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17/11/2008 - 01h45

Semana decisiva inicia com Obama defendendo ajuda a montadoras dos EUA

Da Redação
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu neste domingo (16), em entrevista veiculada pelo programa de TV "60 Minutes", da rede CBS, que o governo de seu país deve ajudar a indústria automotiva -- no caso, especificamente as montadoras norte-americanas General Motors, Ford e Chrysler. Crescem os rumores de que a primeira, que é também a maior entre as três, está a um passo da falência. Já sobre a Chrysler as especulações incluem um virtual desaparecimento da marca.

"Acredito que devemos ajudar a indústria automotiva", disse Obama. "Mas não devemos dar-lhe um cheque em branco", acrescentou o futuro presidente.

PERSONAGENS DA CRISE
Reuters

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, e sua mulher Michelle na gravação do 60 Minutes
AP

O presidente da United Auto Workers, Ron Gettelfinger, que defende ajuda à General Motors
Esta semana é decisiva para as montadoras dos EUA, que esperam abocanhar uma parcela dos US$ 700 bilhões de um pacote de ajuda financeira estatal a ser votado pelo Senado norte-americano -- que, por sinal, Obama acaba de deixar. Membros do Partido Republicano são contra a medida. Do lado do Partido Democrata, há a proposta de reservar cerca de US$ 25 bilhões do total para ajudar as três montadoras locais.

No caso do partido de Obama, pesam as ligações com os sindicatos de trabalhadores da indústria, que fazem parte de sua base eleitoral e são muito fortes nas negociações com o patronato.

Alguns analistas conservadores vêem nos benefícios concedidos aos empregados -- que incluem indenizações por demissão e aposentadorias privadas -- boa parte dos problemas da General Motors, por exemplo. Para estes, a falência da empresa, e sua posterior reestruturação, seria uma solução positiva.

Chamou a atenção a convergência das declarações, neste fim de semana, dos presidentes da GM, Rick Wagoner, e do sindicato United Auto Workers (UAW), Ron Getterlfinger. Este último afirmou que um pedido de falência da GM seria "o começo do fim da indústria automotiva norte-americana". Já Wagoner disse que o impacto da quebra das três montadoras na economia dos EUA seria "devastador".

A indústria vem divulgando estudos que apontam para o corte de 3 milhões de empregos caso isso aconteça, entre trabalhadores das montadoras, de toda a cadeia produtiva (o que inclui fornecedores de peças, por exemplo) e das economias locais que dependem das fábricas.

Representantes de GM, Ford, Chrysler e UAW serão ouvidos ao longo da semana em comissões parlamentares no Congresso dos EUA, antes que qualquer decisão seja tomada. Mas o momento é politicamente adverso, já que não é apenas o atual presidente, George W. Bush, que é um "lame duck", ou "pato manco", termo que designa um mandatário que já não detém poder real. A próxima legislatura, que começa em janeiro de 2009, será dominada pelo Partido Democrata, o que explica parcialmente a má vontade dos republicanos -- eles mesmo "patos mancos" -- para aprovar o pacote de ajuda. O próprio Bush é contra.

No Brasil, por sinal, não houve grandes dilemas políticos na hora de injetar dinheiro na indústria automotiva local, que experimenta um decréscimo nas vendas de veículos após dois anos de recordes históricos. Linhas de crédito destinadas aos bancos e financeiras das montadoras, totalizando R$ 8 bilhões, foram concedidas pelos governo federal e do Estado de São Paulo, metade cada um, nas últimas semanas

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