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25/03/2009 - 12h13

Carros de luxo mal sentem a crise; marcas preparam novidades

Da Auto Press
Embora a retração econômica seja para todos, a crise é menos democrática do que parece. Na verdade, afetou mais os segmentos de carros populares. Enquanto isso, as vendas de automóveis de luxo chegaram a crescer. Em janeiro e fevereiro, foram vendidas 1.235 unidades de automóveis de passeio acima de R$ 150 mil. Número 11% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Ou seja, o baque financeiro, que solapou o setor a partir de setembro de 2008, não foi capaz de arrefecer as estratégias e previsões otimistas da maioria das marcas que trazem ao Brasil modelos mais sofisticados.

Ilustração: Afonso Carlos/Carta Z Notícias


Importados seguem em "altitude de cruzeiro", acima da zona de turbulência. "No segmento de entrada, o poder aquisitivo é menor e a dependência de financiamento, muito grande. No de luxo, as facilidades são maiores. Existem automóveis importados com 50% de entrada e o restante em 24 ou até 36 meses sem juros", afirma Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive.

Como o poder aquisitivo indica, o perfil dos compradores é distinto em relação aos demais segmentos. Mas o financiamento não chega a ser um recurso raro para consumidores dessa parcela peculiar do mercado. As compras desse público variam em termos de opções de pagamento, e não raramente eles adquirem o carro como pessoa jurídica. Na maior parte dos casos de financiamento, um veículo usado top é dado como entrada, e a diferença é financiada. Mas tudo depende se o desconto à vista for mais vantajoso que uma aplicação financeira.

"Se o juros cobrados pelo financiamento superarem os dividendos da renda desse dinheiro numa aplicação financeira, o cliente paga à vista. Caso contrário, é mais vantajoso o pagamento em parcelas", explica José Ricardo Kineipe, gerente de vendas da Jaguar América Latina.

Divulgação

Lançado em dezembro, o cupê Audi A5 completo custa mais de R$ 300 mil

AVENTUREIROS
Até mesmo marcas que jogam em segmentos menos abastados se aventuram nesse nicho mais elitista. Recentemente, a Volkswagen trouxe para o Brasil dois modelos de luxo, o Passat CC na versão top V6 e o conversível Eos, que são vendidos, respectivamente, por R$ 174.290 e R$ 159.900. A Ford, na virada do ano, também passou a trazer o crossover Edge, com preços entre R$ 149.700 e R$ 158.430.

"O Brasil tem apresentado um bom crescimento no segmento de automóveis de luxo, com mais de 150 opções de veículos com preços superiores a US$ 80 mil", ressalta Wilson Vasconcellos, gerente de marketing de picaopes e crossovers da Ford.

Dentro desse mercado, também chamam atenção pela popularidade os utilitários, representados em modelos de fabricantes tradicionais, como a Land Rover. Um nicho que atraiu também marcas generalistas, onde atuam Mitsubishi e Nissan, por exemplo. E que motivou a sul-coreana Kia a trazer ao Brasil o utilitário grande Mohave, com motores V6 a gasolina e diesel, além do top V8, com preços entre R$ 154.900 e R$ 184.900. "O que pode atrapalhar um pouco é a alta do dólar, que influenciou em 60% o custo desse produto", afirma José Luis Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil.

DÓLAR PEDIU AÇÃO
A flutuação da moeda norte-americana mostrou que a maré também não é tão tranquila para os importados de luxo. A oscilação do dólar demandou ações por parte dos importadores. "Você não tem espaço para repasse de custos, que acabam sendo absorvidos na margem de lucro, o que leva a uma necessidade de redução de custos", lamenta Luiz Tambor, diretor de vendas e marketing da Land Rover. "Em um cenário de retração, não adianta repassar e não vender", reconhece Marcel Visconde, presidente da Stuttgar Sportcar, importadora oficial da Porsche.

Em relação às expectativas para 2009, os fabricantes e importadores não escondem o otimismo, sentimento que se tornou raro em outros segmentos. Os executivos do setor garantem que o ano deverá repetir os números de 2008, mas sem um grande crescimento. Poucos assumem uma postura mais cautelosa. "O ano de 2008 é para ser emoldurado, e não comparado, pois seus excelentes resultados foram atípicos", suspira Marcel Visconde, da Stuttgart.

MAIS CARROS VÊM AÍ
Uma boa quantidade de estreias no segmento de veículos mais luxuosos marcou o início do ano. Segundo os fabricantes, o lançamento de modelos atrai compradores novos em momentos de crise. A Mercedes-Benz, além de colocar nas ruas o cupê CLC, tratou de lançar o utilitário esportivo médio GLK 280, que chega por R$ 225 mil, para concorrer diretamente com o BMW X3.

Ainda entre as alemãs, a Audi lançou o A4 Avant e o A5, um cupê que parte de R$ 254.500. Já a sueca Volvo se destacou por trazer ao Brasil o utilitário esportivo médio XC60, com preços entre R$ 138.500 e R$ 165.900. O que deve ajudar a marca na meta de chegar aos 2 mil automóveis comercializados em 2009 no paíS (em 2008 foram 1.098).

Lançamentos futuros também estão confirmados. A BMW vem com as versões cupê, cabriolet e station do Série 3 remodelado, além do novos Série 7, Z4 e o 135i, o cupê da Série 1. A Audi, por sua vez, trará o utilitário médio Q5. Já a Porsche confirmou a vinda do cupê de quatro portas Panamera. "A melhor forma de combater cenários de retração é lançar novos produtos", garante Marcel Visconde, da Porsche.


(por Julio Cabral)

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