UOL Carros
 
18/04/2009 - 08h25

Automec, maior feira de autopeças, lamenta queda dos negócios

Da Auto Press
Era para ser uma grande festa do setor brasileiro de autopeças, afinal, a Automec (Feira Internacional de Autopeças, Acessórios e Serviços), realizada entre o dia 14 e este sábado (18) no Centro de Exposições do Anhembi, em São Paulo, é a maior do gênero na América Latina. Só que a maré anda turbulenta para os "anfitriões". O setor amargou uma queda no faturamento no primeiro trimestre de 2009, obtendo cerca de US$ 7 bilhões, quando no mesmo período do ano passado os negócios renderam cerca de US$ 10 bilhões. A retração expressiva vem dos desdobramentos da crise econômica mundial, que fez cair drasticamente as exportações e levou as montadoras de veículos locais à "frearem" a produção de forma brusca nos últimos meses, para evitar estoques. "Houve uma redução grande do número de pedidos das montadoras com as paralisações forçadas no fim de 2008. Isso fora a queda acentuada das exportações", confirma Paulo Butori, presidente do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos).

Ilustração: Afonso Carlos/Carta Z Notícias


Para a Automec, porém, o que mais pesou negativamente em 2009 foi a ausência de grandes multinacionais, como as sistemistas Delphi, Magneti Marelli e TRW. O motivo foi a redução de gastos imposta pelas matrizes. "Acho lamentável que a maioria das empresas multinacionais, com a falsa desculpa de que as matrizes reduziram as verbas, deixaram de participar da feira. Até porque, certamente, uma parte do faturamento dessas empresas foi remetida para o exterior", alfinetou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, durante a solenidade de abertura oficial da mostra. "A Automec é nossa maior estrela, mas ficou realmente um pouco apagada pela ausência de algumas multinacionais", faz coro Paulo Butori.

A balança comercial deixa claro o momento delicado do setor no país e também reflete o "caos" na indústria estrangeira. O déficit acumulado de janeiro a março foi de US$ 542 milhões, com US$ 1,902 bilhão de componentes e peças importadas ante US$ 1,360 milhão enviadas ao exterior. Comparando, no primeiro trimestre de 2008, o déficit foi de US$ 467 milhões e de acordo com o Sindipeças, é reflexo das quedas em cadeia nos mercados internacionais. No mesmo período, houve retração nos mercados norte-americano, europeu e japonês, o que fez com que as grandes multinacionais suspendessem as transações comerciais com as filiais brasileiras.

"Cerca de 35% da nossa produção é exportada e os prognósticos do mercado internacional nos impedem de fazer avaliações neste momento", esquiva-se Carlos Barbosa, diretor comercial da divisão Automotive Aftermarket da Robert Bosch, uma das poucas multinacionais presentes na mostra.

ACELERADAS
- A demanda das montadoras representa 67% sobre toda a produção do setor de autopeças e componentes no Brasil.
- A 1ª edição da Automec foi realizada em 1993. Na época, a feira era uma espécie de extensão do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo.
- Durante esta 9ª edição da Automec, o Sindipeças realizou uma espécie de "pit stop" para realizar revisões nos carros dos visitantes, em parceira com alguns fabricantes presentes. A ideia veio para reforçar o projeto "Carro e Caminhão 100%", de estímulo à revisão preventiva.
- Aproximadamente US$ 10 bilhões em autopeças e componentes automotivos fabricados no Brasil são exportados por ano. Entre os principais destinos, estão Argentina, México e Europa.
- No auge da crise econômica, em dezembro, a capacidade ociosa do setor de autopeças chegou a 70%. Em março último, esse percentual foi de cerca de 25%.
Mas com a ausência das grandes empresas do setor, 130 novas marcas ganharam espaço na feira, além de empresas de 30 países, entre eles Argentina, China, Espanha, França, Itália, Singapura e Taiwan. Diante de um cenário desfavorável no exterior, muitos fabricantes internacionais vieram pela primeira vez ao país tentar ampliar os negócios. "A crise mundial que assola a Europa fez com que as empresas francesas do setor voltassem os olhos para os países emergentes, como o Brasil. Há grande perspectiva no país", resume Cristina Afonso, gerente de bens de capital da Ubifrance, agência francesa para o desenvolvimento das empresas. O estande francês, que estreou na Automec, reuniu nove empresas.

Já entre as empresas nacionais, o comércio varejista é um dos poucos a comemorar. As vendas no chamado aftermarket cresceram 5% até março e a projeção é de que o percentual se mantenha ao longo do ano, amparado pela desvalorização dos carros usados -- que dificulta a troca por modelos zero-quilômetro. "Numa análise geral, o impacto positivo é parcialmente pequeno se levarmos em consideração a existência de novos canais de vendas, como os supermercados", relativiza Francisco Wagner de la Torre, presidente do Sincopeças (Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos). O setor de reparação é outro que tem avançado com a queda nas vendas de carros novos. "A quantidade de carros nas oficinas se intensificou desde o fim de 2008. Mas a inspeção veicular também fez aumentar os negócios", aponta Antônio Fiola, presidente do Sindirepa (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos de São Paulo). Num tempo de incertezas como o atual, cada sopro de otimismo tem um valor especial.

NEM TUDO É CRISE
A crise econômica que abala o setor de autopeças em 2009 não impediu a exposição de algumas "engenhocas" interessantes na 9ª Automec. Na mostra, foram exibidos novidades como alinhadores de direção com tecnologia 3D, um acessório que mede a emissão de gases em motocicletas, além de pneus "ecologicamente" corretos e sistemas de GPS que integram receptores de sinal de TV digital.

Com foco nos carros de passeio, a fabricante alemã Continental exibiu o novo pneu ContiEcoContac3, com uso de silica flexível e linhas de desenhos assimétricos, que promete reduzir o consumo de combustível. De acordo com a empresa, o modelo aumenta a aderência do veículo no asfalto e melhora o desempenho em velocidades elevadas, evitando a necessidade de aceleração do motor.

Na área de entretenimento, a novata chinesa DSW Automotive chamou a atenção com um novo kit de TV digital. O produto, já à venda desde o início do mês por R$ 950, reúne um monitor LCD de 7 polegadas e um receptor de sinal de TV digital, que podem funcionar em conjunto com outros recursos, como Rádio/CD e DVD players, video games, navegadores GPS e câmaras externas de auxílio em manobras. "A crise financeira não afetou nossos negócios até o momento", garante Luiz Barion, gerente comercial da DSW.

De todas as novidades, no entanto, a principal é o alinhador de direção da Bosch, com tecnologia 3D. A máquina composta de quatro câmaras, duas nas rodas dianteiras e outras duas nas traseiras, faz um filme do deslocamento do veículo com 27 fotos por segundo. O sistema, que custa 16 mil euros, será lançado na Europa em maio e tem previsão de chegar ao Brasil no segundo semestre. "O que muda de fato é a precisão e a velocidade na medição, já que há uma quantidade muito maior de fotos", explica Rafael Bissoto, engenheiro de desenvolvimento da Robert Bosch. (por Diogo de Oliveira)

Veja também

Carregando...
Fale com UOL Carros

SALOES