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09/01/2009 - 20h41

Montadoras tentam manter otimismo, mas expectativa é de crescimento mínimo em 2009

Da Auto Press
Era para ser um ano tranquilo. Mas o impacto da crise global no fim de 2008 fez 2009 ser mais incerto para o setor automotivo brasileiro. É fato que a própria indústria já esperava um ritmo de crescimento menor para este ano que começa, mas depois de fechar o último ano com um crescimento de mais de 14%, contra as eufóricas projeções de 25% anteriores ao baque capitalista de setembro, as perspectivas agora são bem mais cautelosas. Ninguém fala abertamente, mas a ideia geral no mercado é de um crescimento abaixo de dois dígitos. "Vai ser um ano difícil. É irreal pensar que 2009 vai ser maior que 2008. O mercado não vai se recuperar tão rápido assim", admite Christian Pouillaude, vice-presidente comercial da Renault.

O impacto principal deve se dar no segmento de importados. Além do crédito mais criterioso e das taxas de juros maiores depois da crise, a variação do dólar é um complicador. A instabilidade da moeda norte-americana deixa as marcas na expectativa e até desestimula a importação de novos produtos para 2009. "A gente até trouxe a Odyssey para fazer uma clínica com potenciais usuários, mas com o dólar nervoso é complicado. É preciso primeiro o dólar estabilizar", reconhece Alberto Pescumo, gerente comercial da Honda Automóveis. "Qualquer plano para o futuro em relação a carro importado é prematuro", faz coro Tai Kawasaki, vice presidente comercial da Nissan.

ACELERADAS
- A medida que baixou o IPI tem duração até dia 31 de março de 2009. Após isso, as alíquotas voltarão às taxas anteriores: 7% para carros com motor até 1.0 litro; 13% para carros com propulsor a gasolina entre 1.0 e 2.0; e 11% para os veículos com motor flex entre 1.0 e 2.0.
- Os modelos com motorização acima de 2.0 litros não foram beneficiados pela redução nas alíquotas do imposto e continuam pagando 25% de IPI.
- Desde 2002 a indústria automobilística brasileira cresce, em média, 10% ao ano.
- Em outubro, pouco depois do início da crise global, o governo liberou R$ 8 bilhões para os bancos das montadoras ampliarem as linhas de crédito para carros zero.
- Pelo fechamento do ano da Fenabrave, em 2008 foram vendidas 2.671.338 unidades de automóveis e comerciais leves. Em dezembro, o total de licenciamentos foi de 183.919 unidades.
Mesmo assim, o novo ano promete uma leva de lançamentos. Estão previstos cerca de 50 novidades no mercado brasileiro para os próximos 12 meses. Ao mesmo tempo, as principais montadoras juram que vão manter os investimentos para fábricas, produtos e motores. Ou seja, as novas fábricas da Toyota em Sorocaba, da Hyundai em Piracicaba e a unidade de motores da General Motors em Joinville estão mantidas, entre outras. "De qualquer forma, em 2008 foi obtido mais um recorde no mercado. E a previsão inicial da GM para 2009 é de um crescimento de 5% e cerca de 550 mil unidades vendidas", acredita José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da GM do Brasil.

Um bom combustível para este esforço de ânimo é a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) implementada pelo governo federal em dezembro como um estímulo emergencial às vendas. Deu resultado. O mercado de automóveis e comerciais leves cresceu 10,6% na comparação com o mês anterior, enquanto novembro registrou uma queda de 26% em relação a outubro, antes das novas alíquotas. A expectativa, porém, é como esse mesmo mercado vai se comportar quando a tributação voltar ao "normal", em abril. "Só vamos saber mesmo como o mercado vai reagir a partir de 15 de janeiro, mas acho que vamos estabilizar as vendas num novo patamar e, mesmo depois de março esse patamar deve ser mantido", prevê o consultor Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive.

Mesmo assim, o futuro do setor ainda parece incerto para os próximos 12 meses. A Fenabrave, entidade que reúne os revendedores, que chegou a prever uma queda nas vendas de automóveis e comerciais leves em 2009, até se mostra mais animada e aposta em um crescimento de 4,2%. "Um crescimento de mais de 14% no ano passado mostra uma paralisação da queda e aponta uma possibilidade de retomada de crescimento", torce Sérgio Reze, presidente da entidade.

Outros, porém, mantêm o tom moderado. "Particularmente, acho difícil que o mercado cresça. Se tivermos o mesmo volume de 2008 em 2009 já diria que é um grande feito", diz Alberto Pescumo, da Honda.

MERCADO DE USADOS
Uma preocupação constante do setor é com relação ao mercado de veículos usados. Isso porque o crédito para veículos seminovos ficou ainda pior e muitas revendedoras não conseguem liquidez para esses modelos. Chegou-se ao ponto de algumas concessionárias recusarem usados como forma de entrada para a compra de automóveis zero-quilômetro. A queda na venda de usados chegou a quase 20% em dezembro na comparação com novembro.

A saída foi tentar incentivar a compra de seminovos. Alguns fabricantes optaram por conceder juros mais atraentes aos modelos usados, como a Ford, que estabeleceu taxas de 0,99%. Por outro lado, o preço médio dos veículos já rodados teve a maior queda desde 2000, com reduções de 2% a 10%, que variam de acordo com o modelo e o ano de fabricação.

"A única coisa que faz o carro usado vender bem é o preço praticado, ter financiamento e qualidade do produto. O mercado de usado é o mais transparente e já está se adequando e se recompondo", aposta Sérgio Reze, presidente da Fenabrave.
(por Fernando Miragaya)

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