UOL Carros
 
17/03/2009 - 11h48

Symbol faz barulho, mas agrada mais que o 'primo pobre' Logan

CLAUDIO DE SOUZA
Enviado especial a Curitiba (PR)*
Depois da apresentação técnica e de mercado, nesta terça-feira (17) chegou a hora de experimentar o sedã compacto Renault Symbol na prática. UOL Carros participou de um ligeiro test-drive de cerca de 40 km (mais 40 km como passageiro), em estrada com asfalto de boa qualidade no entorno de Curitiba (PR). O exemplar apreciado era da versão top Privilège, que custa R$ 44.490 (R$ 45.990 com ABS nos freios).

Fotos: Divulgação

Ambivalente: Renault Symbol tem bom espaço interno e posição de dirigir agradável, mas acabamento é espartano; porta-malas, com 506 litros, é excelente, mas consumo é só mediano

No geral, o novo sedã, hoje fabricado na Argentina, mostrou-se mais interessante que seu atual "primo pobre" da Renault, o Logan; mais encorpado que o Clio, que ele substitui; mas anos-luz atrás do Mégane, o injustiçado sedã médio mau vendedor da marca francesa.

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O acolhimento ao motorista é um ponto positivo do Symbol. A posição de dirigir é boa, garantida pela regulagem de altura do banco e do volante (que, no entanto, não ajusta a profundidade). As laterais do encosto são pronunciadas, segurando bem o corpo de quem dirige. De modo geral, os comandos são bem-posicionados, e o painel tem leitura agradável, privilegiando instrumentos com ponteiros (em vez dos imprecisos "risquinhos digitais" do Logan e do Sandero). O centro do painel frontal, onde ficam os comandos do rádio e do ar-condicionado (digital no Symbol Privilège testado, e manual na versão Expression, que parte de R$ 41.190), possui design agradável. É a única parte do interior desse sedã compacto que poderia estar num carro mais caro.

Isso porque o acabamento do Symbol é bem espartano, talvez um degrau acima do que se encontra a bordo do Logan, mas inferior ao do Volkswagen Polo e ao do Peugeot 207 Passion, para citar os rivais com os quais o novo Renault se mede. Há excesso de plásticos, parafusos aparentes, e o velho truque de pintar algumas peças como se fossem de alumínio. Quanto ao espaço, é bom para quatro pessoas, mas colocar três passageiros atrás não será gentil com eles.

MAIS ACERTADO
Rodando, o Symbol se mostrou esperto nas acelerações e retomadas. Seu conjunto de motor e transmissão pareceu mais acertado que no Logan -- como consequência, o propulsor 1.6 16V Hi-Flex, alimentado com álcool, rende mais no Symbol que no colega de marca. Os engates do câmbio são mais precisos, também.

POR DENTRO DO SYMBOL

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    Interior tem espaço bom para até quatro pessoas, mas há excesso de plásticos e parafusos aparentes; apesar disso, acolhimento ao motorista é ponto positivo e posição dos comandos agrada

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    Motor 1.6 16V Hi-Flex é conhecido da dupla Logan/Sandero) e gera 110/115 cavalos (álcool/gasolina) com 15,2/16 kgfm (g/a) de torque; a transmissão é manual, de cinco marchas

A suspensão claramente privilegia o conforto, e mal se sentem as irregularidades do asfalto. Isso é muito bom para o uso urbano, mas tem um preço na estabilidade; na estrada, em velocidades mais altas, o Symbol mostra uma certa tendência à oscilação.

Um ponto bastante negativo do novo modelo é o excesso de ruído na cabine, tanto do motor quanto do vento. Não é só uma questão de uma eventual deficiência no isolamento acústico. O fato é que tanto o torque quanto a potência máximos desse sedã só surgem em faixas de giro mais altas -- 3.750 rpm e 5.750 rpm, respectivamente. Isso faz com que, para trafegar a uma velocidade de cruzeiro próxima dos 120 km/h, o propulsor tenha de operar entre 3.500 e 4.000 giros.

Além do incômodo para os ouvidos (é difícil conversar normalmente a bordo) e da constante sensação de que uma sexta marcha seria desejável, paga-se um preço no consumo: de acordo com o computador de bordo, o Symbol bebeu um litro de álcool a cada sete quilômetros.

Essa impressão ambivalente no primeiro contato com o Symbol, porém, não autoriza uma previsão de que o carro será malsucedido. Ao contrário, a expectativa de vender 700 unidades por mês, anunciada na segunda-feira pela Renault, parece bastante conservadora. O design polêmico (já mencionado aqui), justamente por ser polêmico, tende a conquistar sua cota de defensores. O excelente porta-malas de 506 litros é outro diferencial. E a garantia de três anos, comum a outros modelos da marca francesa, também pode pesar a favor do novo sedã.

*O jornalista viaja a convite da Renault-Nissan

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