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16/03/2009 - 20h23

Presidente da GM pede manutenção de IPI menor e maior "agressividade" no corte de juros

Da Redação
O presidente da General Motors para o Brasil e Mercosul, Jaime Ardila, afirmou, nesta segunda-feira (16), que a prorrogação do benefício de redução do IPI para automóveis (total para carros com motor de 1,0 litro e parcial para veículos com motorização até 2,0 litros) é necessária para a retomada das vendas da indústria automotiva nacional, mas ressaltou que o governo deve rever "de forma mais agressiva" as taxas de juros e o incentivo ao financiamento, se quiser que o setor se mantenha ativo a longo prazo. Ainda segundo o executivo, o custo de produção no país é muito alto, o que interfere negativamente no preço final dos veículos, mas não impede que o desempenho do setor nacional seja um dos melhores no atual cenário mundial.

"A curto prazo, a manutenção da redução do IPI em até 7%, além dos incentivos com que a indústria já trabalhava, é fundamental para a retomada do patamar de vendas [ao nível anterior à crise internacional] no país", disse Ardila, durante a gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura. "A longo prazo, como a indústria automotiva é baseada na oferta de crédito, é necessário o corte das taxas de juros bancários, da Selic, e uma melhora das condições de financiamento, de forma mais agressiva", frisou o executivo da GM nacional.

De acordo com Ardila, a manutenção do benefício pode representar um segundo trimestre com vendas apenas 10% abaixo do patamar obtido em 2008, ao passo que a retomada do índice cheio do IPI pode derrubar as vendas em até 30%, na comparação com o último ano. Para o ano de 2009 como um todo, o executivo fala em crescimento similar ao de 2008 -- no caso da GM do Brasil, algo em torno dos 15%.

CARRO CARO
Quando confrontado a explicar a razão do alto preço do carro zero no país, Ardila disse que o principal motivo do preço alto de carros no Brasil está nos impostos, "que chegam a 40% do valor do veículo". Ainda segundo o executivo, o custo de fabricação de um modelo no Brasil é maior do que em outros mercados emergentes, como a China, o que explicaria o preço final mais elevado.

"No Brasil, os impostos chegam a 40% do valor do carro, enquanto ficam em 6% na China", afirmou Ardila. "Já o custo de fabricação também é alto, uma vez que o trabalhador brasileiro recebe de 8 a 10 dólares/hora, enquanto o chinês recebe até 2 dólares/hora", calculou o presidente da GM. De toda forma, o custo da mão-de-obra no país é muito menor do que o valor pago pela sede da montadora, nos EUA, onde o operário recebe cerca de US$ 65 por hora trabalhada.

DEMISSÕES
Ardila evitou usar o termo "demissão", afirmando que o corte de cerca de 800 funcionários, feito em janeiro, e que pode chegar a 1.600 até abril, diz respeito a contratos temporários, que não foram renovados.

"A GM não fez demissão, mas deixou de renovar contratos temporários que estavam expirando, isso porque a previsão de produção da indústria era de 3,2 milhões de unidades em 2008, sendo que ficou em 2,8 milhões", afirmou Ardila.

Para o executivo, a recontratação de funcionários não é possível, mesmo com a recuperação de vendas vivenciada neste primeiro trimestre. Uma alteração no quadro, explicou Ardila, poderá ocorrer apenas com a implantação de projetos a partir do segundo semestre -- neste caso, alguns dos postos temporários poderiam ser reabertos.

De acordo com Ardila, estão agendados o projeto Viva -- que prevê a fabricação de uma nova família de veículos, a partir do segundo semestre, primeiro na Argentina e depois no Brasil--, além da fabricação de dois novos modelos na unidade de São José dos Campos (SP), e da renovação de 12 modelos da atual frota até 2010. No total, a GM latino-americana teria investido US$ 1,5 bilhão desde 2008, e ainda tem planos de injetar mais US$ 1 bilhão nos projetos.

O programa Roda Viva será exibido pela Rede TV Cultura, na íntegra, a partir das 22h10 desta segunda-feira.

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