UOL Carros

05/03/2009 - 20h11

Punto T-Jet agrada com visual e pegada esportivos

EUGÊNIO AUGUSTO BRITO
Enviado especial a Belo Horizonte (MG)*
Atualizada às 15h52 de 6/3

Quase cinco meses após lançar o Linea T-Jet, a Fiat sacia a vontade de quem aguardava pela chegada do motor 1.4 16V turboalimentado num modelo com mais jeito de carro turbo. O Punto T-Jet -- ou Punto Turbo, como certamente vai ficar conhecido -- foi apresentado à imprensa nesta quinta-feira (5), em Belo Horizonte (MG). Com motor de 152 cavalos de potência (a 5.500 rpm) e torque de 21,1 kgfm (entre 2.250 e 4.500 rpm), o hatch chega com visual invocado, oferecendo as cores amarelo, vermelho, branco ou preto, mais grade e para-choque novos, faróis com máscara negra, lanternas com bordas escurecidas e rodas esportivas de 17 polegadas emprestadas do Punto Abarth.

Bruno Gonzaga/Divulgação

Nada como um pouco de agressividade visual, certo? Grades e máscara negra, entre outros detalhes da versão T-Jet, desfazem a placidez do Punto e deixam o hatch mais apimentado


Tudo feito para marcar presença e dar a idéia de que guiá-lo será uma experiência, no mínimo, divertida. O preço, de R$ 59.500, não chega a assustar (como fez o sedã, que chegou beirando os R$ 79 mil e, agora, custa R$ 73.850), já o carro vem bem completo.

O Punto turbo completa a gama do hatch, que começa com a versão 1.4 flex (a R$ 38.368), passa pela ELX 1.4 flex (R$ 42.166), HLX 1.8 flex (R$ 45.293) e, desde 2007, terminava com o Sporting 1.8 flex (R$ 52.898). Vale lembrar que, assim como o Linea T-Jet, o Punto T-Jet bebe apenas gasolina.

De série, o modelo traz chave do tipo canivete, ar-condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, alerta de velocidade, volante com regulagem de altura e profundidade e revestido em couro com comandos de rádio e telefone, banco do motorista com regulagem de altura, sistema de som para CD e MP3/Bluetooth, airbag dianteiro duplo, freios a disco nas quatro rodas e ABS (antiblocante) e EBD (distribuição de frenagem), além de sensor de estacionamento. Os opcionais são o teto solar panorâmico (Skydome), ar-condicionado digital, sistema Blue&Me com navegador (como no Linea), sidebags dianteiros e windowbags, parafusos antifurto nas rodas e o kit com sensor de chuva e crepuscular (faróis) e espelho interno com antiofuscante automático.

DIVERTIDO
Ao abrir a porta, fica difícil conter o sorriso. O Punto turbo manteve sua personalidade jovem e tecnológica -- é esse o tipo de público que ele atenderá -- ao trazer apenas o motor, mas não a sisudez, do Linea. A cor externa é aplicada ao miolo do painel, com se esse fosse uma continuação da carroceria, o que dá um aspecto esportivo retrô. O tom é (acertadamente) fosco, com o acabamento da moldura do console central esmaltado.

OVO DE COLOMBO NO ACABAMENTO
Divulgação

Se você comprar um Punto T-Jet amarelo...

...a mesma cor estará também no miolo do painel;

as belas rodas de liga-leve de 17" são de série
E aqui cabe revelar um segredo: um dos membros da equipe de produção da Fiat contou que, até pouco tempo após a fase de testes, já na preparação do material de divulgação, a cor do painel também era esmaltada -- mas no final venceu o fosco. A parte plástica, na cor preta, é agradável ao toque das mãos, embora rígida (isso no painel, porque o plástico da cobertura do porta-malas mostra qualidade inferior).

A posição de dirigir é adequada, com o motorista bem encaixado e bem posicionado em relação ao volante e ao câmbio. O revestimento dos assentos traz mescla de couro e tecido, com costuras prateadas, apliques em silicone e o logo T-Jet bordado, completando o ar de esportividade e arrojo do modelo. O senão fica para os forros lateral e do teto, em tecido claro que destoa completamente do modelo -- embora sirva para dar a impressão de espaço interno mais amplo. Haverá quem possa estranhar a ausência dos cintos de segurança vermelhos do Punto Sporting -- mas, de acordo com a fábrica, a cor cinza encontrada no T-Jet evita que o interior do modelo "grite" demais. Pedaleiras e apoio para o pé esquerdo cromados compensam os deslizes.

QUER APARECER?
Externamente, o Punto T-Jet também parece ter sido concebido totalmente para chamar a atenção: as rodas aro 17 em tom escuro, calçadas com pneus 205/50 R17, parecem maiores e transmitem, ao mesmo tempo, esportividade e robustez ao conjunto. Elas são ornadas por molduras pretas para os para-lamas, que se unem às saias laterais na mesma cor.

