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09/03/2009 - 20h48

Edge evoca imponência de antigos Ford, mas peca em detalhes e no alto preço

Da Auto Press
O marketing da Ford no mundo sempre tratou de associar a imagem da marca a veículos robustos. Principalmente "em casa", no mercado norte-americano, com picapes e utilitários esportivos com muitos cavalos sob o capô e, invariavelmente, grandalhões e beberrões. Com a importação do Edge para o Brasil, a Ford tenta resgatar por aqui um pouco desta velha tradição, que hoje ainda resiste com as picapes "raça forte" da marca. Apesar de sua imponência visual remeter a um utilitário esportivo, o Edge é tratado como crossover médio-grande. Ou seja, um jipão com jeito urbano de ser.

Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Cotado em quase R$ 150 mil, Edge é robusto e traz conforto, mas não fala português

Só que o Edge chegou atrasado à festa. Lançado no "setembro negro" que marcou o início da crise global do ano passado, o modelo estreou no Brasil, de fato, em janeiro. A estratégia de manter o modelo atrelado a um dólar fictício a R$ 1,60, colaborou para manter o preço inicial de R$ 149.700. Assim, o modelo compete, nas cifras, com Hyundai Santa Fé 7 lugares, Mitsubishi Pajero Full HPE 3.8, Nissan Pathfinder SE, Land Rover Discovery S 4.0 V6, cujos preços vão de R$ 135 mil a R$ 170 mil. Mesmo assim, o Edge vendeu apenas 238 unidades nesses dois meses, enquanto a Ford projetava 250 unidades mensais.

ROBUSTO
Se nas vendas o Edge ainda não conseguiu provar sua força, no estilo ele mostra que quer ser um veículo imponente. As dimensões ajudam: são 4,71 m de comprimento, 1,93 m de largura, 1,71 m de altura e 2,82 m de entre-eixos. Tudo moldado pelo Bold Design, estilo da marca adotado no Fusion, de quem o Edge herda a plataforma. Na frente, cortes bem definidos na linha que separa o capô da grade cromada com três barras horizontais e do conjunto ótico com traços majoritariamente retos. Nas laterais, linha de cintura sem curvaturas, saliência diagonal acima das maçanetas e leve caimento da coluna traseira. O vidro de trás é inclinado e a tampa do porta-malas abusa dos vincos.

A robustez ganha eco sob o capô. É lá onde reside o motor em bloco de alumínio com seis cilindros em "V" a 60 graus. São 269 cv a 6.250 rpm e 36,8 kgfm despejados em 4.500 giros pelo propulsor 3.5 nas quatro rodas. Além da tração integral, a unidade de força trabalha com um câmbio automático de seis velocidades.

ACELERADAS
- O Edge é feito na unidade da Ford em Oakville, Ontário, no Canadá, e usa uma plataforma alongada dos sedãs Fusion e Lincoln MKZ.
- Os airbags do crossover utilizam sensores de posicionamento dos assentos e de reconhecimento do peso do passageiro para determinar a intensidade de abertura das bolsas e a retração dos cintos de segurança.
- O único opcional do Edge é o teto solar panorâmico chamado de Vista Roof, que ocupa 70% do teto e faz o preço do modelo ficar em R$ 158.530.
- O Edge é vendido no Brasil com três anos de garantia.
- O utilitário esportivo que a Ford vende atualmente no Brasil é o compacto EcoSport, produzido em Camaçari, na Bahia. Nos anos 90 até o início dos anos 2000, a marca norte-americana importou o SUV Explorer.
CONFORTO
A faceta crossover do Edge, ou seja, sua aptidão para o conforto, fica evidente na lista de equipamentos. E condizente com os quase R$ 150 mil pedidos pelo modelo. Conta com um interessante pacote de conectividade, que reúne display de 6,5 polegadas com tecnologia touch screen. Batizado de Sync, ele é desenvolvido em parceria com a Microsoft. Reúne DVD e rádio/CD/MP3 com disqueteira e entradas auxiliares e USB, além de Bluetooth e memória de 10 Gb onde é possível gravar músicas, vídeos e fotos. Tudo com comando de voz.

Infelizmente, estes comandos não estão disponíveis na língua portuguesa -- só em inglês, espanhol e francês. Pior é o fato de o sistema de navegação ainda não ter mapas de cidades brasileiras -- a Ford diz que não tinha os sistemas prontos quando começou a trazer o veículo, mas garante que vai desenvolver junto com a Microsoft comandos em português e mapeamento brasileiro. Contradições à parte, o Edge ainda conta com ar automático com duas zonas frontais e saídas para o banco traseiro, direção hidráulica, trio elétrico, bancos dianteiros com aquecimento, ajustes elétricos e memória combinada com os retrovisores, volante com regulagens de altura e de profundidade, controle de cruzeiro, computador de bordo, sensor de luminosidade, entre outros.

