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28/11/2008 - 18h58

Pioneiro e com preço reduzido, Ford EcoSport garante a aventura com motor 2.0 flex

Eugênio Augusto Brito
Do UOL, em Camaçari (BA)

A Ford apresentou, na última quarta-feira (26), em Camaçari (BA), seu utilitário esportivo EcoSport com motor 2.0 Duratec bicombustível (flex), que substitui o modelo anterior, movido apenas a gasolina. Além da possibilidade de escolha entre gasolina e álcool (ou da mescla de ambos) para alimentar um motor mais robusto e elástico que o 1.6, o principal atrativo está na tabela de preços da nova linha, que vai dos R$ 58.900 (para a estilosa versão XLT FreeStyle) aos R$ R$ 64.785 (para a versão topo da gama, que conta com tração 4x4 e bancos de couro). As novas unidades chegam aos revendedores mais próximos da fábrica baiana na próxima semana; no restante do país, a chegada deve ocorrer até o começo de dezembro.
 

Foto: Divulgação

Puxado pela versão FreeStyle (R$ 58.900), EcoSport estréia motor 2.0 flex para oferecer mais desempenho com preço acessível e reforçar liderança de vendas entre utilitários esportivos

Com o EcoSport, pioneiro e líder de vendas entre os jipinhos urbanos compacto-médios, a Ford traça um duplo objetivo a partir do lançamento da linha 2.0 flex. Em relação à concorrência, a meta é manter o atrativo do pacote "aventureiro" oferecido com um preço relativamente acessível. Neste contexto e segundo a própria montadora, o EcoSport segue encarando Chevrolet Tracker (que prestes a sair do mercado custa R$ 62.506, com motor 2.0 a gasolina), Mitsubishi Pajero TR4 GLS (cujo preço varia de R$ 65.490 a R$ 71.890, com motor 2.0 flex e tração 4x4 que permite o acionamento manual da reduzida) e Hyundai Tucson GL (com motor 2.0 a gasolina, por R$ 79.900). A Ford ainda elenca a perua Palio Adventure Locker (que custa de R$ 58.890 a 62.010) como rival, mas ao fazer isso força a barra por comparar um veículo com motorização 1.8 e sem opção de tração 4x4.

Comparando as vendas destes modelos através da tabela da Fenabrave, mesmo sem a opção bicombustível para sua motorização mais potente, o EcoSport vendeu 39.528 unidades de janeiro até o início de novembro deste ano, ao passo que o Tucson teve 18.172 unidades comercializadas, a Pajero, 16.066 unidades (TR4 inclusa, já que a conta não discrimina qual versão) e a Tracker, 7.727. Entre as station wagons, a linha Palio Weekend vendeu 25.815 unidades no período (números que englobam a variante Adventure Locker).

Internamente, a Ford espera que se valer da proximidade de valores para tentar convencer o consumidor interessado na versão de acabamento XLT FreeStyle 1.6 Flex -- que tem visual mais trilheiro graças a espelhos retrovisores, grade frontal, molduras laterais e rodas de alumínio de 15 polegadas pintadas em um tom de cinza chamado "Warm Steel", adesivos especiais, pneus de uso misto Scorpion ATR e sistema My Connection com rádio, CD Player e conexões USB, iPod e Bluetooth, e responde por 60% das vendas da linha EcoSport -- a migrar para a versão com motor 2.0 flex, melhorando as vendas desta faixa. No total, as duas motorizações do pacote FreeStyle devem responder por 70% de todas as vendas do EcoSport. Especificamente para a faixa 2.0, a fábrica espera que a proporção de vendas salte dos 18% atuais para 30%.

PREÇOS
Para isso, o EcoSport XLT FreeStyle 2.0 Flex foi posicionado apenas R$ 1.000 acima do irmão 1.6 -- este custa R$ 57.900, enquanto o novo chega por R$ 58.900. De acordo com o presidente da Ford, Marcos Oliveira, o reposicionamento de preços (em média R$ 2 mil mais barato que os praticados com a atual linha 2.0 a gasolina) "permitirá à Ford aproveitar o momento de acomodação do mercado para esperar o reaquecimento econômico com produtos que sejam adequados ao consumidor".

Seguindo esta política, a linha EcoSport 2.0 flex tem os seguintes preços sugeridos:

- EcoSport XLT FreeStyle 2.0 Flex: R$ 58.900.
- EcoSport XLT 2.0 Flex automático: R$ 60.900 (com airbags frontais e ABS).
- EcoSport XLT 2.0 Flex automático com bancos de couro: R$ 63.785.
- EcoSport 4WD 2.0 Flex: R$ 61.900.
- EcoSport 4WD 2.0 Flex com banco de couro: R$ 64.785.
 

Fotos: Divulgação

Motor Duratec 2.0 Flex gera potência de 141 (gasolina) a 145 cv (álcool) no EcoSport, aposentando o motor 2.0 movido exclusivamente a gasolina; em 2009, equipará também o novo Focus

Esteticamente, o EcoSport 2.0 Flex não traz qualquer novidade em relação à atual linha
VEJA A FICHA TÉCNICA DO ECOSPORT 2.0 FLEX
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CORAÇÃO FLEXÍVEL
O momento mais sensível da apresentação do EcoSport 2.0 Flex foi justamente a parte em que as características do novo motor foram esmiuçadas. Integrante da família Duratec fabricada no México, o motor 2.0 Flex de 16 válvulas e quatro cilindros que passa a equipar o EcoSport tem bloco, cabeçote e mancais em alumínio, comando de válvulas acionado por corrente com tensionador hidráulico e assentos de válvulas reforçados, para receber o etanol.

