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30/03/2009 - 10h09

Obama derruba presidente da GM e quer Chrysler unida à Fiat

Das Agências, com Redação
Atualizada às 14h01

O governo norte-americano tomou controle parcial da indústria de veículos dos Estados Unidos nesta segunda-feira (30), forçando a saída do presidente-executivo da General Motors, Rick Wagoner, pressionando a Chrysler em direção a uma fusão com a italiana Fiat, e ameaçando de falência ambas as montadoras.

As medidas da comissão automotiva da Casa Branca marcaram uma reviravolta chocante para a administração da empresa e a da Chrysler, e também para credores que apostavam no resgate das companhias. O governo de Barack Obama se comprometeu apenas em financiar as operações da GM pelos próximos 60 dias, enquanto desenvolve um plano de reestruturação mais abrangente, em vez de atender ao pedido da montadora de fornecer mais US$ 16 bilhões em empréstimos.

Wagoner, o presidente-executivo da GM, que dirigiu a companhia desde o ano 2000, atravessando todo o seu rápido declínio nos últimos cinco anos, foi tirado do posto efetivamente nesta segunda, após o pedido do presidente da comissão automotiva da Casa Branca, Steve Rattner. Grande parte do conselho de administração da montadora também será substituído.

Numa mensagem divulgada à imprensa, Wagoner afirmou que a decisão de sua saída foi tomada na sexta-feira (27). "Durante um encontro com representantes do governo [da força-tarefa automotiva], em Washington, me foi pedido que eu deixasse o posto de CEO da GM, e foi o que fiz", disse o executivo.

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    Fritz Henderson, executivo próximo de Wagoner e vice-presidente de operações da GM, foi nomeado o novo presidente-executivo da montadora. "Tenho certeza de que ele é a pessoa ideal para comandar a GM ao longo de seus esforços de reestruturação", escreveu Wagoner na mesma nota de despedida.

    A renúncia forçada dele aconteceu enquanto o governo Obama permanece sob ataque por não impedir o pagamento de bônus a executivos da seguradora AIG.

    GENERAL MOTORS: PERFIL

    • 252.000

      empregados

      Montadora, hoje a segunda maior do mundo, tem operações em 34 países e vendas em cerca de 140

    • 77

      anos consecutivos

      Este foi o período de liderança mundial da GM na indústria automotiva, mantido de 1931 até 2008, quando foi superada pela japonesa Toyota

    • 95%

      de desvalorização

      É a queda estimada nas ações da General Motors desde que Wagoner assumiu a direção da empresa

    Essa foi apenas a segunda vez que o governo dos Estados Unidos forçou a saída de um presidente-executivo após resgatar uma companhia desde que a crise financeira começou, no segundo semestre do ano passado. Robert Willumstad perdeu seu posto como dirigente da AIG em setembro, em decorrência do resgate de US$ 85 bilhões da seguradora pelo governo norte-americano.

    CHRYSLER TEM DE FUNDIR
    Muitos analistas esperavam que o governo Obama iria assumir uma linha mais suave com a GM e a Chrysler, depois que sinalizou a intenção de proteger empregos dos 160 mil funcionários norte-americanos das duas montadoras. A Chrysler, controlada pela Cerberus Capital Management, recebeu 30 dias para completar a aliança com a Fiat, ou então enfrentar uma interrupção do financiamento do governo que pode forçar sua liquidação. Em princípio, ela aceitou a demanda do governo dos EUA, dando sinal verde para a união de forças com a marca italiana.

    A comissão da Casa Branca rejeitou a afirmação da Cerberus de que a Chrysler pode ser viável sozinha. A comissão citou o tamanho relativamente pequeno da montadora, sua fraca linha de produtos e a queda na participação de mercado nos Estados Unidos. Se a Chrysler -- que também é dona das marcas Dodge e Jeep -- conseguir mesmo completar uma aliança com a Fiat e acordos de redução de custos com credores e com o principal sindicato de metalúrgicos dos EUA (o poderoso United Auto Workers, UAW), o Tesouro vai considerar investir outros US$ 6 bilhões na montadora, segundo autoridades.

    Representantes do governo dos Estados Unidos disseram que têm alcançado progresso nas últimas negociações envolvendo a força-tarefa da Casa Branca. A Fiat concordou em assumir menos dos 35% de participação na Chrysler negociados inicialmente.

    REESTRUTURAÇÃO AGRESSIVA
    Enquanto isso, Fritz Henderson, um dos principais arquitetos do plano de recuperação da GM que acabou rejeitado pelo governo Obama, foi encarregado de trabalhar com autoridades dos EUA e consultores para desenvolver uma reestruturação mais agressiva. A GM pedia mais de US$ 16 bilhões em novos empréstimos do governo, enquanto a Chrysler quer US$ 5 bilhões para sobreviver ao mais fraco mercado de veículos novos em quase 30 anos.

    Desde 2005, quando seus problemas começaram a se acumular no mercado norte-americano, a GM já perdeu em torno de US$ 82 bilhões. As ações da montadora também já despencaram perto de 95% desde que Wagoner assumiu o posto de presidente-executivo. Ele chegou a ser presidente da GM do Brasil.

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