Na segurança, seis airbags, freios com ABS e EBD, controles eletrônicos de estabilidade e de tração, sistema de monitoramento da pressão dos pneus, retrovisor eletrocrômico, espelhos externos com desembaçador, ajuste de altura dos faróis e sensor de estacionamento traseiro. Há alguns dispositivos interessantes. Como as sete opções de tons para partes do carro: porta-copos, assoalho dianteiro e consoles central e traseiro. Além disso, há os comandos elétricos de abertura e fechamento da tampa do porta-malas e de rebatimento dos assentos traseiros. Não chegam a ser mimos, mas ajudam a associar a antiga imagem de robustez da Ford a uma certa dose da tecnologia contemporânea.

Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Estilo bold, marcado por retas e forte horizontalização, só perde força na traseira


FICHA TÉCNICA
Ford Edge SEL 3.5 V6
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, bloco em alumínio, 3.496 cm³, com seis cilindros em "V" a 60º, quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote variável na admissão. Acelerador eletrônico e injeção multiponto.s airbags do crossover utilizam sensores de posicionamento dos assentos e de reconhecimento do peso do passageiro para determinar a intensidade de abertura das bolsas e a retração dos cintos de segurança.
Transmissão: Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração integral controlada eletronicamente. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência: 269 cv a 6.250 rpm.
Torque: 34,6 kgfm a 4.500 rpm.
Diâmetro e curso: 92,5 mm x 86,7 mm. Taxa de compressão: 10.3:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra estabilizadora e subchassi isolado. Traseira independente com braços múltiplos, batentes integrados e links laterais apoiados sobre subchassi e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a discos sólidos. ABS e EBD.
Carroceria: Crossover com quatro portas e cinco lugares. Com 4,72 metros de comprimento, 1,93 m de largura, 1,71 m de altura e 2,82 m de entre-eixos. Oferece airbags duplos frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina.
Peso: 2.026 kg, com 487 kg de carga útil.
Porta-malas: 908 litros até o teto/1.970 litros com o banco traseiro rebatido.
Tanque: 76 litros.
IMPRESSÕES AO DIRIGIR
O fato de o banco automaticamente chegar para a frente assim que se coloca a chave na ignição já torna o Edge um veículo, no mínimo, atencioso. Um dispositivo simples, mas que deixa o motorista à vontade para encontrar uma posição ideal para dirigir. Até porque o crossover canadense da Ford oferece diversos ajustes elétricos dos bancos, espaço farto para pernas e braços, assentos que parecem abraçar os ocupantes e ergonomia eficiente na maior parte das vezes. Ou seja, a sensação é a de se estar dentro de um sedã confortável.

Ao virar a chave, uma saudação em espanhol causa uma certa estranheza. Estranheza maior é conferir que não há mapas de cidades brasileiras no sistema de navegação nem opções de comandos de voz em português para o moderno e divertido sistema Sync. O jeito é falar com a máquina em inglês, espanhol ou francês, mas tentando disfarçar o sotaque para que o sistema não questione o comando. De qualquer maneira, o dispositivo de entretenimento reúne diversas funções em uma tela de 6,5 polegadas sensível ao toque e funciona como um computador, onde se pode até gravar os CDs que estão no player na memória de 10 Gb do sistema.

Diversão deixada de lado, é hora de ver como o motor V6 3.5 de 269 cv dá conta das mais de duas toneladas de Edge. E é nessa hora que o crossover começa a mostrar suas maiores virtudes: a de ser um veículo imponente mas sempre na mão do condutor. A começar pelas acelerações vigorosas. Basta pisar no pedal para ver o ponteiro do conta-giros subir com vontade e ter respostas imediatas. O zero a 100 km/h foi obtido em 9,8 segundos. Na hora das ultrapassagens, uma boa eficiência. O câmbio automático trabalha bem com o propulsor. Quase não há buracos entre uma marcha e outra e o motor enche rápido. O 60 km/h a 100 km/h em quinta -- com o overdrive desativado -- foi feito em 7,9 s.

O Edge convida a pisar mais e foi possível alcançar a máxima de 180 km/h com a sensação de que o motor V6 tem fôlego para ultrapassar essa marca. Mas, talvez, a Ford tenha optado por limitar essa velocidade final para não comprometer a exemplar "estabilidade eletrônica" do modelo. Mesmo em velocidades exageradas, a comunicação entre rodas e volante se mostra precisa. O mesmo ocorre nas curvas em alta e nas frenagens bruscas. O modelo em nenhum momento sai da trajetória, auxiliado, é claro, por controles de tração e de estabilidade, tração integral, suspensão bem calibrada e freios com ABS e EBD.

