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22/02/2009 - 11h21

Tecnologia coloca comandos automotivos na ponta dos dedos

da Auto Press
Um sistema interativo, personalizado e com uma tela sensível ao toque à frente dos motoristas. Nele, o sistema Drag&Drop apresenta gráficos e pastas ao toque dos dedos, exibe imagens da traseira do veículo na hora de engatar a ré, além de oferecer visão noturna para identificar pedestres e carros à frente. E não se trata de um notebook no colo do condutor. Essa é a tendência para painéis e mostradores dos automóveis. No futuro nem tão distante, o motorista vai poder escolher as cores do quadro de instrumentos e organizar as informações como quiser. E também manusear e comandar diversas operações no display aproximando as mãos da tela de cristal líquido de altíssima definição, que também vai obedecer ao comando de voz. É um cenário que deve se concretizar a longo prazo, mas muitas das tecnologias já são realidade em alguns automóveis.

Murilo Góes/UOL 
Acima, a tela do sistema multimídia de informação e entretenimento do BMW Série 7

As telas sensíveis ao toque existem em diferentes modelos. Na Europa, já é rotina ver automóveis e comerciais leves com navegadores GPS touch screen integrados ao painel. Um sistema que, para especialistas do setor, além de prático, é ergonomicamente mais eficiente. Além de, em larga escala, reduzir custos, ideia que a indústria automobilística venera. "Você começa a ter aplicação do touch screen tanto pelo aspecto visual e de apelo tecnológico, como redução de custos, pois diminui uma série de chaves e de contatos mecânicos", explica Jomar Napoleão, vice-presidente do Comitê de Automóveis de Passeio da SAE Brasil (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade).

O executivo da entidade, aliás, acredita que a tecnologia não está longe da realidade brasileira e que pode surgir em produtos nacionais em dois ou três anos. Até porque, não se trata de um sistema tão complexo. "A tecnologia de mouse e de barras de rolamento que comandam informações na tela, por exemplo, não é muito distante da usada no touch screen", ressalta Alfredo Guedes, engenheiro de produção da Honda. E a própria tecnologia já tem uma evolução. Com o "touch less" -- ou telas sensíveis à aproximação -- não é preciso nem tocar no visor. "É uma tecnologia que ainda está longe de ser sedimentada, mas é o futuro", aposta Alexandre Abreu, gerente de engenharia eletroeletrônica da Fiat.

ACELERADAS
- A tecnologia em quadros de instrumentos e displays está dentro de um estudo de engenharia que se chama HMI (Human Machine Interface).
- Apesar de surgir nos anos 90 como uma referência de avanço tecnológico, os velocímetros digitais não se propagaram e hoje existem em modelos específicos, como na maioria da linha Citroën e no Honda Civic.
- A BMW possui um sistema chamado "head-up display", desenvolvido para caças supersônicos e que projeta informações do quadro de instrumentos no para-brisa. O mesmo dispositivo é aplicado em outros carros de luxo, como o Citroën C6.
- Os painéis gráficos surgiram em carros nacionais nos anos 80 e 90 na linha da General Motors, em modelos como Monza, Kadett, Vectra e Omega.
- O sistema bargraph, mostradores por barras, começou a ser aplicado no início dos anos 2000 no Chevrolet Celta e nos Ford EcoSport e Fiesta. No entanto, clínicas de mercado fizeram os fabricantes voltarem aos ponteiros. Na contramão, o novo Fiat Palio adotou o bargraph, em 2007.
PERSONALIZAÇÃO
O futuro também aponta para aplicação de telas flexíveis. O próprio motorista vai configurar o seu display central e dispor as informações do jeito que preferir em telas reconfiguráveis já existentes em carros-conceito. Tudo aliado ao touch screen e em um sistema conhecido como Drag & Drop, usado atualmente em programas de computador e em aparelhos celulares mais modernos. Nele, o usuário arrasta pastas e arquivos tocando no visor. "Todo painel vai se tornar uma tela de computador, com uma flexibilidade enorme e a vantagem de não ter de procurar os botões", afirma Claudio Wilson Moles, gerente de engenharia elétrica da Ford, lembrando que o sistema também pode atuar junto com o comando de voz já aplicado hoje em alguns modelos para telefonia Bluetooth. "Faz o comando verbal, ele aparece e depois faz a seleção direta", explica Claudio.

A flexibilidade também deve surgir nos quadros de instrumentos. E em telas de cristal líquido de alta definição, similares aos televisores FullHD. Mas nada de domínio digital para velocímetros ou barras para consumo e temperatura do motor. A tendência é por quadros tradicionais com ponteiros, mas em mostradores gráficos. Onde o proprietário do veículo vai poder configurar os mostradores e os tons utilizados. Tecnologias que, no futuro, vão ser explorados também pelo marketing das montadoras. "Um painel com inovações tecnológicas mostra que o produto está na vanguarda", prevê Edson Orikassa, diretor de Tecnologia da AEA (Associação de Engenharia Automotiva).

Ilustração: Afonso Carlos/Carta Z Notícias


O CAMINHO DA LUZ
A iluminação dos quadros de instrumentos também evolui. Principalmente na busca por redução de custos e mais eficiência visual. Lâmpadas, por exemplo, estão em extinção. A esmagadora maioria dos carros nacionais e até dos caminhões aplicam LEDs (diodo emissor de luz) nos mostradores. "Um LED branco tinha um custo proibitivo. Hoje não. E o LED em si e sua própria evolução vai facilitar a tecnologia dos quadros de instrumentos no futuro", destaca Alexandre Abreu, gerente de engenharia eletroeletrônica da Fiat.

A evolução do LED já está aí. Chama-se OLED, um diodo emissor de luz orgânico, substituta do led atual. "Ele oferece uma claridade maior e tende a ter um custo menor. Alguns aparelhos de celular e televisores no Japão já usam essa tecnologia", exemplifica Claudio Wilson Moles, gerente de engenharia elétrica da Ford.

Em termos de iluminação, hoje também existe um sistema que mantém o quadro aceso, mesmo que os faróis ou lanternas não estejam ligados, como nos Honda Civic e Fit e no Toyota Corolla.

Ao mesmo tempo, outras tecnologias utilizam iluminações degradê, onde há um efeito de uma luz mais forte para uma mais fraca nos quadros. Uma tendência são os grafismos em relevo, que projetam determinadas informações e números do painel mais do que outras, como se fosse um falso 3D. "Na Europa já é uma realidade. Acredito que, em breve, estará no Brasil, com produção no país", aposta Abreu, da Fiat.
(por Fernando Miragaya)

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