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26/12/2008 - 23h13

Passat CC desembarca em 2009, mas antes revela seus atributos em autódromo mexicano

Da AutoPress
Especial para o UOL

Após o lançamento da sexta geração do Passat, no final de 2005, a Volkswagen resolveu introduzir uma terceira variante, que se soma as já conhecidas sedã e station wagon. O novo modelo foi batizado como Passat CC, sigla para Comfort Coupé, e segue a onda dos cupês de quatro portas e quatro lugares apenas, criada pelo Mercedes-Benz CLS em 2004. O objetivo da Volks com o novo modelo era evidente: reforçar a sua presença no mercado norte-americano. O local de lançamento, na última edição do Salão de Detroit, em janeiro de 2008, explicita esse alvo.
 


Foto: Ricardo Silverio/AutoCosmos.com
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Da produção anual de 300 mil unidades, cerca de 60% do total fabricado na Alemanha será destinado ao mercado norte-americano -- em planos anteriores ao agravamento da crise econômica. Nos Estados Unidos, o modelo foi rebatizado como Volkswagen CC, uma forma de separá-lo do sedã que lhe deu origem. Lá, a marca germânica ainda está associada a modelos de entrada, com custo/benefício vantajoso, uma imagem que dificulta a venda de automóveis mais caros, como o top Phaeton.

A plataforma é a PQ46, versão derivada e extendida da polivalente PQ35 -- que serve ao cupê Scirocco, ao SUV Tiguan, entre outros modelos do grupo. O CC divide a plataforma PQ46 com os outros Passat, com o cupê conversível Eos e com a segunda geração do Skoda Superb. Além das linhas, as medidas colaboram para distanciar os modelos. O CC possui 1,41 m de altura, contra 1,47 m do Passat convencional. Em comprimento, os 2,7 cm de diferença colaboram também para o seu longilíneo perfil, com 4,80 metros de um pára-choque a outro. A largura foi de 1,82 metro para 1,85 m, uma diferença que lhe dá um aspecto mais agressivo e assentado. O entre-eixos aumentou pouco, com 2,71 m contra 2,70 m do original.

O desenho do CC é marcado por um estilo mais dinâmico, em que o caimento do teto evidencia a pequena área envidraçada e a linha de cintura elevada. Visto de frente, a sua grande largura e pequena altura dão um tom mais arrojado. Os faróis seguem as linhas adotadas pelos modelos atuais da Volks na Europa. Os vincos laterais bem definidos alcançam a traseira curta, se ligam às lanternas e terminam em um spoiler integrado à tampa do porta-malas. As lanternas, a despeito da semelhança dos elementos duplos, possuem um recorte mais volumoso e arredondado, que se estende pelas laterais.

No interior, as modificações de estilo foram menos extensas. O Passat CC possui poltronas para apenas quatro passageiros, com um largo console no espaço que caberia ao ocupante central do banco de trás. As linhas do painel foram mantidas, com diferenças apenas no desenho e grafismo do quadro de instrumentos.

Em relação à mecânica, o CC se destaca mais pelos ajustes do que pela configuração, que é a mesma do sedã. O modelo conta com um motor quatro cilindros em linha 2.0 TFSI. O propulsor de 1.984 cm³ possui quatro válvulas por cilindro com duplo comando no cabeçote e injeção direta de combustível. Possibilitada por um turbocompressor de 0.9 bar de pressão e intercooler, a potência máxima gerada é de 202 cv a 5.100 rpm, com torque de 28,5 kgfm entre 1.700 rpm e 5 mil rpm.

Toda a potência é transmitida para as rodas dianteiras, ao contrário da versão V6 3.2 FSI, de 250 cv, que pode ser equipada opcionalmente com a tração integral 4Motion. Para auxiliar no despejo da cavalaria nas rodas dianteiras, o 2.0 TFSI conta com sistemas eletrônicos, como controle de tração e de estabilidade, além do bloqueio do diferencial. A suspensão é do tipo McPherson na dianteira e com múltiplos braços na traseira, com barras estabilizadoras em ambos os eixos. Os freios são a disco nas quatro rodas, sendo ventilados na frente, com ABS e EBD.
 

