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19/11/2008 - 01h33

GM quer US$ 12 bilhões em ajuda; Ford, US$ 8 bilhões; e Chrysler, US$ 7 bilhões

Da Reuters,
em Washington
Executivos de montadoras alertaram no congresso dos EUA nesta terça-feira (18) que suas fábricas oscilam à beira de um desastre ao pedir a aprovação de um pacote de ajuda de US$ 25 bilhões para o setor, apesar da oposição política a um novo plano de resgate multibilionário do governo. A General Motors tomaria entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões do pacote; a Ford, entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões; e a Chrysler, US$ 7 bilhões.

A audiência aconteceu no momento em que governos e executivos de todo o planeta decidem se, e como, eles devem comprometer bilhões de dólares pagos pelo contribuinte para dar suporte a montadoras em dificuldades. Rick Wagoner, presidente da General Motors, foi direto ao explicar ao Comitê Bancário do Senado a razão de os executivos estarem ali.

"Isso diz respeito a muito mais do que apenas Detroit (cidade que é sede da indústria automobilística dos EUA)", afirmou Wagoner em seu pronunciamento. "Trata-se de salvar a economia dos EUA de um catastrófico colapso."

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    Na véspera, democratas do Senado haviam se oposto a um plano que destinaria US$ 25 bilhões à combalida indústria automobilística em empréstimos garantidos pelo governo. Boa parte dos republicanos também é contra a medida. A enfraquecida economia e a crise global de crédito levaram o governo dos EUA a socorrer companhias de outras áreas, incluindo a seguradora AIG, o banco de investimentos Bear Stearns e as companhias de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac.

    Wagoner foi ao Senado acompanhado de Robert Nardelli, presidente da Chrisler LLC, Alan Mulally, presidente da Ford Motor, e Ron Gettelfinger, do sindicato nacional dos trabalhadores da indústria automobilística, o United Auto Workers (UAW, que também defende o repasse de verbas). Todos eles depuseram nesta terça.

    "Enquanto a indústria automobilística doméstica cometeu erros no passado, os problemas atuais foram exacerbados por uma das piores crises econômicas em quase três décadas", disse Mulally. "Nós estamos esperançosos de que teremos liqüidez suficiente com base nas atuais projeções econômicas e ações planejadas para uma melhora financeira, mas nós sabemos que vivemos em uma era econômica tumultuada", acrescentou.

    Segundo Wagoner, a GM deverá ter uma perda de caixa da ordem de US$ 15 bilhões em 2008. Em 2009, esse número deverá ficar em cerca de US$ 10 bilhões. Ele afirmou também que a crise começa a afetar vendas de veículos em todo o mundo, e que havia se espalhado agora para o Brasil. A GM brasileira, por sua vez, diz que a crise da matriz não afeta seus investimentos no país.

    Nardelli, da Chrysler, disse que a empresa queimou no terceiro trimestre cerca de US$ 3 bilhões em dinheiro. Segundo ele, a empresa encerrou o trimestre com US$ 6,1 bilhões em caixa, depois de gastar aproximadamente US$ 5 bilhões nos primeiros nove meses do ano.

    Ford, Chrysler e GM disseram também ter pedido ao Departamento de Energia dos EUA empréstimos ligados a tecnologia para reequipar fábricas e fabricar veículos mais eficientes no gasto de combustível.

    RECEPÇÃO DURA
    A recepção no Senado, porém, foi um pouco menos cordial do que os bem pagos executivos estão acostumados. O senador Richard Shelby, republicano do Estado do Alabama e membro do comitê, chamou as montadoras de "modelos fracassados" e disse que eles deveriam ter a falência decretada.

    Ao criticar o socorro, o senador republicano Jim Bunning, do Kentucky, disse: "A proposta que chegará ao Senado nesta quarta-feira (19) não é séria". O presidente George W. Bush é contra a ajuda às montadoras. O presidente eleito, Barack Obama, é favorável, mas com ressalvas.

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