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30/03/2009 - 18h47

Governo Obama rejeita plano da GM com duras críticas

Da Redação
A resposta da força-tarefa automotiva do presidente Barack Obama ao plano de reestruturação -- rejeitado nesta segunda-feira (30) -- apresentado pela General Motors foi bastante crítica. A demissão do chefão da GM, Rick Wagoner, foi apenas o primeiro gesto concreto exigido pelo governo. Nos próximos 60 dias, a GM terá de correr atrás de lacunas e deficiências em cinco áreas-chave de seu plano de reestruturação.

A força-tarefa nomeada pelo governo dos EUA concentrou suas críticas e restrições em cinco pontos do plano da GM: participação no mercado; preços; marcas e revendedores; gama de modelos; e obrigações trabalhistas (como pensões).

OBAMA EXIGE MUDANÇAS NO SETOR

  • Reuters

    O presidente Obama ladeado pelo secretário do Tesouro, Timothy Geithner (esq.) e por Edward Montgomery, designado para comandar a recuperação de comunidades afetadas pela crise automotiva; Obama disse nesta segunda (30) que o governo dos EUA não vai abandonar a indústria automotiva do país, mas cobrou mudanças drásticas na administração das empresas do setor.

De acordo com o boletim Automotive News, a força-tarefa reconhece que a GM apresentou progressos em algumas áreas, mas que o plano de reestruturação apresentado pela empresa demoraria muitos anos para se concretizar. Item a item, veja as principais as críticas das autoridades à GM:

PARTICIPAÇÃO NO MERCADO
A GM admite uma perda de participação no mercado norte-americano de 2,3 ponto percentual entre 2006 (23,8%) e 2008 (21,5%), e projeta que em 2014 deterá 19,1%. A força-tarefa acredita que esses números são otimistas demais.

PREÇOS
Esse aspecto inclui as margens de lucro e, de acordo com a força-tarefa, foi negligenciado no plano da GM. O grupo governamental fez suas próprias contas e concluiu que, apesar de o mercado estar deprimido e de haver cada vez mais restrições aos modelos da GM, a empresa quer manter uma margem de retorno financeiro (preço de venda menos os custos variáveis de fabricação) acima de 30%.

MARCAS E REVENDEDORES
A GM tem muitas marcas e modelos que vendem mal, além de um excesso de concessionários, disse a força-tarefa. A proposta do grupo é de, nos Estados Unidos, focar em quatro marcas: Chevrolet, Cadillac, Buick e GMC, além de manter a Pontiac numa versão reduzida. A Hummer seria vendida, e a Saturn, fechada. Além disso, cortaria cerca de 2.100 dos 6.246 pontos-de-venda que possui hoje no país. Para a força-tarefa, diz o Automotive News, essas medidas não são suficientes.

GAMA DE MODELOS
A proposta da GM é a de produzir "menos e melhores" veículos, o que seria obtido pelo corte nas marcas locais do grupo. Só que a força-tarefa observou que boa parte dos lucros da GM vinha de picapes e utilitários esportivos, que oferecem grande margem para o fabricante, mas que estão caindo em desgraça nos EUA. Impiedosa, a força-tarefa também notou que o elétrico Volt, ainda que promissor e ambientalmente correto, viria ao mundo por um preço alto demais (US$ 40 mil, no mínimo), o que poderia torná-lo inviável comercialmente.

OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS
A GM deve US$ 20 bilhões a um fundo beneficente de funcionários. O fundo de pensão da empresa, em 2008, ficou a descoberto em 13 pontos percentuais -- contra uma sobra de 24 pontos em 2007. A situação atual da GM a faria desembolsar US$ 6 bilhões por ano com essas obrigações -- o que só poderia ser coberto caso ela fabricasse e e vendesse 900 mil carros a mais anualmente.

Como dito, a General Motors tem 60 dias para melhorar seu plano, especialmente nesses cinco pontos cruciais. Caso isso não ocorra, pode entrar em concordata.

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