UOL Carros
 
31/03/2009 - 12h08

C4 hatch com motor 1.6 parece mais chique e forte; consumo incomoda

Eugênio Augusto Brito
Do UOL, em São Paulo (SP)
Fotos: Eugênio Augusto Brito/UOL

Atualizado às 16h36

O C4 hatch teve seu lançamento oficial há pouco mais de três semanas, no início de março, e conforme relatado por UOL Carros chegou para brigar no segmento dos médios, principalmente com Vectra GT, Volkswagen Golf, Fiat Stilo, Peugeot 307, Ford Focus e Nissan Tiida. Suas armas são o visual ousado e agressivo (mais marcadamente da coluna central em diante) e o bom nível de equipamentos. Mas a Citroën reconhece que sua estratégia de vendas para o modelo, na casa das mil unidades mensais, tem como peça fundamental a versão "de entrada" GLX com motor de 1,6 litro 16V, que gera 110/113 cavalos de potência máxima (g/a), avaliada mais a fundo agora.

ÁLBUM DE FOTOS
Eugênio Augusto Brito/UOL
MAIS IMAGENS DO C4 HATCH

O poder de fogo do C4 mais "básico" está na relação de custo/benefício, que prega agregar o máximo possível de vantagens dentro de um limite de gasto estabelecido. O preço inicial anunciado pela fabricante é de R$ 53.800, mas como o comprador vai pagar obrigatoriamente a pintura metálica (R$ 800), este patamar sobe para R$ 54.600. Além disso, em consulta a algumas concessionárias das zonas Sul e Leste da cidade de São Paulo, dias após o lançamento, pudemos conferir que por ora o C4 dificilmente chega ao consumidor sem algum ágio (variação de até R$ 2.000, sem o frete). Ainda assim, tem-se um veículo de menos de R$ 60 mil com extensa lista de itens de série e, consequentemente, a impressão de se estar fazendo um bom negócio.

BOA PINTA
Em relação à versão Exclusive, mais cara e de maior motorização, sai o couro do revestimento de bancos, portas e da alavanca de câmbio e entra o veludo, que empoeira facilmente, mas segue gostoso ao toque; fica o exclusivo volante com centro multifuncional fixo, mas sem o comando de Bluetooth (não se preocupe, basta conectar o celular pelo painel, antes de ligar o carro, para poder operá-lo pela tecla de telefonia, ainda presente); deixam de existir portas nas gavetas e a cor em padrão cromado do painel, além do perfumador de ambiente.

Nos quesitos segurança e recursos tecnológicos, são limados os airbags de tórax e de cortina, os sensores traseiros de obstáculos, de luminosidade dos faróis, de chuva do para-brisa e antiofuscamento do retrovisor interno, bem como o controle digital de duas zonas do ar-condicionado. E não é possível contar com o pacote extra que inclui regulagem elétrica de bancos, sistemas de estabilidade e antiderrapagem, sensor dianteiro de obstáculos, faróis duplos de xênon que acompanham o movimento do carro em curvas e retrovisores externos rebatíveis.

Ainda assim, o carro sai bem equipado com direção eletroidráulica progressiva, freios a disco nas quatro rodas (ventilados na dianteira) com sistemas antiblocante (ABS), de distribuição de frenagem (EBD) e de assistência em frenagens de emergência, rodas aro 15 com pneus 195/65, airbags dianteiros, ar-condicionado manual, trava/vidros/retrovisores elétricos, computador de bordo, regulagem de altura dos faróis, sistema de som com rádio/CD/MP3 e Bluetooth para conexão de até quatro telefones celulares, refrigeração e iluminação para o porta-luvas e iluminação para o porta-chaves do console central e para o porta-malas, mais chave do tipo canivete com comandos de iluminação e das portas. O grande painel central também está lá, com toda sua luminosidade. As rodas de liga-leve aro 16 e os faróis de neblina presentes no modelo testado são os únicos opcionais.
 


RODANDO COM O C4 GLX
Uma coisa é certa: na rua, poucos saberão dizer que você não está a bordo de um C4 topo de linha. Externamente, apenas a placa com o nome da versão que deixa de ocupar a coluna central, além de rodas e luzes de neblina (que podem ser colocadas opcionalmente, como descrito acima), diferenciam uma versão de outra.

Ponto para o jogo de marketing da Citroën. Muita gente vai torcer o pescoço para ver o ainda raro design do hatch -- durante nosso teste, principalmente jovens e mulheres se mostraram mais empolgados com o visual arredondado, notado nas ultrapassagens, uma vez que da frente até as portas dianteiras tem-se a impressão de se estar vendo o sedã Pallas ou o esportivo VTR, mais comuns.

Para quem está na direção, o prazer de dirigir fica mais próximo ao proporcionado pelo VTR, com pegada mais dinâmica e grande estabilidade. O carro segue na mão, mesmo em curvas feitas de forma mais ousada. E vale ressaltar o trabalho da suspensão, retrabalhada e mais rígida que a do sedã, que garante um conforto diferenciado, deixando o carro "macio" mesmo em terrenos mais irregulares.

No momento de acelerar, a diferença de 40 cv para o motor de 2,0 litros se faz notar nas saídas e retomadas, que geralmente são mais lentas e requerem uma pisada com maior ímpeto no pedal direito. O resultado é que você terá uma reação típica de carro pequeno, com motor gritando e trocas de marcha (até terceira) que terão de ser feitas em menor tempo. O que acaba ressaltando, ainda, uma característica ruim de um câmbio que é bom no conjunto: a passagem para segunda marcha (subindo ou reduzindo) é complicada.
 

PREÇOS E DADOS DO C4 HATCH
GLX 1.6 - R$ 53.800
GLX 2.0 - R$ 56.300
GLX 2.0 A/T - R$ 60.800
Exclusive 2.0 - R$ 64.300
Exclusive 2.0 A/T - R$ 68.800
Pintura metálica - R$ 800
Pack Technologique - R$ 5.800
FICHA TÉCNICA COMPLETA

Mas não esquente com as caras que seus companheiros de farol vermelho farão -- a impressão ruim desaparece ao longo da linha de torque, quando o C4 deslancha: os 120 km/h chegam fácil, e em pouco tempo e sem perceber qualquer alteração de comportamento, seria possível passar dos limites toleráveis pela lei e pelo bom senso.

Com tamanha disposição, sobrou um incômodo durante nosso teste. E justamente num ponto que atinge o bolso: o consumo. Com cerca de 900 km percorridos, sempre com álcool de postos confiáveis e principalmente em ambiente urbano (2/3 do total), o computador de bordo do exemplar utilizado foi implacável ao indicar 5,3 km/l como sua melhor marca. No terço dedicado à estrada, a média foi de 6,1 km/l.

Este resultado causou estranhamento também à Citroën, que indicou duas possíveis causas: na primeira, o "problema" pode estar apenas no veículo testado; pela segunda hipótese, porém, a alma de beberrão pode se estender a todo e qualquer C4 com esse motor, uma vez que, para melhorar o desempenho, o 1,6 litro adaptado ao mercado brasileiro não tem sua taxa de compressão alterada em relação ao motor europeu, feito para receber apenas gasolina e não a mistura de combustível nacional. Nas palavras da fabricante, "esta mudança poderia melhorar o rendimento energético no uso do álcool". Portanto, se você quer aparecer bem sem gastar muito, vale fazer um test-drive com o C4 hatch antes, e prestar atenção à marcação do painel -- enquanto quem estiver na rua pode ficar de olho no design.

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