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05/12/2008 - 20h10

Vendas de veículos zero levam tombo em novembro graças à crise de crédito

Da Auto Press
A "ajuda" governamental no início de novembro teve um objetivo maior de tranqüilizar o mercado do que propriamente salvá-lo de uma queda. Mas a liberação de R$ 8 bilhões de crédito às financeiras das montadoras não foi capaz de amenizar a queda nas vendas. Foram 166.279 unidades comercializadas no período, uma retração de 26% nos emplacamentos frente às 224.744 vendidas de outubro, que já havia registrado queda de 11,6% em relação a setembro. Ou seja, só nos últimos dois meses, o mercado amargou uma queda de 34,6% no comércio de veículos zero-quilômetro, indo de um extremo a outro. Até setembro, o avanço era de 27% sobre 2007. "O crescimento que tivemos até setembro não vai voltar. Mas a tendência é que o mercado se estabilize e cresça em proporções menores a partir de 2009", prevê Sérgio Reze, presidente da Fenabrave (Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos).

O baque fez a indústria rever as projeções. A expectativa de crescer 24% sobre o ano de 2007 e chegar a 3 milhões de unidades em 2008 já foi abandonada. Até novembro foram comercializados 2,48 milhões veículos novos no país e o total não deve passar das 2,7 milhões. Pelo menos é o que sugere o novo cenário, com crédito mais escasso, uma postura mais seletiva dos bancos e prazos menores no financiamento. "O crédito ainda não chegou nas mãos dos consumidores. E com taxas de juros elevadas, o financiamento encareceu. As pessoas estão com dificuldade de financiar", observa Rogério César Souza, economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).

"O problema é o poder de crédito de quem não tem muito dinheiro. Em um momento de crise, os bancos privilegiam quem tem mais na conta", pontua o consultor Paulo Garbossa, da ADK Automotive.

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    Salvo raras exceções, a forte queda nas vendas em novembro não poupou nem mesmo os modelos de entrada. O campeão nacional de vendas, Volkswagen Gol, por exemplo, vendia cerca de 30 mil unidades mensais desde a chegada da nova geração, em julho. Este volume despencou para 17.995 unidades em novembro, quase 40% a menos. Com o Fiat Palio, até então o segundo modelo mais vendido do país, o impacto foi duplo: além da chegada do novo Gol, a crise econômica. Da média mensal perto de 18 mil unidades, comercializadas entre janeiro a outubro, o hatch compacto perdeu praticamente a metade das vendas em novembro. Somou 9.450 unidades. Com isso, até o veterano Fiat Uno, com modelos de entrada que começam abaixo dos R$ 23 mil, ultrapassou o Palio, totalizando 9.931 unidades no mês.

    Mas como em qualquer crise, há também as oportunidades. O sedã médio Honda Civic, por exemplo, obteve seu desempenho mais surpreendente até aqui. Isso depois de a montadora baixar o preço da versão mais barata do três volumes de R$ 64 mil para R$ 59.990. Em novembro, o Civic foi o quarto automóvel mais vendido no mês e o sedã mais emplacado do país, com 6.536 unidades somadas. Superou até o Chevrolet Classic, sedã compacto de entrada da General Motors e o mais barato do mercado. "É um público que depende bem menos de crédito e financiamentos longos, com 60 meses. O prazo médio na Honda é de 24 a 36 meses", salienta Alberto Pescumo, gerente-geral Comercial da Honda.

    Até mesmo o arqui-rival do Civic, o Toyota Corolla, se sustentou com 3.949 unidades entregues. A Citroën também aproveitou novembro para emplacar seu sedã médio C4 Pallas. O modelo foi oferecido com câmbio automático pelo preço da versão manual e se manteve firme diante da crise, com 1.269 unidades ante as 1.282 de outubro. Outro que também passou o último mês sem perder vendas foi a pick-up média Toyota Hilux. A reestilização promovida em outubro garantiu 1.842 pedidos contra os 1.850 de outubro. Mais agressiva, a GM promoveu feirões e conseguiu vender bem a S10. Com 2.563 unidades, a pick-up média abriu 10 mil unidades sobre a Hilux e é líder absoluta do segmento.

    Já com o utilitário esportivo médio Captiva, as boas vendas em novembro foram ditadas pelo "frescor" da novidade. Recém-importado do México a preços atraentes para o segmento, entre R$ 92.990 e R$ 100 mil, o SUV tem fila de espera e saltou das 1.079 unidades de outubro para 1.502 -- um ganho de 40% nas vendas.

    O sedã compacto Volkswagen Voyage foi outro que se valeu do "status" de estreante. Somou 2.503 unidades, consideráveis 60% a mais que as 1.566 vendas em outubro. "O brasileiro está ávido por mudanças. Gosta de uma novidade e isso vale para todos", acrescenta Garbossa.

    ACELERADAS
    - Apesar do cenário pouco encorajador em novembro, as montadoras vão manter os investimentos de US$ 23 bilhões para os próximos quatro anos.
    - Volkswagen, Fiat e General Motors anunciaram férias coletivas antecipadas no fim de outubro para "frear" a produção e evitar os pátios lotados diante da previsível queda das vendas em novembro.
    - A indústria automobilística brasileira pretende chegar em 2013 com uma capacidade de produção instalada de 6 milhões de veículos/ano, quase o dobro da produção atual.
    - Para não perder mais vendas no Brasil, a General Motors soltou nota oficial na última semana reafirmando sua posição independente diante da matriz americana, que passa por grave crise financeira. "As atividades da GM do Brasil não serão afetadas, qualquer que seja o cenário da reestruturação das operações na América do Norte", garante a nota assinada por Jaime Ardila, presidente da GM do Brasil.
    - Os Estados Unidos, maior mercado de veículos do mundo e o país mais afetado pela crise econômica, deve encerrar 2008 com 13 milhões de carros vendidos. São 3 milhões a menos que em 2007.


    DUAS RODAS
    O mês de novembro também causou estragos no mercado de motos. Na comparação com outubro, que já havia registrado queda de 11,6% em relação a setembro, o total de modelos novos de duas rodas encolheu 17,3% nas vendas. Foram 124.176 unidades comercializadas ante as 150.110 unidades de outubro. O principal agente causador foi a diminuição da oferta de crédito para financiamentos. "A intenção de compra não diminuiu. O que recuou foi a capacidade de pagamento dentro da análise das financeiras, que passaram a exigir um valor de entrada maior, de até 30% do preço da moto", pondera Moacyr Alberto Paes, diretor executivo da Abraciclo (Associação Brasileira das Fabricantes de Motocicletas).

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    Um reflexo claro de que o preço menor e a relação custo/benefício pesam muito no mercado de motos foi a vendagem surpreendente da Honda CG 125 Fan, que somou 29.023 unidades e ultrapassou a campeã absoluta de vendas Honda CG 150 Titan, com 26.271 emplacamentos. Já a recém-lançada Yamaha YBR 125 Factor foi a que mais sofreu com a queda nas vendas. O modelo totalizou 9.798 unidades no mês, montante 24,8% inferior às 13.037 unidades emplacadas em outubro.
    (por Diogo de Oliveira)

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