Para atender às regras de emissão de poluentes que entrarão em vigor em 2009 (o Proconve L-5), a unidade conta com a tecnologia batizada de "close-coupled catalyst", em que o catalisador é montado mais próximo ao bloco do motor, logo após o coletor de escape. Como esta região é mais aquecida, a peça atinge logo a temperatura ideal de funcionamento e tem sua eficiência aumentada. Além disso, tubo de escape e silencioso são feitos em aço inox, apresentando maior resistência à corrosão do que o conjunto antigo, em aço aluminizado. Na prática, a vida útil do novo sistema deve subir de três para cinco anos, segundo a Ford, embora o custo de reposição também fique 30% mais elevado.

Sim, o Duratec 2.0 Flex é o mesmo motor que deve equipar o novo Focus, a partir do ano que vem. A data exata, porém, segue como um segredo que a Ford prefere não revelar, seja por não ter mesmo esta definição (como gerentes e diretores da empresa afirmaram repetidas vezes, durante a apresentação), seja para não desvalorizar o principal lançamento da empresa em 2008 (hatch e sedã foram mostrados à imprensa em setembro).
 

ANIMAÇÃO MOSTRA COMO O DURATEC 2.0 FLEX É FEITO

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No EcoSport, o conjunto flex promete ter desempenho no mínimo semelhante ao do anterior movido a gasolina apenas. A potência é parelha e varia de 141 (gasolina) a 145 cavalos (álcool), contra 143 cv do antecessor, segundo dados da Ford. O torque vai de 19,06 kgfm (187 Nm) a 19,47 kgfm (191 Nm), para gasolina e álcool, respectivamente.

Segundo o gerente de desenvolvimento de produtos Alexandre Monte Alto, o EcoSport 2.0 Flex equipado com câmbio mecânico de cinco velocidades supera a inércia e chega aos 100 km/h em 9,9 s, quando abastecido com álcool, e em 10,1 s, com gasolina -- sempre com tanque cheio e levando motorista e mais um passageiro. Com câmbio automático, o conjunto flex obtém o tempo de 12,5 s com álcool e 12,7 com gasolina. E na versão 4WD, 10,8 s com álcool e 11,1 s a gasolina. Comparando, a motorização 2.0 anterior (a gasolina apenas) com câmbio mecânico fazia o 0-100 em 11,05 s.

Em relação ao consumo, seguindo a norma BNBR 7024, o consumo da versão com câmbio mecânico é estimado em algo em torno de 7 km/l (álcool) e 10,7 km/l (gasolina), em terreno urbano, e 9,2 km/l (álcool) e 14 km/l (gasolina), na estrada. A automática faz de 6,5 km/l (álcool) a 9,5 km/l (gasolina), dentro da cidade, e de 8,8 km/l (álcool) e 13 km/l (gasolina), na estrada. Por fim, a versão 4WD promete rodar de 6,5 km/l (álcool) a 9,7 km/l (gasolina), na cidade, e de 8,5 km/l (álcool) a 13 km/l (gasolina), na estrada. Vale lembrar que todos estes dados são da montadora e, portanto, podem não valer para o cotidiano de um motorista comum.

Ainda segundo a Ford, todas as versões têm velocidade máxima limitada eletronicamente em 170 km/h.
 

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    Foto: Divulgação

    No curto teste de estrada, EcoSport mostrou boa disposição quando equipada com motor 2.0 flex

    PRIMEIRAS IMPRESSÕES
    Com uma apresentação voltada mais para a divulgação de preços e explicação de detalhes técnicos e de mercado, houve pouco tempo para o test-drive do EcoSport 2.0 Flex. Foram pouco mais de 30 quilômetros, num trajeto que misturou vias asfaltadas com leves trechos de terra batida e alguma lama, a caminho do Eco Parque do Sauípe.

    Com a baixa quilometragem, foi impossível comparar os dados de desempenho reais com aqueles divulgados pela montadora. Além disso, a unidade testada não representava nenhuma das versões listadas no catálogo oficial: mecânica, não trazia item algum do pacote FreeStyle, não tinha bancos de couro e nem a tração 4x4 -- não tinha sequer acionamento elétrico dos vidros, que tinham de ser movidos por meio de uma manivela que roubava espaço dos joelhos, tornando a posição de direção um tanto incômoda (o espaço interno do EcoSport parece ter sido planejado para ter apenas acionamento elétrico dos vidros).

    De toda forma, ficou a boa impressão de vigor e elasticidade do modelo, semelhantes ao do equipado com motor 2.0 a gasolina (veja a avaliação aqui). A utilização de álcool, porém, melhorou o desempenho nas retomadas, graças ao torque ligeiramente maior, mas que chega rápido, com 80% de sua força total disponível logo às 1.500 rpm.

    No todo, o conjunto se mostrou valente nas acelerações, levando o EcoSport a atingir facilmente e sem sobressaltos os 140 km/h. A partir disso, uma oscilação tomou conta da cabine e ajudou a lembrar que o melhor é seguir os limites impostos pela lei e pelo bom senso. Mesmo quando se prefere viver e andar de modo mais aventureiro.

    *Viagem e test-drive a convite da Ford do Brasil

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