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22/12/2008 - 11h10

Toyota anuncia perdas de quase US$ 1,7 bilhão até final do ano fiscal

Das agências internacionais, com Redação
A montadora japonesa Toyota, maior fabricante de automóveis do mundo, anunciou nesta segunda-feira (22) que sofrerá as primeiras perdas de sua história no final do atual ano fiscal (2008-2009, que termina em março), ao atravessar "uma situação de emergência sem precedentes" motivada pela crise do mercado automotivo. A previsão é de que as perdas por operação cheguem a US$ 1,668 bilhão (até 150 bilhões de ienes), segundo afirmou o presidente do grupo, Katsuaki Watanabe, em uma entrevista coletiva em Nagoya.

A previsão da Toyota chega apenas um mês e meio depois do anúncio de corte em suas previsões com a publicação de seus resultados dos primeiros seis meses do ano fiscal. Caso se concretize, será a primeira vez que as contas da empresa entrarão no vermelho desde o início da publicação dos resultados financeiros em 1940.

A Toyota espera, no entanto, registrar lucros líquidos, mas reduziu suas previsões drasticamente de US$ 6,1 bilhões para US$ 560 milhões (de 550 bilhões de ienes a 50 bilhões de ienes).

TOYOTA ENTRANDO NO VERMELHO
AFP
Katsuaki Watanabe, presidente da montadora, fala em "urgência sem precedentes" e anuncia cortes
de produção e investimentos
"A companhia enfrenta uma crise sem precedentes e não pode evitar registrar um déficit operacional neste exercício", declarou à imprensa, em Nagoya (centro do Japão), o presidente da Toyota, Katsuaki Watanabe.

O que mais surpreende é que, até então, o grupo trabalhava com estimativa de lucro na casa dos US$ 6,67 bilhões (600 bilhões de ienes). No último ano fiscal, a empresa registrou lucro por operações US$ 25,235 bilhões (2,27 trilhões de ienes) e lucro líquido de US$ 16,465 bilhões (1,72 trilhão de ienes).

O construtor deixa, assim, um período de bonança financeira alimentada por uma forte demanda no exterior, principalmente nos Estados Unidos, de seus veículos híbridos. A crise financeira, que arrastou toda a economia americana, provocou o desabamento da demanda na primeira potência mundial.

Segundo a empresa, a forte valorização do iene em relação ao dólar e ao euro nos últimos meses terá um impacto negativo de 200 bilhões de ienes no resultado, uma vez que um iene muito caro dificulta as exportações de veículos para Europa e Estados Unidos e dizima os lucros da companhia obtidos no estrangeiro uma vez repatriados.

Os analistas afirmam que as previsões da Toyota demonstram que a crise está afetando a todos os construtores de carros e não apenas se restringe aos três grandes de Detroit -- General Motors, Chrysler e Ford.

Para os dois primeiros, a Casa Branca aprovou na sexta-feira um pacote de ajuda financeira US$ 17,4 bilhões a desembolsar de imediato.

REMÉDIO AMARGO
A Toyota afirmou que deverá cortar sua produção e investimentos para compensar a queda das vendas. Cerca de 3.000 empregos já foram cortados no arquipélago e a fabricante antecipou que congelará a colocação em andamento de sua nova fábrica no Estado americano de Mississipi e que também reduzirá sua produção na Índia.

"A companhia decidiu retardar ou revisar todos seus projetos destinados a incrementar suas capacidades de produção ou construção de novas fábricas", afirmou Watanabe.

Paralelo a isso, os construtores japoneses Suzuki Motor Corp. e Daihatsu Motor Co. anteciparam nesta segunda-feira que eliminarão mais empregos temporários, para fazer frente a menor demanda.

A Daihatsu, filial da Toyota, suprimirá entre 500 e 600 empregos até o final de março. A Suzuki eliminará 250 mais empregos, com o que o número de cortes anunciado desde outubro será de 850.

Com AFP e EFE

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