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13/12/2008 - 19h27

Peugeot-Citroën e Fiat estudam fusão, diz jornal italiano

Das Agências
França e Itália estão considerando uma potencial união entre as montadoras Peugeot-Citroën (PSA) e Fiat, informou o jornal "Milano Finanza" neste sábado (13). A informação surge apenas dias depois de o executivo-chefe da Fiat, Sergio Marchionne, afirmar que a empresa italiana precisa encontrar um parceiro para sobreviver à crise que enfrenta a indústria automobilística.

PSA E FIAT: TUDO EM FAMÍLIA
Fotos: divulgação


O grupo PSA Peugeot-Citroën e a Fiat já colaboram na produção de veículos utilitários; o resultado são produtos idênticos, diferentes apenas no logotipo e no nome. Na foto, de cima para baixo, Peugeot Bipper, Citroën Nemo e Fiat Fiorino
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, trabalham sobre a questão da possível fusão, afirmou o "Milano Finanza", citando fontes próximas ao gabinete de Berlusconi. O assunto coincide com o fato de o gabinete do premiê direitista estar estudando uma possível ajuda para o setor automobilístico.

A fusão com a PSA poderá ser discutida quando John Elkann, diretor da holding IFI, controladora da Fiat, se encontrar com Berlusconi na quarta-feira, afirmou o jornal. Um porta-voz do gabinete de Berlusconi disse que não há comentários oficiais sobre a reportagem. O porta-voz da Fiat não comentou o assunto.

Analistas afirmam que uma fusão PSA-Fiat faria sentido comercial já que ambas as empresas têm posições fortes no mercado de carros pequenos. Elas também têm já possuem joint-ventures no mercado de veículos comerciais e minivans -- existem no mercado modelos exatamente iguais de Peugeot, Citroën e Fiat, mudando apenas logotipo e nome.

Juntas, essas empresas fabricaram 6,2 milhões de carros no ano passado, quase o mesmo que a Volkswagen alemã e a francesa Renault-Nissan. A fusão faria da PSA-Fiat a quarta maior fabricante de automóveis do mundo em produção, depois da Toyota, General Motors e Ford-Mazda, dividindo a colocação com a Renault-Nissan e a Volks.

A PSA tem afirmado que não está procurando por parceiros, mas que deseja discutir aprofundamentos nas relações já existentes. Por sua vez, Marchionne, da Fiat, afirmou em entrevista ao Automotive News, publicada na segunda-feira passada, que espera que a indústria automobilística se consolide nos próximos dois anos, deixando seis empresas competindo globalmente.

2009, UM ANO DE SOMBRAS
As principais montadoras de veículos européias advertiram neste sábado sobre a perspectiva sombria para o setor em 2009, à medida que crescem os sinais de que a profunda crise que abate a indústria automobilística possa ir muito mais além de sua luta de vida ou morte nos Estados Unidos.

Os diretores da Renault-Nissan e da Fiat disseram que o mercado de automóveis pode cair mais no ano que vem, após as quedas acentuadas nas vendas que estimularam as três grandes montadoras dos EUA a pedirem um pacote de resgate ao governo, que foi rejeitado pelo Senado e levou a Casa Branca à prontidão para eventuais medidas.

A maior fabricante mundial de carros, Toyota, deve divulgar uma perda de cerca de 100 bilhões de ienes (US$ 1,11 bilhão) entre outubro e março, segundo informou a mídia japonesa neste sábado. As expectativas são de que a companhia corte sua previsão de lucro novamente. Outra grande produtora de carros na Alemanha, a BMW, que também vende carros Mini e limusines Rolls-Royce, está destinando uma ajuda financeira de pelo menos 100 milhões de euros (US$ 132,7 milhões) a sua rede de concessionárias.

O setor automotivo também poderia enfrentar novas pressões se os ministros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reduzirem a produção de petróleo acentuadamente, como está previsto, e conseguirem reverter a forte queda dos preços da commodity.

"Eu não vejo uma saída rápida para a crise no setor automotivo", disse Carlos Ghosn, chefe-executivo da Renault e de sua aliada, a Nissan Motor. Suas declarações foram reproduzidas pelos jornais "Le Figaro" e "La Tribune". "Nós ainda não chegamos ao fundo", acrescentou. Ghosn afirmou que a crise é sobretudo financeira, e que o setor depende muito do crédito. "Se os mercados financeiros continuarem como estão, todos nós acabaremos tendo problemas", afirmou.

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