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11/12/2008 - 00h24

Câmara dos EUA aprova US$ 14 bilhões para montadoras

Das Agências,
com Redação
Atualizada às 2h24

Os membros da Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovaram na noite desta quarta-feira (10) um pacote de socorro de cerca de US$ 14 bilhões para duas das maiores montadoras norte-americanas de veículos: General Motors e Chrysler. A medida busca manter as companhias em funcionamento, longe da falência, até março de 2009. A Ford, que vem afirmando estar em condições operacionais e de caixa mais favoráveis que as rivais, ficou fora do pacote, pelo menos por ora.

O texto foi acertado ao longo do dia entre negociadores da maioria democrata no Congresso, favorável ao plano, e a Casa Branca, que resistia ao socorro financeiro -- posição mantida pela maioria dos parlamentares republicanos. Acabou aprovado por 237 votos, contra 170. Somente 32 republicanos votaram pela ajuda.

O projeto prevê a liberação, de forma imediata, de até US$ 14 bilhões em empréstimos para GM e Chrysler, tendo como contrapartida uma série de medidas que cada uma terá de tomar para sanear suas finanças -- entre outras coisas, cortar os elevados salários de seus executivos, bem como os "agrados" multimilionários concedidos a eles em caso de demissão. Dias antes da votação, a GM dos EUA chegou a divulgar um mea culpa em forma de anúncio na mídia especializada, admitindo ter feito carros de qualidade inferior e propondo-se a alterar sua relação com os consumidores dos EUA -- dos bolsos dos quais, em última análise, sairá o dinheiro da ajuda.

O bom comportamento financeiro das companhias recebedoras do dinheiro deverá ser fiscalizado por um "todo-poderoso" designado pelo governo. Ele terá autonomia para retirar a ajuda e mesmo para decretar a falência das empresas. Outra medida que se assemelha a uma "estatização branca" de GM e Chrysler é o direito de o governo comprar, a um preço pré-estabelecido, ações das empresas em até 20% do valor do socorro.

BRIGA NO SENADO
O pacote ainda terá de passar pelo Senado dos EUA, onde suas perspectivas de aprovação não são tão favoráveis, segundo analistas. Lá, os republicanos têm mais chances de atrapalhar a concessão do socorro, ou mesmo de derrubá-lo. A maioria democrata é de apenas um senador, incluindo dois independentes que fecham com as posições do partido. São 50 votos -- mas são necessários 60 (de um total de 100) para aprovar o pacote no Senado.

De acordo com a CNN, o valor de US$ 14 bilhões ficou US$ 1 bilhão abaixo do esperado, e é menos da metade dos US$ 34 bilhões aventados inicialmente como necessários para salvar as montadoras (o valor incluía a Ford). A GM deve usar US$ 10 bilhões até o final de março de 2009 (US$ 4 bilhões em regime de urgência), e a Chrysler, hoje pertencente a um fundo internacional de investimentos, ficaria com os restantes US$ 4 bilhões.

No Brasil, executivos da General Motors e da Ford vêm afirmando que a situação delicada de suas matrizes não vai barrar investimentos locais já definidos. A GM planeja lançar quase 20 novos modelos no Brasil até 2012, e a Ford, seis carros inéditos apenas em 2009. A Chrysler, que controla também as marcas Dodge e Jeep, não tem produção própria no Brasil. Os governos federal e de São Paulo injetaram R$ 8 bilhões (metade cada um) em bancos e financeiras ligados a montadoras, numa tentativa de manter a oferta de crédito ao consumidor para a compra de carros a prazo.

GM AGRADECE E APELA
A General Motors dos EUA divulgou uma nota oficial agradecendo a aprovação da ajuda financeira pela Câmara dos Representantes, e pedindo uma rápida tramitação dela no Senado. O texto, na íntegra, diz o seguinte:

Agradecemos à Câmara e sua liderança pelo voto bipartidário para apoiar as montadoras domésticas dos Estados Unidos neste momento tão crítico para a economia da nação. O voto da Câmara nos deixou mais pertos de salvar empregos e criar uma indústria automotiva norte-americana mais competitiva, para manter a vitalidade da economia nacional. Encorajamos o Senado a agir em breve, para que continuemos a toda velocidade na reestruturação e nos planos de tecnologias avançadas que darão forma a uma General Motors mais forte e mais viável.

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