Ricardo Silverio/AutoCosmos.com  
Motor 2.0 l com turbocompressor de 0.9 bar de pressão e intercooler gera 202 cv

No Brasil, o CC vai desembarcar ainda no primeiro trimestre de 2009. Não foram definidos ainda os preços, mas no México ele acaba de chegar cotado em 385 mil pesos -- cerca de R$ 69.400, na versão 2.0 TFSI. É cerca de 18,5 % mais caro que o Passat sedã com a mesma configuração de motor e câmbio, que começa em 324.500 pesos -- algo perto de R$ 58.500. A configuração dos veículos que serão trazidos para o mercado nacional ainda não foi revelada. Passat sedã e Wagon estão disponível no Brasil em duas versões, 2.0 TFSI Comfortline e V6 3.2 4Motion, por respectivos R$ 124.060 e R$ 169.100. Se seguir o mesmo percentual mexicano -- 18,5 % -- sobre o preço do sedã, o CC deve custar em torno de R$ 147 mil, na versão 2.0, e R$ 200 mil, na versão 3.2.
(por Julio Cabral, da Auto Press)
 

FICHA TÉCNICA
Passat CC 2.0 TFSI
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.984 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo no cabeçotes. Injeção direta estratificada e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático de seis marchas a frente e uma a ré, com opção de trocas manuais.
Potência: 202 cv a 5.100 rpm.
Torque: 28,5 kgfm entre 1.700 e 5 mil rpm.
Diâmetro e curso: 82.5 mm x 92.8 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente McPherson, com duplos braços sobrepostos, molas helicoidais e amortecedores pressurizados e barra estabilizadora. Traseira independente com braços múltiplos, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade de série.
Freios: Discos ventilados nas quatro rodas. ABS e EBD de série.
Carroceria: Cupê em monobloco, com quatro portas e quatro lugares. 4,80 metros de comprimento, 1,85 m de largura, 1,41 m de altura e 2,71 m de entre-eixos. Oferece airbag duplo frontal, airbags laterais e do tipo cortina de série.
Peso: 1.530 kg em ordem de marcha. 453 kg de capacidade de carga.
Porta-malas: 532 litros.
Tanque: 70 litros.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES
O Passat CC é uma instigante combinação da elegância do Passat com a liberdade do Eos. Testado no Autódromo Hermanos Rodriguez, na Cidade do México, o modelo exibiu a efetividade dos 202 cv do TFSI. Seus 28,5 kgfm de torque poderiam parecer pouco para um veículo com um peso de 1.530 kg. Essa forma de pensar se mostra errada quando se assume o volante, uma vez que o seu motor turbo o movimenta com desenvoltura desde as rotações mais baixas. A sua caixa de câmbio é a Tiptronic de seis marchas, ainda que uma do tipo DSG, com dupla embreagem, não lhe caisse nada mal.

Comparar o Passat CC com o sedã normal, incluindo as versões Turbo e V6, não tem cabimento. A resposta do modelo é diferente, com um comportamento muito mais esportivo e boa aceleração. De imediato, foi possível sentir o seu controle nas curvas, assim como a capacidade de seus freios em desacelerar a sua tonelada e meia de peso. Em conjunto com a direção firme, essas características deixam sentir o automóvel e ir rápido para onde se aponta os olhos e o volante.

Após as primeiras voltas, o modelo deu confiança para se buscar o melhor traçado. Ao sair do boxe, com um breve acelerada, chega-se logo ao ponto de frenagem da primeira curva. Segue-se uma seqüência de voltas enlaçadas, que jogam rapidamente para direita-esquerda-direita, um trecho em que se pode sentir o controle do freio e da direção em manobras velozes. As curvas dão lugar a uma curta reta, que segue em uma zona de "esses". A última curva do setor é ampla, do tipo que engana se o piloto sair da trajetória ou abusar do acelerador.

Mas no caso do Passat era apenas uma questão de fazer correções com a direção, graças à suspensão firme que nos brinda com um grande controle. Esse controle em curva também se nota na parte dos "esses", onde foi possível acelerar durante todo o tempo. Bastava apontar o carro para a curva seguinte.

Na subida, constata-se a firmeza dos chassis e a sua neutralidade, a despeito do tamanho, peso e o fato do carro não ser um esportivo. A poucos metros da curva, bastava aliviar o acelerador e um tocar o freio para estabilizar o carro e poder começar a acelerar gradualmente até ver o fim da curva e sair à toda velocidade para a reta principal. No final da reta, o Passat CC atingiu a marca de 190 km/h.

Ao sair do circuito e encarar o trânsito sempre conturbado da capital mexicana, o modelo volta a ser um carro elegante para se circular confortavelmente pelo tráfego diário, alheio aos ruídos externos graças ao seu isolamento acústico. O Passat CC é um daqueles carros que oferecem duas personalidades muito distintas. Como um executivo que chega ao escritório calçando tênis.
(por Ricardo Silverio da Autocosmos.com, Cidade do México)

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