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18/11/2008 - 17h02

Versão Privilège tenta emprestar requinte à perua Mégane Grand Tour

Da Auto Press
Em geral, as montadoras seguem a estratégia de lançar primeiro as versões mais caras e, conforme o carro perde o ar de novidade, apresentar as configurações menos luxuosas. No caso da linha Mégane, a Renault fez o caminho inverso. Quando a versão sedã chegou ao Brasil, em março de 2006, a marca pretendia conquistar o brasileiro pela boa relação entre custo e benefício. Por isso, lançou primeiro os modelos Expression (básico) e Dynamique (intermediário). Só mais tarde veio a Privilège (topo da gama). A estratégia foi repetida com a perua Grand Tour: lançada em novembro daquele ano só na versão intermediária, ganhou em maio a versão Privilège.

Fotos: Carta Z Notícias

Luxuosa, Mégane Grand Tour foge do convencional, mas sem o atrativo da novidade

A Mégane GT Privilège, de qualquer maneira, não é uma versão de venda. Ao contrário. Modelo dos comerciais e das vitrines das concessionárias, responde por miúdos 4% do mix. O preço de R$ 82.590 justifica em parte a baixa demanda pela Mégane GT top. Mesmo fartamente equipada -- vem com o motor 2.0 16V a gasolina, acoplado ao câmbio automático de quatro marchas, unidade de força que gera 138 cv de potência (5.500 rpm) e tem 19,2 kgfm de torque máximo (3.750 rpm) --, a perua vê a concentração de vendas ficar com a irmã intermediária.

A Dynamique tem opção dos motores 1.6 16V flex e 2.0 16V a gasolina e preços entre R$ 62.990 e R$ 70.690. Com isso, abocanha 94% do total de vendas do modelo. Os 2% restantes são da versão básica Expression, que dispõe somente do propulsor 1.6 flex e câmbio manual.

Essa boa variedade de versões tem sido um dos argumentos de venda da Mégane Grand Tour. Com o encerramento da produção da Toyota Fielder, a perua média da Renault assumiu de vez a liderança no nicho. De janeiro a outubro, foram 3.845 unidades vendidas, com média mensal de 384 emplacamentos. O volume é quase quatro vezes maior que o obtido pelas duas únicas concorrentes, a arqui-rival Peugeot 307 SW, com média de 108 unidades mensais, e a Volkswagen Jetta Variant, com 100 licenciamentos a cada mês.

FICHA TÉCNICA
Renault Mégane Grand Tour Privilège 2.0 16V Automática
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.998 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto seqüencial.
Transmissão: Câmbio automático de quatro velocidades à frente e uma a ré com opção de mudanças seqüenciais. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.
Potência: 138 cv a 5.500 rpm.
Torque: 19,2 kgfm a 3.750 rpm.
Diâmetro e curso: 82,7 mm x 93,0 mm.
Taxa de compressão: 9,8:1.
Suspensão:
Dianteira: independente pseudo-McPherson, com braço inferior retangular e barra estabilizadora.
Traseira: por eixo flexível, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos.
Não oferece controle de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a discos sólidos. ABS e EBD de série na versão.
Carroceria: Station wagon média em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Medidas: 4,50 metros de comprimento, 1,77 m de largura, 1,50 m de altura e 2,68 m de distância entre-eixos. Airbag duplo frontal de série na versão. Não oferece airbags laterais e de cabeça.
Peso: 1.370 kg.
Porta-malas: 520 litros/1.600 litros rebatido.
Tanque: 60 litros.
O charme da Mégane GT Privilège em relação às demais versões está nos detalhes estéticos e no pacote de equipamentos de fábrica. De série, ela traz ar automático com controle digital, direção elétrica, controle de cruzeiro, computador de bordo, sensores de luminosidade, chuva e obstáculos traseiro, revestimento de couro nos bancos, no volante multifuncional e na manopla do câmbio, rádio/CD com leitor de MP3, disqueteira e comandos na coluna de direção e trio elétrico.