Os defeitos acabam por ficar nos detalhes. O isolamento acústico é falho. Mesmo a 100 km/h, os barulhos de rodagens e principalmente do pneu são percebidos dentro do habitáculo. A visualização das informações do computador de bordo não está na tela central do sistema Sync, mas em um display dentro do quadro de instrumentos. Ao mesmo tempo, o comando do computador fica no painel central, quando poderia estar no volante junto com os botões do controle de cruzeiro e do próprio dispositivo Sync. O consumo de gasolina também não agrada: 5,3 km/l em uso 2/3 urbano e o restante na estrada.
(por Fernando Miragaya)

DE ZERO A 100 PONTOS, O FORD EDGE SEL 3.5 V6
Ford Edge SEL 3.5 V6
Desempenho - O Edge mostra imponência ao se pisar no acelerador. Os 269 cv conferem um desempenho adequado para um veículo com mais de duas toneladas. As reações ao pedal do acelerador são quase imediatas e as retomadas igualmente eficientes, apesar de o torque de 34,6 kgfm só estar disponível nos 4.500 giros. A transmissão automática de seis velocidades é uma forte aliada na boa performance do crossover canadense, com a sexta marcha funcionando como overdrive. Mas ela limita uma maior interação com o veículo, já que não possui opção de mudanças sequenciais, apenas Low, que funciona até a segunda. Se por um lado as acelerações são vigorosas, a velocidade máxima de 180 km/h alcançada deixa claro que o Edge teria apetite para ir além. Nota 9.
Estabilidade - Um conjunto com suspensão traseira por braços múltiplos e com barra estabilizadora, tração integral, controles eletrônicos de estabilidade e de tração e uma boa rigidez torcional resultam em um comportamento dinâmico exemplar. O Edge não levanta a dianteira em demasia nas acelerações, apesar do vigoroso motor, nem embica demais nas freadas bruscas. Nas curvas, torce pouco a carroceria e não faz menção de rolagem. Nas retas, mesmo em velocidades elevadas, não é preciso corrigir a trajetória do veículo. Em outras palavras, um crossover com comportamento de carro de passeio. Nota 9.
Interatividade - Bancos com regulagens elétricas e memória ajudam ao motorista a encontrar a posição ideal de dirigir. A ergonomia é facilitada pelos comandos no volante, a maioria dos botões com fácil acesso e ao interessante comando de voz do sistema de entretenimento. Um contrassenso é o fato de o display do computador de bordo ficar dentro do quadro de instrumentos e com os comandos no painel central, abaixo da tela do Sync.
A visibilidade é facilitada pelos espelhos auxiliares côncavos embutidos nos retrovisores externos, mas as largas colunas traseiras atrapalham um pouco. Pelo menos, o modelo conta com sensor de obstáculos traseiro. Embora merecesse também um dianteiro, devido às dimensões frontais generosas. Nota 8.
Consumo - Câmbio automático, motor V6 e tração integral. O resultado dessa equação só poderia ser um consumo elevado. O modelo testado assinalou 5,3 km/l de gasolina em uso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada. Nota 6.
Conforto - Espaço não falta no Edge. Há generoso vão para as pernas e cabeças de todos os cinco ocupantes. A suspensão foi bem dosada para os padrões brasileiros de vias e estradas, absorvendo bem as irregularidades sem fazer do crossover um chocalho por dentro. O isolamento acústico é eficiente para o motor, mas os barulhos de rodagem invadem o habitáculo além do desejável. Nota 8.
Tecnologia - Trata-se de uma plataforma moderna, datada de 2005, com monobloco e carroceria com boa rigidez. Além disso, conta com motor V6 em bloco de alumínio, controles de estabilidade, freios com ABS e EBD, seis airbags e o moderno sistema de entretenimento e conectividade Sync, que reúne DVD, CD player, MP3, Bluetooth em uma tela sensível ao toque e com comandos de voz, além da prática memória de 10 Gb que permite deixar gravados músicas, vídeos e fotos. Só que o sistema de navegação integrado ao Sync não tem mapas do Brasil e o comando de voz conta apenas com os idiomas inglês, francês e espanhol. Nota 8.
Habitabilidade - O porta-malas oferece um bom espaço e o sistema de abertura da tampa do bagageiro é elétrico - pode ser feito tanto por dentro quanto na chave. Além disso, há a praticidade de rebater os bancos traseiros também eletricamente através de um botão dentro do porta-malas. Como num típico veículo norte-americano, há espaços e porta-trecos para acomodar toda a sorte de objetos. O modelo avaliado não vinha com bagagito para esconder as bagagens do porta-malas, mas a Ford jura que o equipamento é de série no Edge. Nota 9.
Acabamento - O Edge não oferece materiais de extremo requinte, mas as peças e forrações aparentam boa qualidade. Os fechamentos e encaixes são precisos, só que é possível encontrar algumas rebarbas pouco edificantes para um modelo de R$ 150 mil. Nota 7.
Design - É um crossover que consegue mesclar a imponência de um utilitário esportivo com o arrojo de um carro de passeio. E acompanha a tendência de design, chamada de Bold pela Ford, já empregada no Fusion. Nota 9.
Custo/benefício - Se a intenção da Ford era colocar o Edge para brigar com outros crossovers, o fato de ser trazido do Canadá, país com o qual o Brasil não tem acordos alfandegários, dificultou. Ao preço de R$ 149.700, o modelo acaba por brigar com utilitários esportivos mais autênticos e com maior disposição off-road, como Mitsubishi Pajero Full GLS 3.9 (R$ 152.990) e Nissan Pathfinder SE 4.0 (R$ 162.440). Nota 7.
Total - O Ford Edge SEL 3.5 V6 somou 80 pontos em 100 possíveis.NOTA FINAL: 8,0.

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