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06/03/2009 - 20h00

Mitsubishi Eclipse Spyder GT esbanja charme longe do Brasil

Da Auto Press

Aproveite bem a imagem acima, porque esse carro não será visto por aqui

Dentro da implacável lógica capitalista, modelos conversíveis são comuns nos países ricos e raros no Brasil. Um exemplo de conversível que roda por lá e dificilmente vai dar as caras nas terras brasileiras é o Eclipse Spyder. Fabricado em Normal, no Estado americano de Illinois, o esportivo cabriolet da Mitsubishi tem entre seus concorrentes o Pontiac Solstice e o Nissan 350Z Roadster Enthusiast.

Baseado no modelo cupê, o Spyder chega à quarta geração em terras ianques. No Brasil, apenas a versão fechada do esportivo é comercializada, assim como acontece com o seu rival, o Nissan 350Z. As últimas alterações estéticas do Spyder foram realizadas em 2008. Essas mudanças apareceram nos para-choques traseiros, na mesma cor da carroceria do veículo, e na grade frontal, que recebeu detalhe de acabamento preto. Tais mudanças deram ao veículo um ar mais robusto, seguindo as formas do Lancer Evolution.

O Spyder tem duas versões, assim como o Eclipse cupê. A primeira é denominada GS e tem motor 2.4 litros, 164 cv e 23 kgfm de torque a 4 mil rpm. A segunda e a mais potente é a V6 de 3.8 litros, com 268 cv e torque de 36 kgfm a 4.500 rpm. A caixa de câmbio para as duas versões pode ser de seis marchas manual ou automática de cinco velocidades com opção de mudanças sequenciais. Entre os itens de segurança estão o controle eletrônico de tração, quatro airbags -- dois frontais e dois laterais -- e freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD.

Por aqui, apenas a versão GT cupê do Eclipse, com motorização semelhante ao esportivo norte-americano, ainda é vendida -- foram 133 unidades emplacadas no ano passado. Este baixo volume de vendas e a comparação entre preços dá uma pista para explicar o diminuto número de conversíveis no país. Enquanto o Eclipse GT cupê importado do Japão 2008/2008 custa, no Brasil, R$ 159.990 com câmbio automático e R$ 146.990 com o manual, nos Estados Unidos o Spyder GT manual é vendido por US$ 25.644 -- cerca de R$ 61 mil --, enquanto a versão automática sai por US$ 28.844 -- algo em torno dos R$ 69 mil.
(por Jorge Alexandre Araújo)

A LIBERDADE DO SPYDER GT
Os principais benefícios a bordo do Eclipse Spyder 2009 são a liberdade, o som do motor e, claro, o fato de ser conversível. Desde 1989, o Eclipse passou por quatro mudanças que geraram estéticas e mecânicas diferentes umas das outras. A primeira versão foi alterada devido à semelhança com veículos da concorrente Nissan. A segunda aplicou linhas curvas para obter o aspecto de um carro maior, que depois desapareceram na terceira versão, a menos atrativa.

FICHA TÉCNICA
Mitsubishi Eclipse Spyder GT
Motor: Gasolina, dianteiro, 3.800 cm³, com seis cilindros em "V", quatro válvulas por cilindro e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio automático de cinco velocidades e opção de modo sequencial. Tração dianteira. Controle eletrônico de tração.
Potência: 268 cv a 6 mil rpm.
Torque: 36,2 kgfm a 6 mil rpm.
Diâmetro e curso: 95,0 mm x 90,0 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente com braços múltiplos, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente com braços múltiplos, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora.
Freios: A discos ventilados na frente e discos rígidos atrás. ABS e EBD.
Carroceria: Conversível em monobloco, com duas portas e quatro lugares. Com 4,58 metros de comprimento, 1,83 m de largura, 1,38 m de altura e 2,57 m de entre-eixos.
Peso: 1.702 kg.
Porta-malas: 147 litros.
Tanque: 67 litros.
Neste carro, a aparência não é sincera. Isso porque há um contraste de um veículo com motor V6, que soa como esportivo, tem um conteúdo completo, mas alguns detalhes o impedem, de fato, de ser um esportivo nato. Poucos carros que são desta categoria, ou que pretendem ser, são confortáveis e geralmente não são agradáveis ao uso diário devido às suspensões duras. A esportividade também afeta a habitabilidade. Porém, no caso do Spyder, que custa 386.900 pesos no México -- cerca de R$ 59 mil--, é possível sentir um bom nível de conforto. Ele abriga bem duas pessoas altas mas, como em todos os conversíveis, o espaço para joelhos é quase nulo. E os elementos de estamparia são agradáveis ao toque.

A caixa de câmbio tem a primeira e a segunda marchas escalonadas para um dia de tráfego pesado, onde é complicado andar a mais de 15 km/h. É preciso lembrar que se trata de um veículo com tração dianteira e qualquer aceleração mais brusca pode levar a solavancos. De qualquer maneira, o Eclipse Spyder responde muito bem às pisadas no acelerador e está próximo ao chão, o que gera uma boa estabilidade e nos faz voltar para a realidade que se trata mesmo de um esportivo.

Mas podia ser melhor. Existe um ponto negativo que é o sistema de freios. O equipamento não se comporta como deveria para um carro desta categoria. O Spyder deveria proporcionar uma sensação melhor de segurança ao brecar, o que não se nota. Isto é uma característica fundamental em um veículo como este.

Mas, ao que parece, os engenheiros não levam o Spyder muito a sério. Ou são mais cuidadosos no que diz respeito ao Lancer Evolution X e ao Ralliart, modelos Mitsubishi que fazem jus à história e ao mundo dos automóveis rápidos.

(por Ricardo Silverio, do Autocosmos.com/México, para a Auto Press)

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