A perua ainda traz barras longitudinais com pintura metálica no teto e molduras prateadas por fora e no interior, que imitam cromado. Isso fora a singular chave do tipo cartão, ABS com EBD nos freios e os airbags duplos frontais autoadaptativos -- que se inflam de acordo com a intensidade do impacto. Um conjunto feito para chamar a atenção.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
A Mégane Grand Tour foge do convencional. A começar pela forma de acionar o motor, por meio do conjunto chave-cartão/botão start-stop. O motor 2.0 a gasolina começa a roncar, devidamente abafado pelo bom isolamento acústico. O rodar suave é valorizado pela suspensão bem calibrada, que absorve com eficiência a buraqueira do asfalto. Já a direção elétrica mostra-se firme em velocidades mais altas e leve nas manobras. Com o sensor de obstáculos traseiro, estacionar os longos 4,50 metros do modelo é bem simples.

Em acelerações e frenagens mais agressivas, impressiona o comportamento estável e seguro da perua. O propulsor 2.0 16V responde bem nas acelerações e retomadas, mas não a ponto de oferecer uma performance esportiva. O câmbio automático de quatro marchas tem um escalonamento desenhado para um rodar mais calmo. Já a farta lista de equipamentos de série impressiona, assim como o espaço interno amplo e o generoso porta-malas de 520 litros. A versão Privilège traz ainda uma forração em couro nos bancos de primeira linha. É um carro de bom gosto. (por Diogo de Oliveira)

DE ZERO A 100 PONTOS, A RENAULT MÉGANE GRAND TOUR PRIVILÈGE 2.0 16V AUTOMÁTICA
Desempenho - A Mégane GT tem um comportamento bem consistente, graças ao motor 2.0 16V a gasolina, com seus 138 cv a 5.500 rpm e 19,2 kgfm a 3.750 rpm. Arrancadas e retomadas são homogêneas e o zero a 100 km/h é cumprido em 11,9 segundos, com máxima de 194 km/h. O câmbio de quatro marchas tem trocas suaves e se adapta rapidamente às condições de condução. Entre a primeira e segunda marchas, porém, há um buraco incômodo. Nota 7.
Estabilidade - A Mégane GT mostrou um grande equilíbrio em curvas. A carroceria torce pouco e, mesmo no limite, não há ameaças de soltar frente ou traseira. A comunicação entre rodas e volante é precisa. Durante as frenagens, a carroceria se mantém neutra, sem mergulhos e sem desvios. Nota 8.
Interatividade - Os comandos na Mégane GT são inteligentemente dispostos. Os botões e alavancas têm acesso fácil e intuitivo. Há controles do som e do computador de bordo em hastes na coluna de direção e comandos do cruise control no próprio volante. O assento do motorista tem ajuste de altura, enquanto o volante é ajustável em altura e profundidade. Os sensores de obstáculos também são muito úteis nas manobras. Nota 9.
Consumo - A perua média da Renault se mostrou apenas razoável. Fez média de 8,5 km/l com gasolina num percurso de 1/3 de estrada e 2/3 de cidade. Nota 6.
Conforto - Os bancos largos cobertos em couro e a suspensão bem calibrada são os pontos altos da Mégane GT. E a perua ainda conta com espaço interno bastante amplo para pernas e cabeça e isolamento acústico eficiente. Nota 8.
Tecnologia - A perua Grand Tour é um carro estruturalmente moderno e tem um bom pacote de equipamentos. Além do bom motor 2.0 16V a gasolina, o modelo traz freios com ABS e EBD, airbags frontais autoadaptativos, sensores de luminosidade, de chuva e de obstáculos e rádio/CD com leitor de MP3, disqueteira e comando na coluna de direção, entre outros. Nota 8.
Habitabilidade - Há fartura de porta-objetos e boa iluminação na GT. Os acessos também são fáceis. Mas o maior atrativo de uma perua é mesmo o porta-malas. No caso, são 520 litros expansíveis a 1.600 litros com os bancos rebatidos. Nota 8.
Acabamento - A Renault aplicou molduras com pintura metalizada no interior. As peças são bem acabadas, se encaixam com precisão e o revestimento em couro valoriza o interior. Nota 8.
Design - Apesar de transmitir requinte, a Mégane GT tem um desenho com alguma ousadia e interessante visualmente. As lanternas traseiras triangulares e verticalizadas diferenciam bem o modelo. Nota 8.
Custo/Benefício - Pelo pacote de série que oferece, os R$ 82.590 da Mégane GT Privilège são aceitáveis. E estão emparelhados com os R$ 82.490 da rival Peugeot 307 SW Feline. O caso é que é um modelo de luxo sem o atrativo da novidade. Nota 6.
Total - A Renault Mégane GT Privilège somou 76 pontos em 100 possíveis. NOTA FINAL: 7,6.

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