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21/01/2009 - 14h51

GM anuncia queda nas vendas de 2008, e perde liderança mundial após 77 anos

Da Redação, com agências internacionais
A General Motors (GM), maior montadora norte-americana, anunciou nesta quarta-feira (21) que suas vendas mundiais caíram 10,8% em 2008, índice que termina com 77 anos de liderança da empresa no mercado automotivo mundial. A primeira posição fica com a japonesa Toyota, que já havia registrado melhores resultados no primeiro semestre de 2008, e reportou ter fechado o ano com um total de 8,97 milhões de unidades vendidas ao redor do mundo. A GM, por sua vez, comercializou 8,36 milhões de automóveis, 616 mil unidades a menos que a rival. As informações foram divulgadas pelo boletim "Automotive News".

Através de um comunicado, a GM explicou que a queda nas vendas em 2008 "reflete as pressões econômicas mundiais, principalmente um ajuste de crédito, a queda dos preços das matérias-primas e a ausência de crescimento".

Em 2007, a disputa entre as duas montadoras já havia sido acirrada, mas na ocasião a GM venceu por apenas 3.100 veículos -- número contestado pela rival, assim como por analistas do mercado, por incluir a participação de uma marca chinesa da qual a GM não era totalmente dona.

A Toyota já havia ocupado a primeira colocação em vendas em 2008, no fechamento dos números para o primeiro trimestre e também para o primeiro semestre do ano.

Até as 15h15 (hora de Brasília) desta quarta-feira, o site internacional da GM mantinha a informação de que a companhia é a maior fabricante de carros do mundo.

Mas segundo Fritz Henderson, presidente da GM, manter o posto de maior montadora do planeta não seria algo "extremamente importante", uma vez que o foco da empresa no momento está em se fortalecer economicamente.

De fato, a marca não registra lucro desde 2004 e já havia programado uma série de cortes -- de despesas e também no quadro de funcionários --- para elevar sua liquidez em até US$ 15 bilhões de forma a manter a sanar as perdas registradas em 2008 e manter-se viva.

Outra ação da montadora será se enxugar sua estrutura, concentrando forças apenas nas marcas que garantiram suas vendas em 2008 -- Chevrolet, Buick, Cadillac e GMC -- e se desfazendo das demais.

A queda nas vendas no mercado doméstico e na Europa, principalmente, levou a GM a definir, ainda em outubro, o ano de 2008 como perdido, e provocou o agravamento da situação da montadora, que chegou a negociar sua falência com credores e empregados, ao lado da Chrysler, terceira maior montadora dos Estados Unidos e que também está em situação de penúria.

Atualmente, a GM vem pagando suas contas graças a um empréstimo de US$ 4 bilhões recebido do governo norte-americano, parte de um fundo de resgate de US$ 17 bilhões para as três grandes montadoras do país -- além de GM e Chrysler, a Ford também entraria na conta, embora ainda não tenha aceitado a ajuda.

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    GM PELO MUNDO
    A perda da liderança mundial pela GM é reflexo, principalmente, do péssimo momento enfrentado no mercado doméstico, onde as vendas caíram 22,5% no último ano, na América do Norte como um todo (queda de 21,1%) e na Europa (baixa de 6,5%).

    E nem mesmo a boa situação vivida por braços da montadora em outras regiões ajudaram a melhorar seu balanço geral. O grupo registrou um aumento de 3,3% nas vendas de suas marcas para os mercados da América Latina, Oriente Médio e África, e de 2,7% para o da Ásia-Pacífico, índices insuficientes para manter o status de número um.

    GM NO BRASIL
    No Brasil, a marca Chevrolet (marca local da GM) fechou 2008 como terceira colocada, com pouco mais de 20% do mercado de novos, atrás de Fiat e Volkswagen, segundo a Fenabrave, entidade que representa lojas e revendedores.

    Mas, ainda segundo a entidade, a marca começa 2009 como líder do mercado de carros novos, ainda que temporariamente. De acordo com balanço válido para os primeiros quinze dias do ano, a Chevrolet aumentou sua participação para 22,80%, superando as rivais no mercado local.

    De toda forma, a marca afirma que as previsões de venda para 2009 precisam ser revistas e anunciou, nesta quarta-feira, que colocará em licença remunerada para mais de 1.600 funcionários. Na última semana, outros 740 funcionários haviam sido dispensados.

    TOYOTA
    Mesmo assumindo o posto de número um do mercado automotivo mundial, a Toyota tem pouco a comemorar, já que também sentiu os efeitos da crise financeira mundial, viu suas vendas encolherem, encarou prejuízo e ainda foi obrigada a revisar para baixo suas expectativas para os próximos anos.

    Em 2008, a marca perdeu 4% de suas vendas ao redor do mundo, puxadas principalmente pela queda na América do Norte, Europa e Japão. Especificamente nos Estados Unidos, mercado utilizado pela montadora japonesa para se consolidar na última década, a queda foi de 15,4% em 2008. O prejuízo foi de US$ 1,7 bilhão no último ano.

    Para tentar mudar a situação, a montadora anunciou na terça-feira a nomeação de Akio Toyoda, neto do fundador do grupo, como presidente da grupo.

    2009 FRIO
    E se a situação é ruim quando se observa o que ocorreu em 2008, o analista de vendas da GM, Mike DiGiovanni, prevê um 2009 aquém do esperado inicialmente.

    Segundo o analista, com as vendas para agências de aluguel de carros em queda livre, o mercado norte-americano pode recuar para menos 10 milhões de unidades, em termos anualizados, em janeiro.

    Na conta acumulada, para dezembro de 2009, a demanda ficaria abaixo das 10,3 milhões de unidades -- menor que as 10,5 milhões de unidades que a GM estava projetando como base para seu plano de recuperação que será entregue a autoridades dos EUA em fevereiro.

    DiGiovanni afirmou que a GM espera que estímulos fiscais aguardados nos EUA, China e em outros países poderão impulsionar a demanda no segundo semestre.

    "Estamos cautelosamente otimistas, enquanto caminhamos por 2009, de que poderemos estabilizar e crescer novamente", afirmou DiGiovanni à "Reuters".

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