A frente traz um formato diferenciado em relação ao resto da família Punto, com para-choques maiores por conta da inclusão de nichos para os faróis de neblina e da diminuição da grade frontal superior -- além de menor, ela agora circunda (e não apenas abriga) o logo da fabricante. Escapamento de ponteira dupla cromada, luzes de direção prateadas, faróis com máscara negra e lanternas com o contorno escurecido completam o visual -- que com certeza é esportivo.

UOL Carros pode testar o ritmo do Punto T-Jet num percurso de pouco mais de 47 quilômetros, na Linha Verde, misto de via expressa e rodovia que liga Belo Horizonte ao aeroporto de Confins. Apesar do trajeto na estrada, foi bom dar de cara com um trecho mais "urbano" -- devido ao grande tráfego de veículos: isso permitiu avaliar as característcias do hatch turboalimentado em condições próximas às do dia-a-dia das grandes cidades, com muito trânsito, cruzamentos travados e necessidade de retomadas e acelerações rápidas e constantes.

Mesmo com a pegada esportiva, o Punto mostrou duas ótimas qualidades para quem enfrenta o anda-e-para. Mesmo com o motor ligado, a cabine se mostrou silenciosa, isolada do tumulto externo, e com bom espaço para pernas e braços. Vale destacar, também, o belo conjunto de mostradores do T-Jet, com grafismo branco e iluminação entre o vermelho e o laranja.

O QUE HÁ SOB O CAPÔ
Divulgação

Acima, o motor T-Jet 1.4, que, coberto com capa plástica, passa a ideia de um superpropulsor; abaixo, as curvas de potência e de torque do propulsor
FICHA TÉCNICA COMPLETA
Um detalhe, porém, se mostra um tanto confuso: velocímetro e conta-giros contam com escala dupla -- que vai de 0 a 240 km/h e de 10 a 230 km/h, no primeiro, e de 0 a 8.000 e de 0 a 7.500 giros, no segundo. Com algum tempo, a tendência é ignorar a escala secundária e se basear apenas na indicação principal, maior e de mais fácil leitura. Indicadores de temperatura do motor e nível de combustível completam o conjunto, juntamente com a tela do computador de bordo, que pode indicar, entre outras funções, o nível de pressão do turbo num gráfico de barras.

COMO ELE ANDA
Com o pé direito trabalhando, pode-se perceber que o Punto turbo está mais vivo e esperto. No Linea, a função do motor sobrealimentado era extrair mais de menos -- um motor menor e com menor nível de emissões agindo como um maior e mais guloso. No hatch, a turbina de baixa inércia IHI RFH3, com sobrealimentação de até 1 BAR e intercooler, está totalmente a serviço da performance. A impressão é de que se tem, no geral, um carro com motor de maior capacidade, ampliada pelo ronco mais grave, que espanta aquele silêncio inicial (mas de forma prazerosa).

É interessante notar como, saindo de um semáforo, o motor "empurra" com disposição os 1.230 kg do Punto ao comando do acelerador. Mas é sempre necessário pisar com um pouco mais de ímpeto, porque até os 1.000 giros o motor trabalha devagar, como um 1.4 comum, só abrindo o turbo pouco acima das 2.000 rotações. Principalmente em segunda marcha, e notadamente quando ela é selecionada em reduções, têm-se a impressão de se cair num "buraco" (como ocorreu no teste do Linea), com direito a uma mordaça no motor e a uma "zerada" da barra do indicador de turbo. A solução é manter, em primeira, um regime mais elevado de giros e, em segunda, abusar do acelerador.

Outro senão está no conjunto do câmbio, mole e impreciso em alguns engates, apesar da fábrica garantir ter feito um ajuste especial para o modelo. A Fiat também diz ter retrabalhado o conjunto de suspensões (dianteiras 17% mais rígidas, com as traseiras 8% mais soltas), amortecedores e barras estabilizadoras. Na pista, é possível notar que o carro lê melhor o asfalto, passando sem sobressaltos por imperfeições e até com suavidade por obstáculos.

CURVA E RETA
Nas curvas, o Punto passou muita segurança, se mostrando preso ao solo mesmo em velocidade maiores que as pedidas pelo bom senso. E, no momento de parar, nada de trepidações no pedal -- os discos de 284 mm (frente) e 251 mm (traseira) e o ABS de última geração (Bosch 8.1) com distribuição eletrônica da força de frenagem (EBD) mostraram capacidade para ancorar o veículo.

O carro ganha velocidade rapidamente e passa fácil da marca dos 100 km/h em terceira marcha. Com tráfego e limitação de velocidade da pista, não foi possível avaliar os números divulgados pela Fiat para aceleração (0 a 100 km/h em 8,4 s) e velocidade máxima (203 km/h), mas o consumo indicado pelo computador de bordo ficou na casa dos 8,4 km/l (longe dos 12,3 km/l na cidade e 16,4 km/l na estrada anunciados oficialmente pela marca). A boa notícia é que foi possível perceber que, mesmo com o alerta sonoro e visual de velocidade excedida (estava programado em 110 km/h), o Punto pedia por pressão no pedal, enquanto o motor se mostrava disposto a entregar muito mais.

* Viagem a convite da Fiat

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