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19/12/2008 - 19h08

Reduções do IPI e do IOF reaquecem vendas, mas executivos mantêm cautela

Da Auto Press
Foi uma espécie de presente de Natal antecipado. E com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no papel de Papai Noel. A canetada do governo, que reduziu o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis e o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para os financiamentos, provocou um sentimento de alívio entre as montadoras no Brasil. Depois do baque de 26% de queda nas vendas em novembro na comparação com outubro, a primeira semana após o reposicionamento tributário teve um aumento médio de 30% na comercialização de veículos em relação à semana anterior. Os números ainda são vistos com cautela, é verdade, mas até mesmo o pior dos pessimistas prevê um dezembro, senão com aumento nas vendas, pelo menos com índices próximos aos de novembro.

Ilustração: Afonso Carlos/Carta Z Notícias

Pacote fiscal revigora otimismo do mercado automobilístico brasileiro

A medida do governo foi estratégica para as montadoras e revela a importância que o governo credita ao automóvel na cadeia do consumo. Com o pacote baixado numa quinta-feira, as fabricantes tiveram tempo para repassar as novas tabelas para o fim de semana. E o consumidor também respondeu rápido. Tudo para poder usufruir dos descontos provenientes da alíquota zero para carros até "mil cilindradas" e de 6,5% e 5,5% para modelos com motorização entre 1.0 e 2.0, gasolina e flex respectivamente.

No fechamento da primeira quinzena da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), um prematuro, mas positivo sinal. Foram vendidas 86.649 unidades de autos e comerciais leves, número apenas 3,6% menor que a primeira quinzena de vendas de novembro. "O consumidor quer usufruir o momento. E as montadoras também aproveitaram. Além dos descontos, mantiveram bônus e descontos. Mostraram que houve bastante seriedade com o uso da redução do IPI", comemora Sérgio Reze, presidente da entidade.

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    Ainda é cedo, mas os números podem sinalizar dias menos nebulosos. Oficialmente, nenhuma montadora arrisca percentuais de crescimento ou de queda. Mas um otimismo disfarçado paira no ar entre os executivos e especialistas do setor.

    ACELERADAS
    - Os feirões da Renault no último fim de semana registraram aumento de 40% no fluxo de visitantes e de 20% nas vendas, em relação ao fim de semana anterior. Já nas praças onde não ocorreram feirões, o aumento ficou entre 10% e 15%.
    - Para financiamento de carros usados, as revendas da Ford praticam uma taxa de 0,99% ao mês, enquanto a taxa média geralmente varia entre 2% e 3,5%.
    - A medida que baixou o IPI vai durar até dia 31 de março de 2009. Após isso, as alíquotas voltarão às taxas "normais": 7% para carros com motor até 1.0 litro; 13% para carros com propulsor a gasolina entre 1.0 e 2.0; e 11% para os veículos com motor flex entre 1.0 e 2.0.
    - Os modelos com motorização acima de 2.0 litros não foram beneficiados pela redução nas alíquotas do imposto e continuam pagando 25% de IPI.
    - Os revendedores da Ford registraram um crescimento de 40% nas vendas no último fim de semana.
    "A redução do IPI já aumentou o fluxo nas concessionárias e dos negócios. As perspectivas são otimistas", garante Cledorvino Belini, presidente da Fiat. Tai Kawasaki, vice-presidente comercial da Nissan, afirma que "o fluxo e a procura aumentaram sensivelmente. Nosso feirão em São Paulo foi de quatro a cinco vezes maior que o de volume normal para um fim de semana."

    As metas, porém, são contidas, receita natural em tempos de crise. Até porque, é preciso estudar se a resposta do consumidor é mais por impulso ou pode se manter. "A gente teve um excelente resultado, muito em função da forma e da velocidade que conseguiu transferir essa redução do imposto para o preço final. Só precisamos saber se é uma demanda reprimida ou se pode ser projetado para os próximas semanas", pondera Ivan Nacano, gerente de Vendas da Ford. "O número de pedidos se igualou ao que tínhamos em julho e agosto, só resta saber se continua e o que vai acontecer quando acabar a ação, em 31 de março. Tudo vai depender do ritmo geral da economia", ressalta Cassio Pagliarini, diretor de marketing da Renault.

    Mas há quem vislumbre um ano novo menos pessimista do que estava sendo esboçado. Um início de 2009 mais estável em vendas, sem sustos, não parece mais tão utópico. Até porque as montadoras devem manter os descontos e os consumidores continuarão sempre em busca de um negócio bom e oportuno. "Não é só uma ponta que se favorece. É um benefício para o consumidor. Quem tem dinheiro fará um bom negócio. Mas só teremos um panorama melhor a partir de 15 de janeiro, para definirmos como o mercado vai reagir", sugere o consultor Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive. "O importante é transferir imediatamente esta redução de preço para que o mercado se reative rapidamente e retorne aos patamares do último mês de setembro", torce José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors.

    BOAS FESTAS
    A redução do IPI e do IOF também pode ter ajudado o Natal do consumidor que sonhava com o carro zero-quilômetro, mas precisava de um impulso para vencer o medo da crise. Afinal, a grande parte das montadoras repassou integralmente a redução da alíquota. Nos modelos de entrada, onde qualquer centavo de diferença pode ser fator de decisão de compra, os descontos foram interessantes. O Renault Clio Campus 1.0 de duas portas, por exemplo, passou a ter preço inicial de R$ 24.790 -- custava R$ 26.490. Já o Peugeot 206 Sensation Flex 4 portas 1.4 baixou de R$ 30.190 para R$ 28.440. O modelo nacional mais barato do mercado, o Fiat Uno Mille Economy 1.0 2p, passou de R$ 23.240 para R$ 21.754. Já o modelo mais em conta do mercado, o Effa M100, foi de R$ 22.980 para R$ 21.700.

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    Algumas marcas até deram descontos em cima dos bônus. O Ford Ka 1.0, por exemplo, que tinha preço de lista de R$ 26.460, vinha sendo vendido por R$ 24.900. Agora, passa a custar R$ 23.157. Modelos de segmentos superiores ficaram com descontos proporcionalmente interessantes. O Toyota Corolla XLi 1.8 desceu de R$ 61.975 para R$ 58.513. E até marcas "premium" entraram na dança dos preços. O Mercedes-Benz C200 Kompressor Classic, que custava R$ 151.900, foi para R$ 142.900, um desconto de R$ 9 mil. Afinal, a elite sempre gostou de fazer um bom negócio.
    (por Fernando Miragaya)

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