002.

Nos anos 80, ainda sob o efeito do alto custo do combustível, houve uma tentativa de aliar esportividade com modelos menores e mais eficientes. Foi quando lançaram o cupê compacto Fiero, com motor central-traseiro de quatro cilindros -- depois surgiu um V6 de 140 cv. Mas teve vida curta: de 1984 a 1989.

PERDA DE IDENTIDADE
O conceito de esportivo compacto foi resgatado em 2005 com o simpático roadster Solstice, que fez sucesso e teve filas de espera. No entanto, a Pontiac começou a perder sua identidade ao longo dos anos 1990 justamente por conta da sinergia da GM. Ou seja, os modelos da marca passaram a ter aproveitamento de outras plataformas do grupo. O próprio Solstice usa a mesma plataforma do Saturn Sky (EUA) e do Opel Speedster (Europa).

Ao mesmo tempo, começaram a surgir modelos controversos, como a nova geração do Grand Prix com motor com compressor mecânico de 240 cv, em 1997, e o esquisito crossover Aztek, de 2001. A Pontiac já não era a mesma. Nem mesmo o icônico GTO escapou dessa sina, e voltou em 2004 como uma simples adaptação do Monaro, modelo produzido pela Holden, braço australiano do grupo GM. Talvez fosse um presságio do fim da Pontiac e de seus esportivos acessíveis. (por Fernando Miragaya)

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