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19/12/2008 - 13h02

Obama apóia os US$ 17,4 bi de Bush a GM e Chrysler, e pede compromisso

Da Redação, com agências
Atualizada às 0h46 de 20/12

PERSONAGENS DA CRISE
Fotos: Reuters

No alto, o presidente dos EUA, George W. Bush, deixa sala da Casa Branca após anunciar o socorro às montadoras, nesta sexta (19); acima, Rick Wagoner e Bob Nardelli, chefões de General Motors e Chrysler, no último dia 5
O presidente eleito dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, manifestou nesta sexta-feira (19) sua concordância com as medidas para o resgate das fabricantes de automóveis daquele país, mas advertiu que "a paciência do povo americano está se esgotando". Obama disse que General Motors, Chrysler e Ford devem "aproveitar a oportunidade para apresentar um plano sustentável" de viabilidade.

Obama fazia referência ao anúncio, pelo presidente George W. Bush, de uma ajuda pública às três montadoras, que atravessam uma grave crise, para evitar que afundem pelos problemas financeiros. Os empréstimos alcançariam US$ 17,4 bilhões para GM e Chrysler. A Ford disse que, por enquanto, não tem necessidade do dinheiro.

Para Obama, as montadoras terão de adotar "medidas dolorosas", mas necessárias, para sobreviverem. Ele também indicou que as medidas do presidente republicano são "um passo necessário" para evitar o afundamento do setor automotivo americano, que viu a crise se agravar devido à drástica queda nas vendas nos últimos meses. O colapso do setor, explicou Obama, "teria tido conseqüências devastadoras em nossa economia e entre nossos trabalhadores".

A AJUDA
O presidente Bush anunciou nesta sexta a ajuda emergencial às montadoras GM e Chrysler. A oferta é de até US$ 17,4 bilhões em empréstimos, com US$ 13,4 bilhões disponíveis já neste mês -- no dia 29 -- e em janeiro. O dinheiro vem de um fundo de US$ 700 bilhões, originalmente destinado a ajudar instituições financeiras em dificuldades.

Deixar que GM e Chrysler falissem "não seria uma ação responsável", afirmou Bush numa transmissão feita a partir da Casa Branca na manhã desta sexta. O valor pedido inicialmente pelas montadoras era de US$ 34 bilhões.

O anúncio de Bush é uma resposta à reprovação de um pacote de ajuda às montadoras que foi, na semana passada, barrado no Senado norte-americano, mesmo após ser aprovado pela Câmara dos Representantes. Os responsáveis pela derrota foram os republicanos, partidários de Bush. No entanto, o atual presidente vinha defendendo a medida há algumas semanas. Obama, o presidente eleito, sempre foi a favor.

As condições para a ajuda anunciada nesta sexta por Bush são similares às do pacote derrotado no Senado. Deverão fazer concessões os executivos (que terão salários limitados), trabalhadores e acionistas das duas companhias. Ambas têm até 31 de março para apresentar planos que garantam sua viabilidade a longo prazo, e também sua capacidade de competir com as marcas estrangeiras que operam nos EUA. GM, Ford (que ainda não precisou de injeção de dinheiro, mas que pediu uma linha de crédito especial) e Chrysler são as maiores montadoras norte-americanas, nesta ordem. Em termos globais, GM e Toyota disputam palmo a palmo a liderança em vendas.

DETROIT 2 OU 3?
De acordo com fontes da indústria, o socorro conjunto a GM e Chrysler aumenta a possibilidade de que as duas companhias venham a se fundir. A tese não é nova -- entre executivos e "insiders" do mundo automotivo, ela já circula abertamente há meses, sempre tendo a Chrysler como elo mais fraco, vale dizer, a empresa que seria absorvida ou pela GM, ou pela Ford.

Dessa forma, o epíteto "The Detroit 3", ou "as três de Detroit" (cidade dos EUA que é a base de GM, Ford e Chrysler), teria de mudar para Detroit 2. Isso porque, na prática, a Chrysler -- que detém as marcas Dodge e Jeep -- deixaria de existir como é conhecida atualmente. Teria de cortar diversos modelos de seu portfólio homônimo e da Dodge. Por outro lado, a marca Jeep é muito forte e teria fôlego para "rodar sozinha".

O TAMANHO DE CADA UMA
A GM emprega no mundo todo cerca de 265 mil pessoas. A quantidade de empregos indiretos que gera, inclusive ao longo da cadeia produtiva, é incalculável. Só nos EUA, é dona das marcas Buick, Cadillac, Chevrolet, GMC, Hummer, Pontiac e Saturn (algumas delas candidatas a serem vendidas). Na Europa, opera como Opel, Vauxhall e é dona da Saab. No Brasil, é representada pela gravatinha da Chevrolet.

A Chrysler LLC separou-se da Daimler em 2007 e desde então pertence majoritariamente a um fundo internacional de investimentos, que leva o sugestivo nome de Cerberus (a Daimler revete cerca de 20% de participação). São 58 mil funcionários em todo o mundo. No Brasil, o grupo opera somente por meio de importação.

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